O antigo presidente do Conselho Geral da Universidade de Évora (UÉ), João Carrega, lançou um livro sobre a rede de ensino superior existente em Portugal.

A obra “Ensino Superior – da interioridade à Europa das Universidades” foi apresentada na Sala dos Docentes da UÉ, no dia 4 de dezembro. A sessão contou com a presença do autor, bem como da reitora da UÉ, Hermínia Vasconcelos Vilar, e da vice-reitora, Noémi Marujo.

Segundo a nota de imprensa enviada ao Diário do Sul (DS), “João Carrega é jornalista profissional desde 1993, sendo autor, coautor, coordenador ou editor de diferentes livros ligados ao setor educativo em Portugal”.

Entre outros cargos, pode ler-se na mesma nota informativa que “foi membro fundador do Fórum dos Presidentes e Vice-Presidentes das Universidades Públicas Portuguesas e é diretor da publicação internacional ‘Ensino Magazine’”, destacando-se ainda que, em julho deste ano, “foi eleito presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Castelo Branco”.

À margem do evento de apresentação, João Carrega disse ao DS que “este livro reúne um conjunto de intervenções que fiz enquanto presidente do Conselho Geral da UÉ, entre 2021 e 2025, mas que tem uma narrativa que procura salientar e sublinhar a importância da rede de ensino superior em Portugal”.

Evidenciou que, “durante a Covid, essa rede foi fundamental para a resposta que o país deu”, reiterando que “é uma rede de ensino superior que garante que todos, sem exceção, possam aceder a um curso superior e isso é muito importante”.

Na sua perspetiva, “o livro continua atual porque com as alterações que foram registadas neste momento, com o aumento de dez por cento de vagas em todas as instituições de forma uniforme, para o litoral e para o interior, naturalmente que as instituições do interior serão mais prejudicadas”.

João Carrega focou também que, “por outro lado, o modo como o Concurso Nacional de Acesso (CNA) é feito, em que obriga a pelo menos dois exames, já este ano se repercutiu em muitas instituições de ensino superior, sobretudo no ensino politécnico, mas também nas universidades”, apontando que “Évora aguentou-se muito bem no CNA, mas é também um assunto perigoso para a rede de ensino superior”.

Acrescentou que “neste livro falo também das universidades europeias”, recordando que “na minha primeira intervenção alertava para a necessidade de integrarmos uma universidade europeia e no ano seguinte isso foi feito”.

A esse respeito, o jornalista referiu que “há muito dinheiro para as universidades europeias desenvolverem projetos comuns, para fazerem dupla titulação dos cursos, para programas de mobilidade ou doutorais, investigação, entre outras atividades em conjunto, pelo que é importante que as instituições portuguesas estejam envolvidas nessa rede”, lembrando que “a UÉ faz parte do EU GREEN e muito bem”.

Resumiu que esta obra “retrata essa linha cronológica desde a Covid, a importância da rede de ensino superior, da criação das universidades europeias e de se manter a rede de ensino superior a funcionar como está em Portugal”.

João Carrega focou que “quando começarmos a fechar instituições de ensino superior no interior do país, aquelas que podem pensar que ficam mais robustas porque ‘a do lado fechou’, daqui a dez ou 20 anos vão ter o mesmo problema com outras mais fortes”.

Para o ex-presidente do Conselho Geral da UÉ, “é importante que as pessoas e o poder autárquico compreendam que alguma coisa tem de ser feita e é importante que haja um movimento que demonstre ao poder político central que esta rede não pode ser posta em causa, pois é fundamental para estes territórios”, considerando que, “neste momento, é o principal instrumento de coesão social e territorial do país”.

Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal

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