A Adega Cartuxa, na Quinta de Valbom, em Évora acolheu a apresentação do Pêra-Manca Tinto 2018, no passado dia 9 de outubro. Foi neste jantar comemorativo que a equipa de enologia, liderada por Pedro Baptista, deu a conhecer as principais características deste vinho de exceção da Fundação Eugénio de Almeida (FEA).
Reza a história que “o Pêra-Manca foi o vinho eleito para selar o encontro entre Pedro Álvares Cabral e os indígenas, em 1500, aquando da sua chegada ao Brasil”.

Segundo a FEA, a história deste vinho tem origem “na Idade Média e o seu nome inspira-se no terreno onde estavam os vinhedos, um barranco com pedras soltas”, acrescentando que “dizia-se na época que as pedras balançavam, mancavam, eram pedras mancas”.
A mesma fonte recordou que “foi em 1990 que a Adega Cartuxa – FEA vinificou a sua primeira colheita de Pêra-Manca, sendo apenas produzido quando todos os requisitos de excecional qualidade se cumprem”.

À margem do evento de apresentação do novo produto, João Teixeira, diretor da Adega Cartuxa, destacou aos jornalistas o que significa um momento como este.
“É sempre um dia muito importante quando apresentamos no mercado um vinho icónico como o Pêra-Manca Tinto”, confessou, realçando que “esta colheita de 2018 tem uma particularidade, pois foi uma colheita de quantidade reduzida”.

O mesmo responsável explicou que “estamos a falar de 21 mil garrafas para todos os mercados em que nós estamos presentes”, sublinhando que “é um enorme orgulho, até porque a última apresentação de um Pêra-Manca Tinto para o mercado tinha sido em 2021”.
Reiterou também que “a colheita de 2015, apresentada em 2021, tinha sido de 44 mil garrafas”.
De acordo com João Teixeira, “este hiato de quase três anos foi muito importante para que os consumidores criassem uma apetência ainda maior sobre o Pêra-Manca Tinto”.

Deu ainda conta de que “as seis mil garrafas destinadas ao mercado brasileiro já estão todas no mercado do Brasil e, desde 10 de outubro, toda a quantidade disponível de Pêra-Manca Tinto para o mercado nacional já está acessível para os consumidores”.
Segundo o mesmo responsável, “no espaço de enoturismo da Adega Cartuxa, na Quinta de Valbom, cada garrafa custa 350 euros”, referindo que “a compra tem duas condições importantes, nomeadamente ser para quem nos visita e limitado a uma garrafa por visitante”.
Garantiu que “esse limite acontece porque há a preocupação de tornar, ‘dentro do que é possível’, um acesso mais democrático a este vinho”, frisando que “não é pela condição financeira mais forte que pode açambarcar todas as quantidades que temos aqui à venda”.

A par disso, o diretor da Adega Cartuxa focou que “também nos preocupa que quem comprasse essas quantidades fosse depois determinar os preços de mercado”.
Reforçou que “gostamos de limitar as garrafas a quem vem conhecer a nossa história e depois de fazer a prova de vinhos que temos associada a essa visita, poder, se assim o entender, levar para casa uma garrafa de Pêra-Manca Tinto”.
Quanto a números, João Teixeira revelou que “estamos a projetar que a faturação deste ano chegue aos 29 milhões de euros, enquanto a de 2023 foi de cerca de 25 milhões de euros”.
Disse ainda que “o nosso principal mercado é o nacional, que representa cerca de 60 por cento das vendas, e depois o Brasil representa 30 por cento da faturação total, seguindo-se os Estados Unidos da América, o mercado comunitário, Angola e Macau como principais destinos dos vinhos da Adega Cartuxa”.

Em conversa com o enólogo da Adega Cartuxa foi possível conhecer um pouco mais sobre este néctar que agora está disponível para os consumidores.
“O melhor vinho do portfólio da FEA só sai em colheitas extraordinárias e é feito a partir de uma seleção parcelar que foi feita há muitos anos”, salientou Pedro Baptista, mencionando que “temos continuado a desenvolver e a respeitar nessa sua essência e nessa sua origem”.
Adiantou que “é um vinho produzido a partir de Trincadeira e Aragonez, como sempre, e fermentado em balseiros de carvalho francês”, esclarecendo que, “depois da fermentação, cumpre um estágio de cerca de 18 meses aqui nesta adega na Quinta do Valbom, em tonéis, também eles de carvalho francês, período após o qual, tomámos a grande decisão em relação ao engarrafamento do vinho como Pêra-Manca ou não”.
O enólogo afiançou que “é sensivelmente dois anos após a vindima que tomamos essa decisão para que ele seja engarrafado e possa depois passar ainda algum tempo de estágio em garrafa, neste caso foram quatro anos, nas caves do Convento da Cartuxa, que tem condições naturais fantásticas para o estágio e a evolução dos vinhos”.

Comentou também que, “no momento do seu lançamento, esta colheita 2018 talvez se diferencie das últimas mais na componente aromática, pela intensidade que já mostra neste momento”.
Pedro Baptista especificou que “vinhos com esta densidade e profundidade estão normalmente ainda mais fechados e este vinho já apresenta uma intensidade aromática muito grande, em que conjuga as componentes da fruta com as componentes do estágio, como notas balsâmicas ou especiarias”.
Descreve que, “na boca, é um vinho denso, com uma excelente acidez, mas sobretudo um ótimo equilíbrio entre aquilo que é a estrutura e a acidez, terminando com um final de boca bastante longo”.
Na sua opinião, “é um vinho, à semelhança das suas edições anteriores, vai ter muitos anos para nos dar momentos de prazer e ainda em crescendo, porque o vinho vai ainda evoluir favoravelmente em garrafa”, concluindo que “é um vinho que vai crescer efetivamente durante mais dez, 12 ou 15 anos”.
Pode ver a reportagem vídeo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=wHk4MG13DCE&t=6s
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
