Dinamizar a economia local é um dos objetivos da Mostra de Doçaria de Alcáçovas, que este ano decorreu entre 5 e 8 de dezembro. Nesta 24.ª edição, os doces conventuais e palacianos voltaram a estar em destaque nesta freguesia do concelho de Viana do Alentejo.
Mais de 20 expositores, na sua maioria doceiros de diferentes pontos do país, participaram no certame, promovido pelo Município de Viana do Alentejo e pela Junta de Freguesia de Alcáçovas, em conjunto com diferentes parceiros.

Ao longo destes quatro dias, os visitantes puderam encontrar iguarias como Fidalgo, Encharcada, Tarte de Amêndoa, Bolo Conde Alcáçovas, Sopa Dourada, Mel e Noz, entre muitas outras. Licores, compotas, artesanato e outros produtos da região, nomeadamente os chocalhos, também marcaram presença.
A iniciativa contou ainda com o XII Concurso de Doçaria Conventual e Palaciana, showcookings, atividades para os mais novos e um programa cultural, com destaque para a música.

Outro momento de relevo foi a apresentação do livro “Doçaria Conventual e Tradicional Alentejana – Sabores e Tradições”. Nesta obra, a Confraria dos Doces Conventuais do Alentejo reuniu “receitas preservadas ao longo de gerações por doceiras e doceiros de Alcáçovas e de Viana do Alentejo”, pretendendo assim “valorizar um património gastronómico que continua a marcar a identidade do território”, realçaram os promotores, em nota de imprensa.
Em declarações aos jornalistas, Luís Metrogos, presidente da Câmara de Viana do Alentejo, deu conta das novidades desta edição, apontando também as ideias para o futuro da Mostra de Doçaria das Alcáçovas.

“Estamos em funções há relativamente pouco tempo, mas, dentro do que foi possível, tentámos fazer algo que nos parece que privilegiou a doçaria e os nossos doceiros”, referiu.
A esse respeito, explicou que “fizemos uma alteração estrutural em relação àquilo que era a tenda anteriormente”, adiantando que “privilegiámos a entrada numa das pontas para que as pessoas pudessem passar por todos os expositores e assim aumentar a dinâmica económica presente na mostra”.

Além disso, o autarca frisou que “colocámos a parte gastronómica na zona lateral, evitando-se assim a confluência entre doces e parte gastronómica, por causa dos odores”.
Acrescentou que “apostámos muito na comunicação e divulgação do evento para ter mais visitantes nestes quatro dias e tentámos trazer artistas um pouco diferentes daqueles que são habituais”, sustentando que “a génese da mostra é mais de outro perfil”.

Luís Metrogos destacou também a presença do “cante alentejano, até porque se assinalou o 11.º aniversário da sua classificação como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO”, dando ainda nota da realização do “Concurso da Doçaria Conventual e Palaciana, que permitiu, mais uma vez, divulgar aquilo que é a doçaria tradicional que existe”.
Em relação aos expositores, evidenciou que “tentámos fazer um maior número de convites e conseguimos ter pessoas novas porque nos esforçámos nesse sentido”, constatando que “a própria divulgação ajudou a que tivéssemos novos inscritos, o que nos deixou felizes porque fizemos um bom trabalho de promoção”.

A par disso, o presidente da Câmara de Viana do Alentejo recordou que “também tivemos os expositores que já são tradicionais, nomeadamente do nosso concelho”, reiterando que “são eles que ‘alimentam’ o evento, pois já vêm à mostra há muitos anos”.
Na sua opinião, “para futuro, o evento precisa de alguma reformulação”, reforçando que “neste período fizemos estas pequenas alterações que nos parecem importantes”.

A esse nível, Luís Metrogos anunciou que “durante o próximo ano temos de avaliar como é que a mostra poderá ser mais impactante e mais entusiasmante para as pessoas que nos visitam e para os próprios doceiros”.
Por sua vez, a presidente da Junta de Freguesia de Alcáçovas, Maria João de Carvalho, sublinhou que “esta mostra dinamiza a nossa economia local e leva o nome de Alcáçovas mais longe”.

Na sua perspetiva, “este evento tem sido uma montra da freguesia, dos nossos sabores e da nossa tradição gastronómica”, assumindo que “só nos enche de orgulho e é uma iniciativa excelente que traz muita gente”.
Maria João de Carvalho salientou ainda que “temos muita esperança de que este evento vá alavancar ainda mais e vá receber mais doceiros, bem como mais visitantes à própria vila, até porque a nossa freguesia tem muito para conhecer”, concluindo que “tem um património não só gastronómico, como cultural”.

Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
