Foi por um artigo publicado no Notícias d’Évora, a 6 de junho de 1926, que Maria Angélica Rocha ficou a saber que a loja que gere, em conjunto com a irmã, Maria José Santana, completava este ano um século de atividade.
Trata-se de “A Chapelaria”, situada na Rua da República, em Évora. Segundo a notícia desse jornal, a “Chapelaria Almeida” foi inaugurada a 5 de junho de 1926 por Hilário de Almeida, tendo passado para a atual família em 1990, através de Teófilo Bilou Santana.

Em entrevista ao Diário do Sul, Maria Angélica Rocha, mais conhecida como Quica Rocha, partilhou um pouco da história deste espaço centenário.
“Foi uma surpresa percebermos que a loja ia comemorar 100 anos”, confessou, explicando que “só tivemos acesso a essa notícia há cerca de três meses”.

A mesma responsável focou que “pensávamos que a loja era de 1935, que é a data que consta numa licença de utilização (enquanto chapelaria) que temos na nossa posse”.
Acrescentou que “foi o neto do antigo proprietário, o senhor Alberto, que encontrou o jornal com a notícia da abertura da loja há 100 anos”.

Segundo Quica Rocha, “a família de Hilário de Almeida teve a chapelaria até 1990, altura em que foi trespassada para as Galerias Teófilo”, recordando que “o meu pai era o Teófilo Bilou Santana, que quis arranjar um complemento para as confeções de pronto-a-vestir”.
Frisou ainda que, “mais tarde, em 2004, por óbito do meu pai, eu e a minha irmã ficámos as responsáveis, embora eu tenha mais a meu cargo a gestão diária do espaço, pois a minha irmã tem outro emprego”, destacando “a ajuda da Paula Mendes, que já trabalha na loja há mais de 30 anos”.

E quem é que vai a uma chapelaria nos dias de hoje? De acordo com a sócia-gerente, “vem todo o tipo de pessoas”, exemplificando com “muitos turistas, avós para comprar chapéus para os netos, homens para comprarem chapéus, bengalas, guarda-chuvas e outros acessórios, como as calçadeiras, ou as senhoras que compram leques e chapéus”.
Destacou que “temos chapéus desde o número 38 até aos 63 e já temos feito maiores por encomenda, até porque trabalhamos com muitas fábricas portuguesas, embora também tenhamos fornecedores de outros países, apostando em marcas boas e conhecidas no mundo da chapelaria”.

Quica Rocha constatou que “cada vez menos temos os clientes da cidade porque infelizmente os nossos clientes mais fiéis eram homens que usavam o chapéu tradicional, que agora se usa menos”, apontando, contudo, que “há jovens a aderirem ao chapéu e ao boné”.
Realçou também que “muitos turistas conhecem as marcas e compram com mais facilidade porque os nossos preços em Portugal são mais baixos do que em outros países”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS / A Chapelaria
