“Abordar os riscos do álcool na nossa saúde, de forma a que se possam tomar decisões mais informadas e mais conscientes”. Foi esse o objetivo do programa de junho da Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central.

Esta questão foi analisada por André Lobo, médico interno de formação geral, que fez estágio na USP do Alentejo Central. O tema foi preparado em conjunto com Patrícia Fernandes, também médica interna de formação geral, mas que não pôde estar presente neste programa na RTA.

Na sua intervenção, André Lobo começou por recordar que, “em Portugal, sabemos que o álcool tem uma presença histórica, cultural e social muito enraizada na sociedade, além de fazer parte da realidade económica de muitas pessoas”, alertando, contudo, que “o álcool apresenta riscos para a nossa saúde”.

A esse nível, especificou que “o consumo do álcool pode causar doenças hepáticas, hipertensão, AVC, doenças cardíacas, cancros e doenças do foro mental”.

O médico interno especificou que “o álcool é rapidamente absorvido no sistema digestivo, chegando em poucos minutos à corrente sanguínea, alcançando o fígado, onde é metabolizado e transformado noutros elementos que vão danificar as nossas células”.

Acrescentou que “o álcool também provoca alterações hormonais e potencia a entrada de substâncias causadoras de cancros nas células”, reforçando que “o álcool, tal como o tabaco, são elementos que causam danos nas nossas células e isso associa-se a um risco mais elevado de vir a desenvolver cancro”.

De acordo com André Lobo, “atualmente, sabe-se que o álcool está associado a sete tipos diferentes de cancro, incluindo da boca e da garganta, do esófago, da mama, fígado, pâncreas, do cólon e do reto”.

Realçou também que, “segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma quantidade segura para a ingestão de bebidas alcoólicas”, lembrando que, “mundialmente, o álcool é responsável por cinco por cento de todos os cancros”.

Quanto à ideia de que “um copinho de vinho ao almoço faria bem ao coração”, o médico interno garantiu que isso “não se confirma de todo”, focando que “o álcool aumenta a pressão arterial e diminui a eficácia dos medicamentos anti-hipertensores”.

Nesse sentido, frisou que “pode levar ao aparecimento de cardiomiopatia alcoólica, (doença que consiste num enfraquecimento do músculo cardíaco, impedindo-o de bombear sangue de forma eficaz); causa arritmias e, consequentemente, promove a formação de coágulos e o rompimento de vasos sanguíneos cerebrais, que aumentam o risco de AVC”.

Outro aspeto mencionado por André Lobo foi que “é curioso que o álcool seja famoso pelos seus efeitos leves e desinibidores, quando, na verdade, é um depressor do sistema nervoso central”, esclarecendo que “isto significa que altera a química cerebral e pode agravar ou até despoletar perturbações como depressão, ansiedade e comportamento impulsivo”.

A par disso, enumerou que “o consumo excessivo de álcool afeta profundamente a dinâmica familiar e social, gerando desestruturação nos relacionamentos e isolamento”.

O mesmo médico interno evidenciou que “o nosso objetivo foi desmistificar que o álcool não tem riscos, apesar de ser das drogas melhores aceites socialmente”.

Quanto aos recursos para quem precisa de ajuda para deixar de beber, indicou a existência da “Linha SNS 24: 808 24 24 24 (aconselhamento e triagem de saúde); o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD); os Alcoólicos Anónimos, que é um grupo de entreajuda com reuniões presenciais e online; ou a Linha de Apoio Emocional SOS Voz Amiga, que oferece escuta ativa e apoio confidencial”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

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