“O Vagar e a história ambivalente da curiosidade” foi o tema escolhido para mais uma conferência da Academia do Vagar, uma iniciativa promovida no âmbito de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura.

A sessão, realizada no auditório da CCDR Alentejo, no dia 21 de maio, teve como orador Yves Citton, professor francês de Literatura e Media na Universidade Paris 8 Vincennes-Saint-Denis.

De acordo com a informação enviada ao Diário do Sul (DS), Yves Citton é autor de vários livros, além de codiretor da revista Multitudes, destacando-se por ser “uma das vozes mais relevantes do pensamento contemporâneo europeu”.

É ainda referido que um dos objetivos desta conferência foi “investigar com mais precisão que definição de curiosidade nos é necessária na era do capitalismo global e qual o papel crucial que o vagar desempenha nesse contexto”.

Em declarações ao DS, Yves Citton explicou que “tentei discutir com as pessoas o interesse da palavra vagar”, admitindo que “eu não a entendo porque não falo português”.

No entanto, afirmou que “percebo é que há algo muito importante nesta palavra, específica da língua portuguesa e que não se traduz”.

O orador desta academia salientou também que “tentei fazer uma analogia com o latim, o francês ou inglês de palavras que têm o mesmo conceito de vagar”, confidenciando que “revisitei esta palavra do ponto de um estrangeiro”.

Na sua opinião, a palavra vagar “ajuda a discutir o que é ou o que pode ser a relação com o tempo, o espaço ou o movimento nesta época de capitalismo, de competição e de pressão para ser mais competitivo, a qual também está marcada pelo aparecimento da Inteligência Artificial”.

Para Yves Citton, “as circunstâncias históricas que vivemos atualmente são muito específicas e trazem pressão aos nossos desejos, objetivos, ao nosso tempo”, considerando que “a palavra vagar é uma lição que nos diz como viver, como resistir a algumas dessas pressões ou como diminuí-las, se possível”.

Nesta sua primeira visita a Évora, o professor francês confessou ter tido “muita sorte por encontrar pessoas muito simpáticas e muito generosas”, mostrando-se satisfeito “por participar neste evento”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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