O Palácio de D. Manuel acolheu a cerimónia de assinatura do protocolo para a “Requalificação e Renaturalização do Rossio de São Brás | Laboratório Floresta Nómada” – (Rossio II), realizada no dia 7 de julho. A sessão contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
O protocolo foi assinado entre a Câmara de Évora e o Fundo Ambiental e tem como foco a segunda fase da requalificação desta grande praça, que se prevê estar terminada no final deste ano, representando um investimento de cerca de 3,34 milhões de euros.
De acordo com a informação do município, “o projeto está integrado num programa-piloto nacional financiado pelo Fundo Ambiental, abrangendo cerca de 29 mil metros quadrados”.

A mesma fonte referiu que “pretende reduzir o efeito das ilhas de calor urbano, melhorar o conforto térmico e aumentar a resiliência climática de um espaço atualmente marcado pela escassez de vegetação e pelo predomínio de superfícies impermeáveis”.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, explicou que “esta segunda fase de requalificação do Rossio de São Brás significa o grande compromisso da cidade de Évora com o restauro da natureza no sentido da renaturalização, da melhor qualidade de vida, do sombreamento porque as alterações climáticas estão aí, são em ciclo longo, podem ser prevenidas, mas para já têm de ser, sobretudo, mitigadas”.
Para além disso, sublinhou que “requalifica uma praça que cria uma nova centralidade para o nosso concelho, reafirmando o posicionamento do município com o estilo e a malha urbana das grandes Capitais Europeias ao Sul”.

De acordo com o autarca, “é também uma prova da importância de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura (CEC), do legado que queremos deixar com a CEC e do trabalho muito profundo que tem sido feito entre a Câmara Municipal de Évora, a Associação Évora 2027 e o Governo, além de outras entidades e associações”.
A respeito deste projeto, a ministra do Ambiente e Energia destacou que “é um maior espaço verde para uma região que vai ficar assim mais agradável quando está muito calor”, constatando que “uma forma de nos adaptarmos às alterações climáticas é ter maiores áreas com árvores dentro das cidades e Évora precisa, principalmente nesta zona do Rossio de São Brás, de uma grande zona sem sombra”.
Segundo Maria da Graça Carvalho, “o Ministério do Ambiente fica contente de se associar do ponto de vista ambiental a Évora e à CEC”, esclarecendo que “isto vem no seguimento das políticas que estamos a fazer de renaturalizar, que é também muito em espaço urbano, prendendo-se ainda com a adaptação às alterações climáticas, ao criar espaços mais confortáveis, com temperaturas mais amenas”.
Acrescentou que, “nesta fase, este jardim em Évora é o que tem maior financiamento, mas há também outros que vamos ajudar a construir ou a recuperar, nomeadamente em Beja, Leiria, São João da Madeira, Vila Real e Guimarães”.

O que é esta Floresta Nómada prevista para o Rossio?
A Floresta Nómada prevista para o Rossio de São Brás conta com financiamento do programa artístico Évora_27, segundo a informação do projeto. No final da sessão, Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, revelou que “um dos projetos mais fortes e estruturantes da CEC é o ‘Bosk – Floresta Nómada de Évora’, que está na génese deste novo olhar para a praça do Rossio e que se alinha com a agenda ambiental do Governo e com as aspirações da cidade para criar novos espaços de jardim, frescura, sombreamento e qualidade de vida”.
Explicitou que “a Floresta Nómada é um projeto artístico, cujo autor é o arquiteto paisagista holandês Bruno Doedens, que tem um conceito de alinhar estas preocupações climáticas e ambientais através de uma floresta que se move, composta por canteiros grandes com rodas, que se moverão ao longo do Rossio por forma a coabitar com outras utilizações que esta praça terá”.

A mesma responsável disse que, “além das cerca de 1000 árvores de grande porte, escolhidas para se adaptarem ao clima da cidade, haverá também cerca de 500 árvores e arbustos de médio porte e pequenas árvores que serão entregues aos eborenses no dia do seu aniversário para que delas cuidem e para que possam relançar na plantação do Parque Ambiental de São Bento de Cástris”.
Realçou que “depois da cerimónia de abertura de Évora_27, a 6 de fevereiro, a Floresta Nómada será colocada no seu primeiro formato, disposta ao longo de todo o Rossio e depois será movida em momentos cruciais para fazer novas ocupações do espaço”.

Maria do Céu Ramos assumiu que “Évora_27 vai deixar este grande jardim no Rossio para ser cuidado pela Câmara de Évora ao longo dos anos vindouros e vai deixar também no Parque Ambiental de São Bento de Cástris uma nova zona florestada e preparada para que haja vivências mais amenas”.
Reforçou ainda que, “embora os planos sejam evolutivos, o que está previsto é que quando terminar a CEC a estrutura essencial desta Floresta Nómada fica no Rossio como um jardim permanente e ficará ao cuidado da câmara municipal como um novo parque vivido da cidade”.
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
