O desenvolvimento económico e social da região é uma das apostas da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) do Alentejo Central. Com mais de 110 anos de história, esta entidade bancária assenta em pilares como a proximidade, inovação, solidez e segurança.
Atualmente, esta instituição é o resultado de diferentes fusões que se efetivaram nos últimos anos. Agora, está prestes a concretizar-se mais uma, neste caso com a CCAM Moravis.
Segundo informação enviada ao Diário do Sul (DS), esta nova fusão traduz-se numa “CCAM do Alentejo Central muito mais robusta e com maior capacidade para continuar a sua missão de contribuir para o progresso económico e social das comunidades, praticando uma banca de proximidade, com propósito e sustentável”.
A propósito deste passo, o DS contactou o presidente do Conselho de Administração da CCAM do Alentejo Central, José Tirapicos Nunes, para perceber os contornos deste projeto, bem como os impactos que daí resultam.
“A CCAM do Alentejo Central, hoje assim designada, no fundo acaba por ser o conjunto de histórias várias que, ao se concretizar esta fusão, conta com 11 antigas CCAM”, começou por referir, acrescentando que “juntar 11 CCAM, correspondentes a 11 concelhos, de certa maneira não há idêntico no país”.
De acordo com José Tirapicos Nunes, “tudo começou há alguns anos quando se começaram a possibilitar as fusões”, lembrando que “as primeiras foram entre a CCAM Eborense, a Portelense, a de Arraiolos e a de Montoito, pois no concelho de Redondo a Caixa era em Montoito, depois é que houve também uma na sede de concelho”.

Especificou que “depois houve a fusão com o Alto Guadiana, que, por sua vez, já tinha feito a fusão entre Mourão, Alandroal, Vila Viçosa e Reguengos”, reiterando que “com estas oito CCAM conseguimos fazer face às necessidades creditícias desta região e que foram muitas”.
O mesmo responsável focou que “considerámos que esta fusão era fundamental se queríamos participar na mudança da atividade económica do Alentejo, particularmente agrícola, em que nós sabíamos que com o fechar das comportas da Barragem de Alqueva isto ia mudar, nomeadamente a transição do sequeiro para o regadio”.
Frisou que “ia ser preciso investir em novas culturas e esses investimentos são caros, pelo que era preciso ter um suporte financeiro”, afirmando que “percebemos que tínhamos capacidade de apoiar quem queria investir seriamente nisso, tínhamos o know-how de agricultura dentro de nós, precisávamos era de ter um conjunto de disponibilidades económicas e dar também credibilidade aos aforradores de que ter dinheiro aqui era seguro”.
O presidente do Conselho de Administração recordou também que, “mais tarde, foi feita a fusão com Sousel”, adiantando que “agora vamos fazer esta com a CCAM de Moravis, que está em condições de ser concretizada, uma vez que as assembleias gerais já ocorreram na CCAM de Moravis e na CCAM do Alentejo Central, com sede em Évora”.
Sublinhou que, “no caso da assembleia geral realizada em Évora, com 110 participantes, esta fusão foi também votada por unanimidade”, constatando que “o Crédito Agrícola (CA) agradece esta resposta que foi muito positiva e que mostra que este é o caminho e que os associados acreditam nesta nova fusão”.
Ao ser concretizada, a CCAM do Alentejo Central passa a estar presente em 11 concelhos, nomeadamente Alandroal, Arraiolos, Avis, Évora, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa. Passa assim a dispor de 18 agências, mais cinco extensões, dispersas por esses municípios.

José Tirapicos Nunes garantiu ainda que “nós não nos queremos sobrepor a Moravis, queremos estar ao seu lado para partilharmos as nossas possibilidades financeiras, o nosso conhecimento”, afiançando que “é para somar, não é para impor e é por isso que as nossas fusões têm resultado”.
Assegurou também que “nós respeitamos as pessoas com quem nos vamos fundir, não queremos ser dominantes, queremos dar o nosso apoio e o nosso aporte de conhecimento”.
O mesmo responsável vincou que “pretendemos ter proximidade com as pessoas, apoiar as suas iniciativas e incentivá-las a ter as suas iniciativas para o desenvolvimento da região”.
Na sua opinião, “temos ali algum potencial de desenvolver o Alentejo porque essa é a nossa missão”, assumindo que “não faz sentido desenvolver a CCAM do Alentejo Central se não desenvolvermos globalmente o Alentejo”.
Reforçou ainda que “a CCAM de Moravis vai ser incorporada na CCAM do Alentejo Central e no dia em que isso se concretizar totalmente será CCAM do Alentejo Central, deixamos de falar em Moravis”.
Em relação à atividade bancária da CCAM do Alentejo Central, foram avançados alguns números.

Com esta nova fusão, “os cerca de dez mil associados vão passar para perto de 12 300”, além dos “clientes também irem aumentar, passando de 35 mil para aproximadamente 41 mil”.
Quanto ao total de crédito dos clientes desta entidade bancária, “ronda os 378 milhões de euros” e com a incorporação de Moravis passa para “cerca de 430 milhões de euros”.
No que diz respeito ao total de recursos dos clientes, vai aumentar de “cerca de 444 milhões de euros para mais de 541 milhões de euros”.
Já o ativo líquido, vai passar de “cerca de 523 milhões de euros para mais de 628 milhões de euros”.
José Tirapicos Nunes destacou ainda que “a agricultura continua a ser um setor com muito peso na nossa carteira de crédito, até porque esta é a nossa matriz”.
Não obstante, mencionou que “hoje somos a preferência de muita gente no crédito à habitação, além de também trabalharmos muito com o setor da agro-indústria, tal como com o do turismo, entre outros”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS / CCAM Alentejo Central
