OPINIÃO por João Palmeiro • Promotor e Divulgador Cultural
Com este sobrevoo Europeu inicio a segunda série de artigos e notícias dedicados às cidades e à cultura Europeias. Em 2025 no quadragésimo aniversário do programa cidades europeias capitais da Cultura (Atenas 1985 – Chemnitz/Nova Gorica 2025) iniciamos uma rota que nos conduzirá a Évora, já para o ano que vem, 2027.

Ao mesmo tempo as instâncias europeias lançaram o processo de revisão do modelo e do programa das cidades Europeias da Cultura; a Agência Europeia Norte Sul lançou as Cidades do Mediterrâneo da Cultura e do Diálogo abrindo pontes entre as duas margens do Mar que viu nascer a nossa civilização.

O calendário das capitais culturais para os próximos anos, as derradeiras fundadas no atual modelo e no programa europeu em execução, revela uma Europa que procura fundir a inovação climática do Norte com o diálogo histórico do Sul, expandindo agora as suas fronteiras para a margem sul do Mediterrâneo. Mostra também o interesse pela cultura de grupos europeus que hoje se espalham por vários Estados, membros ou não da União Europeia como é o caso dos Normandos.

O Horizonte de 2026, entre o Ártico e os Balcãs
As Capitais Europeias da Cultura (CEC) oficiais da União Europeia focam-se na transformação social:
- Oulu (Finlândia) – “Cultural Climate Change”: A cidade foca-se na mudança do “clima social”. Através dos eixos Wild City (natureza ártica) e Brave Borderless, procura combater o isolamento através da arte e da tecnologia, unindo comunidades periféricas.

- Trenčín (Eslováquia) – “Cultivating Curiosity”: Sob o lema de “Cultivar a Curiosidade”, o projeto visa abrir esta cidade de escala humana ao resto da Europa, revitalizando as margens do rio Váh e promovendo uma mentalidade crítica e participativa.

O Novo Eixo Mediterrânico, Matera e Tetouan ligadas também pelo chocalho já reconhecido em Portugal (Alcáçovas) como património imaterial da Unesco.
É fundamental destacar o novo título de Capitais Mediterrânicas da Cultura e do Diálogo. Após a edição inaugural em 2025 com Tirana (Albânia) e Alexandria (Egito), o testemunho passa em 2026 para:
- Matera (Itália), que utiliza a sua experiência como CEC 2019 para liderar a cooperação regional.

- Tetouan (Marrocos), um símbolo da herança andaluza e multicultural, reforçando a ponte entre o Magrebe e a Europa, cidades que escolheram o chocalho, reconhecido em Alcáçovas como património imaterial da Unesco.

O “Vagar” de Évora e o Ano Europeu dos Normandos em 2027.
O ano de 2027 será marcado por Évora (Portugal) e Liepāja (Letónia). Paralelamente, celebrar-se-á o Ano Europeu dos Normandos, uma iniciativa que:

- Explora a pegada cultural e arquitetónica normanda da Escandinávia à Sicília.
- Cria uma sinergia direta com Liepāja (pelas rotas bálticas) e oferece um contexto histórico de intercâmbio europeu que complementa o conceito de “Vagar” alentejano.

O futuro do Programa com as Candidaturas para 2030 e 2031
O processo de seleção para a próxima década já apresenta definições importantes:
2030 (Bélgica, Chipre e Candidato/EEE)
- Bélgica: A cidade de *Lovaina (Leuven) foi a selecionada oficial, destacando-se pela ligação entre ciência, universidade e cultura.

- Chipre: A cidade de **Larnaca recebeu a recomendação final para ostentar o título.

- Países Candidatos/EEE: A decisão final disputa-se entre ***Nikšić (Montenegro) e ****Lviv (Ucrânia).

Niksic e Lviv são as cidades dos Estados candidatos a UE para Capital Europeia da Cultura em 2030

2031 (Malta e Espanha)
- Malta: A cidade de Victoria (Gozo) é a única pré-candidata em prova, após a eliminação de Birgu no final de 2025.
- Espanha: O processo está em fase de apresentação de candidaturas. Cidades como Granada, Burgos, Cáceres e Jerez manifestaram interesse, aguardando-se a “shortlist” oficial durante o ano de 2026.
Começamos assim a segunda etapa desta viagem que mais do que nunca procurará sublinhar o papel e a importância das cidades europeias na resolução dos problemas dos seus habitantes e na preservação da cultura como forma de afirmação do nosso continente.
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* Lovaina, cidade na Flandres, conhecida pela sua Universidade, com 90.000 habitantes.
** Larnaca, cidade em Chipre conhecida na antiguidade como Citio, centro turístico porto comercial, com 80.000 habitantes.
*** Niksic, cidade em Montenegro fundada no seculo V d.c., é a segunda maior cidade deste candidato à UE com cerca de 60.000habitantes.
**** Lviv, cidade ucraniana com 700.000 habitantes também conhecida por Lwow situada perto da fronteira com a Polonia e que na sua história integrou varias vezes os estados vizinhos da Polonia e da Áustria
Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com ECOCNews
