Uma semana depois do NERE – Núcleo Empresarial da Região de Évora ter acolhido uma missão comercial inversa com importadores da Alemanha e dos Países Baixos, a iniciativa repetiu-se, mas desta vez com prospetores de outros mercados, nomeadamente da França e da Bélgica.
Estes novos encontros com empresas do setor agroalimentar decorreram entre os dias 18 e 21 de maio, sendo realizados no âmbito do projeto Alentejo Export 2030, que tem como parceiros o NERE e o NERBE/AEBAL – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral.
Neste caso, o evento realizado em Évora contou com a participação de 11 empresas. Terrius Food & Tourism, Ginbow Fine Spirits, Monte da Bica, Pepe Aromas, Heptagon Organic Wines, Arte Antiga, Bem Esgalhado, Quinta do Namorado, Herdade das Servas, Queijaria Monte da Vinha e Abegoaria – Vidigal Wines foram os projetos presentes.

Em entrevista ao Diário do Sul (DS), Helena Toureiro, técnica superior de gestão de projetos no NERE, sublinhou que “este projeto está em fase de execução”, explicando que “começámos com missões nos próprios países (França, Bélgica, Alemanha e Países Baixos) e agora estivemos a receber os importadores na nossa ‘casa’, tanto no NERBE, em Beja, como aqui no NERE, em Évora”.
Acrescentou que “esta foi mais uma missão inversa, desta vez com dez importadores, cinco da França, cinco da Bélgica, e a presença de 11 empresas”.
Segundo Helena Toureiro, “são dois mercados importantes e estes importadores vieram com alguma verba para compra”, recordando que “também já tínhamos feito as missões em França e na Bélgica e nas feiras em que participámos, em dezembro e março, pelo que estamos muito expectantes com estes dois mercados pelo feedback que temos recebido das empresas e dos próprios importadores”.

Revelou ainda que “da nossa presença em feiras já resultaram compras, mas também das missões que tinham ocorrido na semana anterior no NERE com os importadores que vieram da Alemanha e dos Países Baixos”.
O DS esteve à conversa com os representantes de algumas empresas que estiveram presentes na sessão no NERE. Além de apresentarem os seus projetos, também falaram da importância de ações como estas promovidas pelo Alentejo Export 2030.
Joana Garcia, produtora do queijo Monte da Vinha, já é uma presença habitual nestas reuniões com importadores, destacando que “são iniciativas que têm apoiado os empresários da região e que têm sempre muito impacto no Alentejo porque nos trazem possíveis compradores e parceiros de negócio”.

Deu também conta de que “a Queijaria do Monte da Vinha está sediada no Vimieiro (Arraiolos) e produz exclusivamente queijo puro e orgânico de ovelha, feito exclusivamente com leite cru de ovelha, sal e cardo”.
Joana Garcia especificou ainda que “temos queijos de diferentes texturas, aromas e sabores, desde o típico Évora que se corta à navalhinha até ao meia cura ou a um queijo bastante amenteigado”.
E dos queijos passámos para os vinhos, que são sempre uma presença bastante forte nestes encontros. Uma das empresas que participou foi a Abegoaria – Vidigal Wines, que esteve representada por Rodrigo d’Ávila.

Adiantou que é comercial da Abegoaria Wines, “um grupo de empresas de vinho”, indicando que “a Abegoaria está situada no concelho de Mourão, mas tem outras empresas em outras regiões”.
O mesmo responsável esclareceu que “a última aquisição da Abegoaria Wines foi a Vidigal Wines, que tem uma marca chamada Porta 6, que é o vinho tinto português mais vendido no mundo atualmente, trabalhamos com 40 países e temos uma experiência de exportação gigantesca”, constatando que “a Abegoaria já era muito forte no mercado nacional, passando agora a ter também essa experiência internacional”.
Frisou ainda que, “neste evento, só trouxemos produtos alentejanos, nomeadamente o Abelharuco, o José Piteira e os vinhos mesmo com o nome da Abegoaria”.
Relativamente a estas sessões, Rodrigo d’Ávila evidenciou que, “normalmente, viajamos muito e vamos a muitas feiras, mas é sempre mais fácil recebê-los aqui para poderem conhecer melhor o país e a região”, referindo que “recebemos dez importadores e penso que com dois ou três é possível que estes contactos possam prosseguir”

Por outro lado, alguns dos importadores presentes também partilharam quais os produtos que lhes despertaram mais interesse.
Rita Sousa, que representou a Casa Portuguesa, situada em Bruxelas, começou por dizer que “esta é a loja portuguesa mais antiga na Bélgica”, salientando que “temos um bocadinho de tudo, de norte a sul para dar a conhecer um pouco de Portugal ou para recordar o nosso país”.
Anunciou que “nesta missão inversa também vim à procura de um pouco de tudo desta região porque temos de variar, incluindo em termos de produtos diferentes e ter a perceção de uma nova realidade”, comentando que “as famílias são muito mais pequenas, por exemplo, e não se vende um queijo de meio quilo”.
De acordo com Rita Sousa “esta foi a primeira vez que participei nestes projetos do NERE”, confessando que “gostei muito do que vi e do que provei, pelo que há boas perspetivas de negócio, sobretudo com duas empresas”.

Ana Campos também veio da Bélgica, onde tem uma mercearia de produtos exclusivamente portugueses, a My Portuguese Friends. “Gostamos muito de vir a estas missões porque encontramos novos produtos”, admitiu, apontando que “tenho a minha loja com produtos tradicionais portugueses básicos, mas também tenho uma parte mais gourmet”.
Acrescentou ainda que “cerca de 60 por cento dos meus clientes são belgas, ou de outras nacionalidades, e 40 por cento portugueses”.
Segundo Ana Campos, “gosto de trabalhar com pequenos produtores porque é assim que levamos os bons produtos portugueses ao nosso público”, recordando que “já participámos em certos eventos como este, quer noutras zonas do país, quer aqui no NERE, e vendo alguns produtos que conheci através destas missões”.
Afirmou ainda que, “recentemente, o Alentejo Export 2030 tinha feito uma missão na Bélgica numa feira em que participei e aí conheci alguns produtores, tendo já contactado com eles”.

Por sua vez, Ana Lemos, das lojas Saveur du Portugal, veio da França “à procura de produtores mesmo artesanais, que despertam mais interesse nos nossos clientes, pois temos muitos alentejanos na comunidade”.
Para esta importadora, “é importante encontrar fornecedores de boa qualidade”, constatando que “temos produtos muito variados, nomeadamente vinhos, enchidos ou queijos, mas não temos limites para o tipo de produtos que procuramos”.
Confessou que “já trabalhamos com alguns produtores do Alentejo, mas foi a primeira vez que vim a uma missão como esta aqui em Évora”, ressalvando que “estas missões facilitam bastante o trabalho porque só numa manhã acabamos por conseguir fazer mais contactos do que se formos nós a organizar a nossa própria viagem”.

Judith Matos, da Loci Express, tem dois espaços, um em Paris e outro em Londres, especificando que “vim à procura de produtos para ambas as lojas, pois trabalhamos com uma gama muito grande de vinhos, e os vinhos do Alentejo estão cada vez a ser mais vendidos, bem como com uma grande gama de charcutaria portuguesa, por exemplo”.
Na sua opinião, “estes projetos são muito importantes porque o nosso mundo está direcionado para a internet e claro que isso é ótimo, mas esse ‘olho no olho’, essa comida maravilhosa, esse abraço português que recebemos é muito importante”.
Comentou também “esta foi a primeira vez que participei num projeto aqui em Évora”, concluindo que “já trabalho com alguns vinhos daqui e agora vim para conhecer a região e como os produtos são feitos”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS
