“Promover soluções inovadoras para a valorização integrada dos excedentes da produção de azeite e de outros sobrantes da cadeia agroalimentar”. Este é o principal objetivo do projeto INOVCIRCOLIVE – Inovação e Circularidade no setor Oleícola, promovido pela Universidade de Évora (UÉ), em conjunto com vários parceiros e apoiado pelo PRR – Agricultura Circular.

O seminário de encerramento do projeto decorreu no dia 17 de dezembro, no Auditório do PACT, em Évora, sendo apresentados os resultados obtidos, além de terem sido debatidos os desafios e as oportunidades para a valorização de excedentes.

À margem do evento, Vasco Fitas da Cruz, da UÉ e coordenador do INOVCIRCOLIVE, explicou mais pormenores sobre este projeto.

“Quando temos de obter um produto, neste caso o azeite, a eficiência não é de 100 por cento, pois geram-se sempre os resíduos, os subprodutos, a que eu prefiro chamar de excedentes”, referiu.

Segundo a informação do projeto, como excedentes da produção de azeite temos “o bagaço de azeitona, restos de podas e folhas do olival, águas residuais e caroço de azeitona”.

A esse nível, o mesmo responsável adiantou que, “de forma a dinamizar e a assegurar uma produção de azeite de qualidade, que é aquela que é característica da nossa região, neste projeto procurámos uma solução para os excedentes, mas uma solução apoiada em conhecimento científico”, reiterando que “precisámos de realizar algumas experiências e investigação para sabermos se estamos no bom caminho”.

No que diz respeito a soluções, revelou que “melhorámos a fertilidade do solo através do processo de compostagem”, lembrando que “na nossa região a fertilidade do solo é muito baixa”.

A par disso, Vasco Fitas da Cruz frisou que “estamos também a estudar a hipótese da aplicação direta do bagaço de azeitona, mas sempre fazendo isto de uma forma que não traga prejuízos a médio prazo”, garantindo que “o objetivo é encontrar soluções sustentáveis”.

Destacou que “temos ainda soluções ao nível da valorização orgânica”, anunciando que “à custa destes excedentes conseguimos tirar alguns produtos, nomeadamente o azeite e o bagaço são muito ricos em polifenóis, que são importantíssimos para a saúde humana e para a indústria cosmética”.

O mesmo coordenador realçou que “conseguimos também ter alguns produtos naturais, nomeadamente a criação de biocidas à custa do próprio sistema, sem introdução de produtos químicos, portanto produtos naturais que podem ser colocados ao serviço desta fileira”, apontando que “esperamos que isto também sirva de exemplo para outras fileiras”.

Disse ainda que “este é um projeto desenvolvido pela UÉ e nós estamos integrados no MED que é o nosso instituto de investigação, além de termos 13 parceiros envolvidos”, constatando que “são mais parceiros do sistema científico-tecnológico”.

Vasco Fitas da Cruz reforçou que, “obviamente, temos de contar com centros de inovação, mas também com as próprias empresas, o mais variadas possíveis, pois o objetivo não é apontar soluções só para um determinado tipo de empresas, e ainda com as associações de olivicultores e de promoção do azeite”.

Referiu que “o projeto teve a duração de cerca de três anos, mas já conseguimos a aprovação de um novo projeto que visa a instalação de um parque de compostagem na Mitra, que está neste momento em fase de instalação”.

De acordo com o mesmo responsável, nesse parque “vamos estudar como é que se faz compostagem precavendo os prejuízos que a compostagem pode trazer, nomeadamente nas emissões quer para o solo, quer para a atmosfera”, sublinhando que “pretendemos ver quais as melhores misturas e como é que conseguimos um produto de melhor qualidade”.

Mencionou ainda que “dentro do parque de compostagem o grande objetivo será trazer os agricultores para poderem ver um exemplo e fazer capacitação do próprio parque para que as empresas do setor possam ter algum apoio da nossa parte”, concluindo que “esse apoio já começou a ser dado neste projeto que agora finaliza”.

Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal

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