A Sala dos Docentes do Colégio do Espírito Santo recebeu no dia 16 de dezembro, a sessão de lançamento do livro Diálogo sobre as Alterações Climáticas com os meus netos, da autoria de Jorge Araújo, biólogo, antigo Reitor da Universidade de Évora e atual Presidente da Assembleia Municipal de Évora, num momento que permitiu uma reflexão sobre os desafios ambientais atuais e sobre a importância da literacia científica dos mais jovens.
As palavras iniciais da sessão couberam à Reitora da Universidade de Évora, Hermínia Vasconcelos Vilar, que destacou a forte ligação de Jorge Araújo à Universidade de Évora, sublinhando a relevância e solidez do percurso académico e intelectual do Professor Emérito.
O autor explicou que o livro nasceu da sua experiência enquanto mestre de escola, “não tenho a pretensão de ser um cientista, gosto de procurar formas acessíveis de explicar fenómenos científicos complexos a quem ainda não possui bagagem científica”. A narrativa, construída a partir das perguntas das crianças, reflete uma conversa aberta e não linear, que acompanha a curiosidade natural dos mais novos, acrescentou.
Esta “escolha sábia” de uma escrita não-linear para explicar conceitos complexos, foi também abordada na intervenção de Mariana Valente, Professora aposentada da Universidade de Évora, doutorada em Ciências da Educação – Ensino das Ciências, que começou por partilhar o seu entusiasmo pela leitura do livro, salientando a sua dimensão pedagógica e simbólica. Referiu, em seguida, a importância dos prefácios assinados por cientistas de reconhecida projeção, e a ilustração de capa, da autoria de do artista belga Folon, intitulada “O grito”, a qual remete para um período significativo da vivência do autor na Bélgica e reforça simbolicamente a mensagem de alerta da obra. Na sua intervenção, Mariana Valente evocou, ainda, a metáfora da clareira como espaço de refúgio e de escuta, num mundo onde humanos e não humanos são frequentemente expulsos dos seus lugares, sublinhando a sensibilidade do livro e a sua capacidade de despertar reverência pelo quotidiano, em momentos tão simples como comer uma nêspera acabada de colher diretamente da árvore que a gerou.

Fernando Mão de Ferro, editor do livro, caracterizou a publicação como “um livro invulgar e um pouco fora do tempo”, num contexto em que, apesar da evidência científica, continuam a surgir discursos negacionistas sobre as alterações climáticas. Destacou ainda a pertinência da obra para os mais jovens e manifestou a expectativa de que a mesma venha a integrar o Plano Nacional de Leitura.
Na sua intervenção, Jorge Araújo agradeceu à Reitora e à Universidade de Évora o apoio institucional que tornou possível a concretização do livro, sublinhando a importância dos diversos apoios reunidos ao longo do processo. Referindo-se à apresentação, destacou a leitura sensível e poética de Mariana Valente, acrescentando que o ambiente descrito na obra remete para a sua própria infância, num território que hoje se encontra profundamente transformado e, em parte, destruído.
Jorge Araújo alertou ainda para a gravidade da situação climática atual, sublinhando que as crianças e os jovens são diariamente confrontados com este tema e que é fundamental explicar-lhes que a humanidade se encontra “na linha vermelha”. Referiu fenómenos como secas, tempestades, migrações forçadas e profundas transformações sociais e políticas, alertando para os impactos que recairão sobretudo sobre as gerações mais novas. Apesar do tom de alerta, destacou também sinais de esperança associados ao desenvolvimento tecnológico e a mudanças de políticas energéticas à escala global.
Dirigido simbolicamente aos seus netos, o livro assume-se, nas palavras do autor, como um grito de alerta para os jovens de hoje, apelando à consciência, à responsabilidade coletiva e à imaginação como ferramentas essenciais para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
Fonte: Nota de Imprensa / Universidade de Évora
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