A WWF Portugal lançou recentemente uma “Agenda Comum para a Prevenção de Incêndios Florestais”. Com este documento, a organização não-governamental (ONG) propõe “medidas concretas para uma transformação da paisagem e uma gestão integrada do território”.

Em nota de imprensa enviada ao Diário do Sul, a WWF Portugal explicou que este relatório surgiu perante “a crescente intensidade dos incêndios florestais em Portugal, agravada pelas alterações climáticas e pelo abandono rural”.

Adiantou também que apresenta “contributos de vários setores para travar o ciclo dos grandes incêndios”, tendo o documento resultado de “uma reunião entre especialistas e entidades, que teve lugar em Lisboa em maio deste ano”.

A mesma fonte alertou que, “apesar da redução no número de incêndios nas últimas duas décadas, Portugal continua a enfrentar fogos florestais cada vez mais intensos e devastadores”.

Nesse sentido, a organização sublinhou “a urgência de transformar a forma como o território é gerido”.

Nesta agenda são identificados “os principais fatores que agravam o risco de incêndio, como a baixa rentabilidade da floresta, o abandono do mundo rural, a fragmentação da propriedade ou a ausência de políticas públicas coordenadas”.

A par disso, é referido que “as faixas de gestão de combustível, ainda que existentes, são consideradas insuficientes e, por vezes, incompatíveis com os objetivos de conservação da biodiversidade”.

Nesse âmbito, a ONG defende “uma transformação eficaz da paisagem, sobretudo a norte do Tejo, onde se concentra grande parte da floresta homogénea e mal gerida”, foca Vasco Silva, coordenador de Florestas e Vida Selvagem da WWF Portugal, citado na nota de imprensa.

O mesmo responsável acrescentou que “propõe um modelo baseado em mosaicos agroflorestais sustentáveis, valorizando o capital natural e os serviços dos ecossistemas”, sustentando que “o foco está na gestão à escala da paisagem, na multifuncionalidade da agricultura e na promoção da presença humana ativa e informada no território”.

De realçar ainda que esta agenda reúne “propostas dirigidas ao Governo, setor privado, sociedade civil e comunidade científica”.

Relativamente às recomendações para o Governo, passam pela “implementação de políticas que promovam a gestão do combustível, o uso do fogo controlado, a valorização do pastoreio extensivo, o apoio à agricultura familiar, o reforço do cadastro predial e da governança ou a integração de políticas agrícolas, florestais e ambientais”, pode ler-se no mesmo relatório.

Quanto às empresas e investidores, a WWF Portugal recomenda “a adaptação dos modelos de gestão florestal às alterações climáticas, parcerias com comunidades locais e investimento na valorização de produtos de sistemas agrosilvopastoris”.

Já para a sociedade civil, as propostas são “organização em associações, participação ativa no planeamento territorial, adoção de modelos de gestão diversificados e valorização dos produtos locais”.

Em relação à academia, a mesma ONG propõe “a produção de conhecimento sobre gestão multifuncional e resiliência, apoio à definição de políticas eficazes, formação de técnicos florestais e análise das dinâmicas demográficas e de mercado”.

Para a WWF Portugal, “a prevenção de incêndios florestais exige uma transformação estrutural da paisagem e uma renovada relação da sociedade com os usos agrícolas, florestais e pecuários”.

Em jeito de balanço, a organização evidencia que esta agenda “reúne contributos de diversos setores para uma agenda comum, com propostas concretas para promover paisagens resilientes, integrar políticas públicas, valorizar os serviços dos ecossistemas e reforçar a presença humana ativa no território”, constatando que “quebrar o ciclo dos grandes incêndios só será possível com decisões conjuntas, sustentáveis e de mudança a longo prazo”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal

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