“Das lutas anticoloniais às lutas do quotidiano: lugares das mulheres nos 50 anos das independências”. Este foi o tema da conferência realizada na Universidade de Évora (UÉ), nos dias 25 e 26 de setembro.

O objetivo foi “promover o conhecimento e a discussão pública sobre os contributos das mulheres, no contexto das lutas pelas independências em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal”, segundo os promotores, acrescentando a mesma fonte que também incidiu “sobre os progressos e recuos ocorridos, nos últimos 50 anos, em matéria de participação política e direitos das mulheres, nestes mesmos contextos”.

Em declarações ao Diário do Sul, Sílvia Roque, investigadora da UÉ e cocoordenadora da conferência, explicou que, “no âmbito dos 50 anos das independências têm existido vários eventos e nós queríamos associar-nos a essas comemorações”.

Realçou que “pensámos que o tema mais esquecido normalmente é o papel que as mulheres tiveram nas lutas de libertação, ao mesmo tempo que queremos recuperar essas histórias, que normalmente são invisibilizadas, e continuar a dar-lhes vida porque não podemos parar de falar disso”.

Na sua perspetiva, “também quisemos pensar o que aconteceu nestes 50 anos em termos de direitos das mulheres, uma vez que elas tanto participaram na luta de libertação o que é que aconteceu depois”.

A par disso, a investigadora frisou que “também pretendemos fazer um balanço dos 50 anos de independência e dos direitos políticos, económicos, sociais, entre outros das mulheres nestes contextos de que falámos”.

Adiantou que “o objetivo foi ainda criar uma rede de investigadoras e ativistas que pensam o feminismo de uma forma global e que pretendem unir agendas, quer da investigação, quer de ação pública em torno dos direitos das mulheres que parecem estar a sofrer uma regressão, incluindo em Portugal”.

A respeito do evento, durante a sua intervenção, Noémi Marujo, vice-reitora da UÉ, destacou que “esta conferência teve uma dupla importância”, constatando que “resgata memórias que não podem permanecer esquecidas e desafia-nos a refletir criticamente sobre o caminho que ainda falta percorrer para uma participação plena das mulheres na vida pública”.

Disse esperar que este encontro fosse “um espaço de diálogo aberto e de partilha de conhecimento”, reiterando que “é no cruzamento entre investigação, memória e debate público que nasce uma história mais rica, mais plural e, sobretudo, mais verdadeira”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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