No Dia Mundial das Cidades, somos convidados a refletir sobre o que faz de uma cidade mais do que um conjunto de ruas, edifícios e monumentos. Uma cidade é, antes de tudo, uma comunidade viva, feita de memórias, de relações, de saberes e também de sonhos. É neste sentido que penso em Évora: uma cidade que conjuga, de forma admirável, o passado e o futuro, a tradição e a inovação.
Classificada como Património Mundial da UNESCO desde 1986, Évora é, sem dúvida, um tesouro histórico e arquitetónico. Mas é também muito mais do que isso. O seu verdadeiro valor está na capacidade de transformar a herança do passado em impulso criativo para o presente e o futuro. Évora não vive apenas da sua história. Vive com a sua história, reinventando-a a cada dia, através da cultura, da educação e da investigação.
Como Reitora da Universidade de Évora, sinto que esta relação entre a cidade e a Universidade é uma das maiores riquezas do nosso território. Desde a sua fundação, em 1559, a Universidade faz parte da cultura e da história de Évora. E, tal como a cidade, procura renovar-se, abrir-se ao mundo e colocar o conhecimento ao serviço da comunidade. Hoje, mais do que nunca, acreditamos que o papel da Universidade não se limita às salas de aula ou aos laboratórios de investigação. Queremos também que a Universidade seja um agente ativo na vida cultural da cidade e, por isso, através de exposições, concertos, ciclos de conferências, projetos de investigação e parcerias com instituições locais, promovemos a ligação entre o saber académico e a comunidade eborense. Também por isso, apoiámos desde o início a candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura, que foi inaugurada com um projeto liderado pela Universidade de Évora: “Lá nas Árvores”. A exposição “ÉUMAVEZ: Artes e Visualidade na Universidade de Évora”, que vai estar patente na Fundação Eugénio de Almeida e será inaugurada no dia 1 de novembro — data em que se celebra o Dia da Universidade — é um exemplo claro desse compromisso. Através destas iniciativas culturais, contribuímos para que Évora seja uma cidade viva, criativa e participativa.

Neste Dia Mundial das Cidades, Évora mostra-nos que o futuro da cidade depende do planeamento e do desenvolvimento tecnológico, mas também da capacidade de se reinventar culturalmente e de manter a cooperação entre instituições e cidadãos.
A Universidade de Évora tem, e continuará a ter, um compromisso firme com esta missão: preservar o património, promover o conhecimento e cultivar a cultura como força vital da cidade. Uma cidade só é verdadeiramente sustentável quando é também uma cidade com memória, com identidade e com esperança.
Artigo de Opinião de Hermínia Vasconcelos Vilar – Reitora da Universidade de Évora
