Na noite amena de Verão de 12 de julho, o Claustro Maior do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora (UÉ) acolheu mais de duas centenas de pessoas que ficaram encantadas com o concerto de flamenco apresentado pela Família Vargas e que se solidarizaram com os estudantes da UÉ em situação de vulnerabilidade económica, para os quais reverteu a receita na íntegra.
Numa organização conjunta da Universidade de Évora e da Diputación de Badajoz, este concerto marca também o início de um projeto cultural transfronteiriço, lançado pela atual Reitoria da UÉ, intitulado “Fronteira da Cultura”, e que procurará criar na área da cultura uma nova centralidade na Península Ibérica, unindo o Alentejo e a Extremadura espanhola.

“A cultura é uma das formas mais bonitas de construir pontes” – Reitor da UÉ
Nas palavras de boas vindas, António Candeias, Reitor da UÉ, expressou a “enorme alegria” ao ver “o claustro cheio para um concerto que reúne música, solidariedade e cooperação entre instituições dos dois lados da fronteira.”
“Esta iniciativa reforça uma ligação histórica entre a Extremadura e o Alentejo e mostra como a cultura é uma das formas mais bonitas de construir pontes entre territórios e entre pessoas”, sublinhou o Reitor, tendo agradecido o contributo das empresas, fundações, autarquias e restantes entidades parceiras que tornaram possível a realização do concerto e a sua componente solidária. “A vossa presença é também uma forma de participar, de apoiar e de acreditar que a cultura pode transformar a vida das pessoas. E transforma, de facto”, apontou António Candeias.
Durante a intervenção, o Reitor reafirmou ainda a visão da Universidade de Évora como uma instituição aberta à comunidade e profundamente ligada ao território. “Na Universidade de Évora acreditamos profundamente que uma universidade não deve viver de portas fechadas. Queremos uma universidade aberta, próxima, participante, amiga, que faça da cultura um ponto de encontro entre o conhecimento e a sociedade”, afiançou.

Projeto “Fronteira da Cultura” criará uma nova centralidade cultural na Península Ibérica
Já Antonio Sáez Delgado, Vice-Reitor para a Cultura e a Sociedade, revelou aos presentes que a Universidade de Évora vai lançar em breve o projeto “Fronteira da Cultura”, uma iniciativa que reforçará a cooperação entre instituições e entidades dos dois lados da fronteira. “Este espetáculo marca o ponto de partida simbólico de um projeto grande e ambicioso que a Universidade de Évora vai lançar nos meses de setembro e outubro, que tem como finalidade tentar construir um corredor cultural entre o Alentejo e a Extremadura.”
“O Alentejo é uma região periférica no Estado português, a Extremadura é periférica no Estado espanhol, mas as duas juntas, no conjunto de toda a Península, passam a ser o centro, passam a estar exatamente no meio entre Lisboa e Madrid”, sublinhou, revelando que a UÉ pretende promover uma ampla rede de cooperação entre instituições culturais dos dois territórios. “Vamos promover uma grande aliança estratégica entre instituições e entidades culturais para aproveitar recursos e fazer deste espaço uma verdadeira ‘Fronteira da Cultura’”, afiançou Antonio Sáez Delgado.
Finalmente, Ricardo Cabezas Martín, deputado da área de Cultura, Desporto e Juventude da Diputación de Badajoz, manifestou a satisfação da instituição por integrar a nova parceria cultural com a Universidade de Évora, considerando que esta colaboração poderá dar origem a um conjunto alargado de iniciativas entre a Extremadura e o Alentejo.
O deputado destacou o flamenco como uma expressão artística de dimensão universal, aproximando-o do fado, ambos reconhecidos como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. “Quando ouvimos a palavra flamenco pensamos sempre na Andaluzia, mas na Extremadura, em Badajoz, temos um flamenco próprio, o flamenco da nossa terra. Espero que gostem do nosso flamenco”, desejou.

“A música é o idioma do mundo” – Miguel Vargas
E, de facto, a Família Vargas, formação considerada uma das principais referências do flamenco da Extremadura, encantou o público presente. A atuação fez uma viagem pelos diferentes estilos (palos) desta arte, conciliando tradição e contemporaneidade num percurso musical marcado pela emoção. O espetáculo reuniu cante, toque e dança, revisitando as formas mais ancestrais do flamenco e conduzindo o público até às suas expressões mais atuais.
“A música é o idioma do mundo. É através da música que nos entendemos e unimos as pessoas. Mesmo quando não falamos a mesma língua, entendemo-nos através da música e da sensibilidade”, afiançou no final do espetáculo, Miguel Vargas, uma das maiores referências da guitarra flamenca da Extremadura.
Ao atuar na Universidade de Évora “sinto-me como em casa”. “Amo Portugal. Há 26 anos fui, talvez, o primeiro a fazer uma fusão entre o fado e o flamenco. Estou muito feliz”, destacou, revelando que nasceu em Portugal e que nutre uma admiração pelo património musical português.
O artista elogiou igualmente a forma como o público português vive os espetáculos. “O público é maravilhoso. Está completamente ligado ao concerto. Em Portugal as pessoas são muito educadas, escutam com atenção e vivem a música”, sublinhou.
O alinhamento do espectáculo incluiu temas como Feria Chica, Templo de Diana (soleá por bulerías), Bailarín en Granada (granaína), Historia de un amor (rumba), Cañaílla (alegrías), Tangos del Romano (tangos), uma Rapsodia Flamenca instrumental, Sonsonete (rumba) e Pulgar y Bastón (bulerías). O programa foi ainda marcado pela inspiração e pela liberdade criadora da Família Vargas.
Para o músico espanhol, iniciativas culturais que aproximem os dois lados da fronteira são fundamentais para criar uma maior ligação entre os povos. “Esta ligação entre fronteiras é necessária. Acho que devemos continuar, com o apoio das autoridades, promovendo mais iniciativas entre os dois povos”, apelou.
A Família Vargas é apontada como um dos mais genuínos expoentes do flamenco extremenho, representando simultaneamente a preservação da tradição e a capacidade de renovação desta expressão artística.

Cultura e Solidariedade de mãos dadas numa Universidade de “portas abertas”
Além da dimensão cultural, o espetáculo teve também uma componente solidária. A receita obtida com a venda dos bilhetes reverteu integralmente para associações que apoiam estudantes em situação de maior vulnerabilidade económica, confirmou Antonio Sáez Delgado, que sublinhou que “a cultura é uma ferramenta para unir as pessoas, para fazer solidariedade, para compreender como é a realidade dos outros. Sobretudo, a cultura é uma grande ponte, uma ponte que tem de aproximar as pessoas.”
“Um dos objetivos da Universidade nos próximos tempos é estar de portas abertas. A Universidade não faz sentido encerrada em si própria, tem de estar sempre em diálogo com a sociedade”, concluiu o Vice-Reitor para a Cultura e Sociedade.
O Concerto Solidário de Flamenco, apresentado pela Família Vargas, numa organização conjunta da Universidade de Évora e da Diputación de Badajoz, contou com os seguintes Mecenas e Apoios: Grupo AMatosCar; Câmara Municipal de Vila Viçosa; Companhia das Lezírias; Família Noites; Fundação Casa de Bragança; Fundação Eugénio de Almeida; SIAG; SOMEFE; Câmara Municipal de Évora; Adega do Redondo; Adega de Borba; Companhia de Triana, Sevilhanas e Flamenco.
Fonte: Nota de Imprensa / Universidade de Évora
Fotos oficiais do emissário
