Inaugurada a 21 de agosto, a exposição de pintura “Reverberante Rosto”, de Dália Cordeiro, fica patente na Biblioteca Pública de Évora (BPE) até 19 de setembro.
A artista, natural do Barreiro, nasceu em 1955 e já conta com a participação em inúmeras mostras individuais e coletivas, quer em Portugal, quer além-fronteiras, sendo esta a segunda vez que expõe em Évora.

Em declarações aos jornalistas, Dália Cordeiro explicou que, “de uma forma geral, tenho uma atitude crítica sobre o que se passa no plano sociológico, em particular no âmbito sociotécnico, associado à tecnologia”.
Confessou que “o que aqui se encontra resulta em parte do que penso e que consigo exteriorizar através de muita cor e, principalmente nesta exposição, de muitos rostos que apresentam igualmente uma potência gestualista, daí chamar-se ‘Reverberante Rosto’”.
Segundo a artista, na sua obra, “há uma crítica dirigida a uma progressiva alienação do modo de vida humano, de funcionarmos sem observar, cada vez mais desfasados uns dos outros”.
Exemplificou que “um dos quadros chama-se ‘Distopia’, refletindo um possível destino da humanidade, em que a espécie poderá perder grande parte da sua autonomia, muito por culpa de sistemas tecnológicos”, resumindo que “são este tipo de matérias que exteriorizo”.

Por sua vez, o curador da exposição, Augusto António Cabrita, deu conta de como estas 13 obras chegaram até à BPE. “Foi uma proposta que foi feita e considerámos que o espaço era muito digno, localizado no coração da cidade”, referiu.
Destacou que “achámos que seria uma boa oportunidade para expor o trabalho da Dália Cordeiro, que muitas vezes tem exposto em mostras no estrangeiro de grande prestígio, mas sobretudo em coletivas, e é importante um artista também acumular experiências individuais”.

Já Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da CCDR Alentejo, sublinhou que “a BPE tem um dinamismo muito assinalável e faz um excelente trabalho na área da programação cultural, como é o caso desta exposição”.
Realçou que “Dália Cordeiro tem um trabalho muito ligado àquilo que são os problemas da atualidade, da consciência que cada vez é mais necessária de nós enquanto seres humanos de um mundo que está quase em distopia, infelizmente”.

Na sua opinião, “haver abordagens artísticas que trabalham essa problemática é muito oportuno, chamando a atenção para temas que muitas vezes são incómodos, pois a arte também tem essa função de despertar criticamente para aquilo que são os problemas do nosso mundo”, concluindo que “esta exposição é um bom exemplo disso”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS – Marina Pardal / Vítor Godinho
