A criação de uma Rede Regional de Hotéis Literários no Alentejo e Ribatejo foi debatida em Évora, no dia 24 de junho. Esta é uma ideia da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo e enquadra-se num projeto-piloto do Turismo de Portugal que quer desenvolver a iniciativa em todo o país.
Este primeiro workshop a nível nacional sobre o tema juntou entidades e empresários do setor para dar a conhecer o que é o turismo literário, mas também debater os requisitos para pertencer a esta rede.
Em entrevista ao Diário do Sul, José Santos, presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, falou deste projeto e das metas que se pretendem atingir.
“Uma das ‘sementes’ do nosso LiterÁREA – Festival de Turismo Literário do Alentejo e Ribatejo foi precisamente a ideia de criar uma Rede Regional de Hotéis Literários”, recordou, frisando que “o festival deu a conhecer hotéis e projetos de alojamento vocacionados e muito interessados em explorar essa temática”.

O mesmo responsável adiantou que “deu-se também a coincidência do Turismo de Portugal, que tem essa linha de ação muito vincada na sua iniciativa, de querer criar a Rede de Hotéis Literários de Portugal”.
Nesse sentido, explicou que “aquilo que procurámos fazer foi integrar as duas perspetivas, a regional e a nacional, daí que o Turismo de Portugal tenha escolhido, por via da nossa iniciativa, o Alentejo como a região piloto para desenvolver esta rede em Portugal”.
Acrescentou ainda que “o primeiro workshop destinado aos empresários e aos profissionais do alojamento para discutir este tema realizou-se em Évora, no Olive Hotel”.
Segundo José Santos, “o objetivo é procuramos até ao final deste ano termos pelos menos cinco alojamentos ou hotéis literários no Alentejo e no Ribatejo, que, cumprindo os requisitos que forem definidos pelo Turismo de Portugal, possam criar uma diferenciação de um produto para o qual a região tem muitas condições e muitos recursos, mas que é preciso trabalhar”.

Reforçou que “já temos roteiros literários, já temos algum reconhecimento, até internacional, mas precisamos agora de consolidar o Alentejo também como um destino com alojamentos literários de qualidade e o pontapé de saída foi dado aqui em Évora”.
O presidente da ERT esclareceu que “são hotéis que têm de ter uma vocação literária, seja por um conjunto de equipamentos e de valências que o hotel terá, seja pela sua programação, tendo sido debatidos esses requisitos do Turismo de Portugal”.
Sublinhou que “depois vamos ter no terreno uma equipa externa que vai ajudar os hotéis do Alentejo e do Ribatejo a preencherem e a chegarem a esses requisitos”.
José Santos garantiu que “o objetivo final é podermos ter num curto, médio prazo na nossa linha de promoção internacional a divulgação desses hotéis como hotéis âncora em todas as visitas de operadores e de imprensa de turismo literário que começam já a ser muitas aqui na região”.

Por sua vez, Teresa Monteiro, vice-presidente do Turismo de Portugal, realçou que “este é um projeto que está em desenvolvimento e o que fizemos aqui foi um dos vetores do turismo literário, que é criar uma rede de hotéis literários a nível de todo o país, com o lançamento em Évora deste primeiro workshop, tendo o Alentejo como projeto-piloto de lançamento e de estruturação deste produto”.
Na sua perspetiva, “o turismo literário é de facto um produto que nós estamos a querer desenvolver porque permite aliar o turismo com a literatura, potenciando determinados valores em termos culturais, de características de uma região e associar ao turismo”.
Para a mesma responsável, “é uma forma de qualificar determinados destinos e de os promover com uma nova abordagem e uma nova vertente e criar uma ligação do turista com a população residente”, considerando que “é uma coisa muito importante criar essa ligação em que as populações locais estejam na base da estruturação destes produtos”.
Quanto aos alojamentos literários, Teresa Monteiro destacou que, “em termos de hotel, tem de ter um determinado conjunto de requisitos ao nível da qualidade da oferta”, reiterando que “depois tem de ter uma associação em termos literários”.

Como exemplo, apontou “a ligação numa região a um determinado autor conhecido, apresentando também uma programação literária”.
Já Lídia Monteiro, vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, evidenciou que “o turismo literário é muito relevante para desenvolver mais atratividade dos diferentes territórios do nosso país”.
Na sua perspetiva, “permite trazer turismo a todo o país e ao longo de todo o ano, possibilitando assim uma maior coesão territorial e permitindo trabalhar um dos aspetos mais relevantes do nosso turismo que é a cultura”.
A mesma responsável focou que “a cultura é um dos motivos principais pelo qual as pessoas viajam e Portugal tem aqui uma oportunidade única de ser competitivo num mercado tão importante como é o do turismo”.

E como é que se materializa o turismo literário? De acordo com Lídia Monteiro, “nas rotas literárias; nas casas dos escritores; nos espaços dos livros, que são as livrarias e as bibliotecas; em eventos literários; e em oferta turística específica relacionada com a literatura, que é o caso dos hotéis, dos restaurantes ou dos cafés literários”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS
