“A inclusão da deficiência, da neurodivergência e das desigualdades através das artes” foram temas que dominaram o seminário internacional promovido pelo BRIDGES (PLANAPP-FCT), que tem sede no CIDEHUS da Universidade de Évora (UÉ).
Este projeto, dirigido pela investigadora Maria Zozaya-Montes, tem como foco “Ponte Cultural: Promover a Inclusão Cultural para Conseguir uma Sociedade mais Democrática”, apostando na realização de vários eventos multidisciplinares.
Quanto a este terceiro seminário internacional, denominado “Limitações invisíveis? A inclusão da diferença através da arte, cultura e mundo digital”, decorreu entre 13 e 15 de maio.
O evento decorreu em formato online, tendo também havido sessões presenciais na UÉ, contando com a presença de especialistas de várias áreas interdisciplinares, com o objetivo de serem partilhados “novos olhares” sobre estas temáticas.

Em nota de imprensa enviada ao Diário do Sul (DS), Maria Zozaya-Montes, organizadora do encontro, adiantou que “este seminário teve como objetivo estudar a inclusão e as formas de dar visibilidade às possíveis vias de a promover através da cultura e das artes”.
É ainda referido que é dada especial atenção “às formas de inclusão de grupos intergeracionais, os idosos, as pessoas desfavorecidas, pessoas com deficiência e com neurodivergências (PHDA, PEA), apresentando estas questões através da ótica das artes”.
A mesma investigadora salientou que “os especialistas falaram de patologias sociais, de neurodiversidades, de limitações sociais e económicas que são ultrapassadas através de políticas públicas, mas tratadas especialmente mediante ações culturais”.
Em declarações ao DS, Maria Zozaya-Montes recordou que “o projeto BRIDGES tem a intenção de focar sete pontos principais, que são transversais à procura da democracia, através da cultura”, lembrando que “alguns desses pontos já foram tratados nos seminários anteriores”.

Especificou ainda alguns desses temas, como “o feminismo, a inclusão da mulher, os imigrantes, a problemática dos refugiados, a neurodivergência, as diferenças intergeracionais ou a inclusão em geral”.
A mesma responsável frisou que “as neurodivergências são abordadas de uma forma especial porque temos muitos alunos e muitas pessoas que não são diagnosticadas, nem tratadas e estamos a perder grandes talentos”, exemplificando com pessoas com PEA (Perturbação do Espectro do Autismo) ou com PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção)”.
Sustentou que “se têm trajetórias de sucesso ninguém nota, mas se são excluídas por estarem nestes espectros vão sofrer as consequências a vida toda”.
Segundo Maria Zozaya-Montes, “já há trabalhos a serem feitos nestas áreas, em que estão a tentar procurar um caminho, abrir uma ponte para através da cultura conseguir integrar as pessoas que em muitas ocasiões estão excluídas socialmente ou em risco de exclusão”.

Avançou que, neste domínio, “o projeto BRIDGES tem duas vertentes, uma é consciencializar e outra é aportar estudos e modelos do que se está a fazer nestes campos”.
Quanto a este seminário, a investigadora destacou a relevância de juntar o formato presencial e o formato online, reiterando que “permitiu cruzar pessoas que de outra forma seria impossível e termos pessoas não só de Portugal, como de outros países, nomeadamente do Brasil ou Espanha”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS / BRIDGES
