As estratégias para um envelhecimento ativo e saudável foram debatidas na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) durante o programa de Saúde Pública (SP) de dezembro.

Emitido mensalmente, este programa é feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central. Esta edição contou com a participação dos médicos internos de Formação Geral, David Rocha e Carmo Toscano Rico. Estiveram ainda presentes Patrícia Correia Rico, médica interna em SP, e Vera Leal Pessoa, médica especialista de SP.

Compreender o significado de um envelhecimento ativo foi o primeiro “passo” desta conversa. Segundo David Rocha, a Organização Mundial da Saúde define este conceito como “o processo de otimizar oportunidades de saúde (como o acesso aos cuidados de saúde), participação (como a inclusão na sociedade, mas também no seio familiar) e segurança (como por exemplo viver num meio seguro, longe de crimes e da violência)”.

Acrescentou que “tudo isto contribui para melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem”, constatando que “não se trata apenas de ‘evitar doenças’, mas sim de tentar criar condições físicas, emocionais e sociais que permitam ao idoso manter-se ativo, com proteção, segurança e cuidados adequados”.

Por sua vez, Carmo Toscano Rico realçou que “há muitas alterações próprias do envelhecimento que tornam a alimentação saudável e variada um desafio para os idosos”.

Explicou que, “nesta idade, ocorrem alterações a nível sensorial, nomeadamente paladar e olfato que fazem com que os alimentos se tornem menos apelativos e saborosos”, recordando que, além disso, “há uma menor produção de saliva, o que provoca boca seca, o que dificulta a ingestão dos alimentos”.

De acordo com a médica interna, “como consequência, podem aparecer cáries ou mesmo ocorrer perda de peças dentárias”, alertando que “alimentos de difícil mastigação, como a carne, frutas duras e vegetais crus, tornam-se um desafio na sua alimentação”.

Nesse sentido, enumerou algumas dicas práticas, “como o aumento da ingestão de água (equivalente a uma garrafa de 1,5 litro por dia) e refeições em pequenas quantidades de alimento, tendo os mesmos uma consistência e dureza adequadas”.

Carmo Toscano Rico aconselhou ainda que “as refeições sejam acompanhadas, uma vez que está comprovado que refeições partilhadas aumentam o apetite e reduzem a solidão”.

A par disso, David Rocha recomendou “2h30 a 5 horas por semana de atividade moderada (como uma caminhada pelo bairro ou uma aula de tango) ou 1h30 a 2 horas de atividade intensa (como a prática de natação na piscina pública mais próxima ou mesmo uma corrida pelo parque)”.

Lembrou também que “atividade física não é só ir ao ginásio ou correr intensamente, pois tudo o que implique movimento conta, como caminhar, cuidar da horta, subir escadas, fazer jardinagem, dançar, passear com os netos”, reiterando que “tudo isto fortalece o corpo e a mente”.

O médico interno sublinhou ainda que “o sedentarismo acelera a perda de massa muscular e de mobilidade, o que promove o aumento de quedas, de doenças cardiovasculares (como AVC, enfarte cardíaco ou diabetes) e de sintomas de depressão e de ansiedade”.

Combater a solidão para garantir um envelhecimento verdadeiramente ativo foi outra questão falada durante o programa.

“Uma pessoa pode até estar fisicamente saudável, mas se estiver isolada, sem contacto com familiares e amigos e sem sensação de propósito pode realmente ter um envelhecimento são a nível físico, mas doente a nível mental”, evidenciou Carmo Toscano Rico.

Frisou que “a solidão aumenta o risco de depressão em 15 a 20 por cento, bem como de declínio cognitivo, isto é, perda de capacidade de realização das tarefas do dia-a-dia, o que pode culminar num quadro demencial”.

A este nível, David Rocha indicou que “é importante estabelecer rotinas e manter a sensação de utilidade, de que a pessoa idosa também contribui, e muito, para a sociedade”.

Exemplificou que “a horta, a ida ao café, a missa, o artesanato, a cozinha tradicional, as pequenas conversas ao portão, tudo isto são formas de manter identidade, ligação à comunidade e espírito de utilidade”.

Nesta edição, foi ainda abordado o risco de quedas, que são “uma das maiores ameaças ao envelhecimento ativo, não só porque provocam fraturas e, em consequência, internamentos, mas porque muitas vezes tiram à pessoa a confiança e a autonomia”, esclareceu Carmo Toscano Rico.

Para prevenir este cenário, focou que “é importante treinar o equilíbrio e força muscular; zelar pela otimização dos órgãos sensoriais, nomeadamente ao nível da visão e da audição; o uso de calçado estável; ou verificar as condições da habitação, podendo pequenas alterações transformar um espaço perigoso num espaço seguro”.

Em jeito de conclusão, foi referido que “o envelhecimento ativo não é um único passo, nem uma lista de tarefas, passando por garantir que cada pessoa idosa continua a sentir-se parte da sociedade, com valor, com saúde e com apoio”.

Texto / Foto: Redação DS / Marina Pardal

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