Foi com uma visita guiada às muralhas e ruínas romanas da Casa de Burgos que teve início a tertúlia “Évora_27: desafios e oportunidades para o centro histórico”, realizada no dia 16 deste mês.
A iniciativa foi promovida pela Associação de Moradores e Amigos do Centro Histórico de Évora (AMACHÉ). O objetivo foi refletir sobre os desafios e as oportunidades que Évora_27 – Capital Europeia da Cultura (CEC) representa para o centro histórico desta cidade, contando a sessão com a participação de representantes institucionais, agentes económicos e moradores.
Em declarações ao Diário do Sul (DS), Isabel Saianda, presidente da Direção da AMACHÉ, explicou como surgiu a ideia deste evento, destacando também os propósitos desta associação.

“A AMACHÉ nasceu há cerca de quatro anos através de um conjunto de moradores, comerciantes, empresários e pessoas ligadas ao centro histórico que sentiram necessidade de se unir para defender os interesses de quem cá vive, trabalha ou tem o seu negócio”, referiu, apontando que “queremos promover a qualidade de vida no centro histórico em todas as suas vertentes e queremos um centro histórico vivo e com mais vida”
Segundo a mesma dirigente, “com a aproximação de Évora_27 sentimos a necessidade de saber o que vai acontecer, quais são as oportunidades para quem vive, para quem trabalha, como é que temos de nos preparar porque Évora_27 não deve acontecer apenas no centro histórico, deve acontecer com o centro histórico”.
Sublinhou que, “necessariamente, vai haver muito mais pressão no centro histórico e queremos saber como é que se prepara a casa ou a loja, por exemplo, ou quantos visitantes são esperados, mas também o que vai ficar depois”.

Isabel Saianda salientou alguns receios que existem, nomeadamente ao nível do “trânsito, limpeza ou segurança”, mas, por outro lado, considerou que “vai ser uma festa para a cidade e para o centro histórico”.
Reforçou que “o centro histórico tem que ter vida e queremos que as pessoas que venham a Évora em 2027 fiquem com vontade de voltar e de partilhar connosco este espaço que é nosso, mas que é de todos”.
Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, foi uma das intervenientes na tertúlia. Antes da sessão ter início, em conversa com o DS, deixou algumas respostas às preocupações manifestadas pelos organizadores.

Começou por realçar “o valor do centro histórico de Évora, que está reconhecido como Património da Humanidade há 40 anos”, constatando que “um centro histórico como o de Évora que tem uma escala, uma identidade e uma vivência como a que possui põe muitos desafios quotidianos, em primeiro lugar a quem tem a gestão urbana, a câmara municipal, mas também aos próprios moradores”.
Na sua opinião, “tem ainda um outro desafio que é o de articular a preservação deste centro histórico com a viabilidade da vida dos habitantes e os turistas, que anualmente são à volta de 700 mil e que se estima que em 2027 dupliquem”.
A presidente da Associação Évora 2027 reconheceu que “vai haver uma sobrecarga turística nesta cidade”, comentando que “se por um lado tem interesse no sentido financeiro, uma vez que vai permitir por aplicação da taxa turística uma receita interessante para a cidade; por outro lado, vai tornar mais sensíveis e prioritários de gerir os já difíceis equilíbrios do dia-a-dia”, exemplificando com “a limpeza, a segurança ou a circulação”.

Para Maria do Céu Ramos, “todos estes desafios que já são complexos e que já existem vão ganhar uma relevância diferente em 2027 e é uma tarefa que tem de ser gerida por todos”, reiterando que “tem de receber os contributos dos moradores e tem de ter uma sensibilidade particular por parte da Associação 2027, mas sobretudo da entidade que gere o território, que é a câmara municipal, mas tenho a certeza de que entre os desafios havemos de encontrar soluções e caminhos”.
Revelou ainda que “nós vamos convidar os moradores do centro histórico a adornarem as suas casas para receberem Évora_27”.
Nesse sentido, a mesma responsável deixou um desafio. “Não só que Évora se vista de branco, como propõe o programa ‘Casario Branco’ que a câmara municipal lançou, mas também que se vista de cor, que traga para as janelas das casas a poesia do vagar e a cor do nosso território”.
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
