OPINIÃO por João Palmeiro • Promotor e Divulgador Cultural
Uma instalação imersiva de Jakob Kudsk Steensen* reimagina o parque de estacionamento de Kivisydän sob o centro da cidade de Oulu como um mundo virtual de vida botânica após a morte. A exposição decorre de 18 de setembro a 30 de novembro.
O Jardim Kuutar transforma o Jardim Botânico da Universidade de Oulu, a sua abóbada de sementes e as narrativas de plantas ameaçadas num ecossistema virtual vivo.
Por baixo da cidade, no parque de estacionamento subterrâneo de Kivisydán, a instalação desenrola-se como um ambiente espacial moldado por mais de quatro anos de trabalho de campo ecológico no norte da Finlândia. Desde 2023, Kudsk Steensen trabalha em Oulu e arredores, onde o Jardim Botânico e a distinta luz do norte da região — especialmente a luz da lua — se tornaram influências principais.
O trabalho baseia-se em coleções de plantas, arquivos de sementes e investigação de conservação, incluindo a planta aquática em perigo Hippuris tetraphylla. Incorpora também uma reconstrução virtual das pirâmides do Jardim Botânico de Oulu, onde fragmentos de décadas de conhecimento botânico são reunidos para os visitantes explorarem.
Os visitantes entram num mundo imersivo inspirado por um dos jardins botânicos mais a norte do mundo. Elementos musicais da simulação são criados em colaboração com Danny Harle e Lugh O’Neill. O espaço subterrâneo torna-se um jardim espectral onde a luz, o som e o movimento guiam o visitante através de ambientes vegetais em constante mudança.

Kuutar refere-se a uma figura do folclore careliano**-finlandês e báltico-finlandês, conhecida através do Kalevala e Kanteletar. Associada à lua, à natureza e aos ciclos da vida, é por vezes descrita como uma tecelã de fios dourados.
Em O Jardim Kuutar, esta figura torna-se um arquiteto da memória — parte arquivo de sementes, parte sistema ecológico, parte futuro especulativo. Aqui, as plantas atuam como mensageiras entre passado e futuro, ciência e mitologia, formando um ecossistema virtual em constante evolução.
Jakob Kudsk Steensen explora temas ecológicos e psicológicos. Trabalhando com tecnologias como motores de jogo, sistemas generativos e fotogrametria, desafia perspetivas sobre tecnologia, natureza e interação humana. A sua prática é frequentemente descrita como worldbuilding, criando ambientes imersivos para públicos e colaboradores habitarem.
* (n. 1987, Dinamarca) As suas encomendas mais recentes incluem The Song Trapper na Fondation Louis Vuitton, Boreal Dreams na Fondation Beyeler e Psychosphere na Cisternerne (2025). Anteriormente, expôs The Ephemeral Lake no Mori Museum de Tóquio (2025) após a sua estreia na Hamburger Kunsthalle (2024), e participou na Bienal de Gwangju de 2024 com Berl-Berl. Outras exposições individuais notáveis incluem Berl-Berl (LAS, Halle am Berghain, 2021) e Catharsis (Serpentine Galleries, Londres, 2020).
** A Carélia é uma região do norte da Europa dividida entre a Finlândia e Rússia. Muito pouco habitada dispõe de um dialeto próprio e que no lado russo é reconhecida como a Republica da Carélia. Desde o fim do seculo XIX que existe entre a Finlândia e Federação Russa uma Questão da Carélia.
Edição e adaptação de João Palmeiro com ECOCNews
