OPINIÃO por João Palmeiro • Promotor e Divulgador Cultural

A comparação entre as trajetórias de crescimento do PIB per capita da Índia e de África, desde os anos 1960 até hoje, revela um padrão de divergência acentuada, apesar de terem começado em níveis de baixa renda semelhantes.

MétricaÍndia (Atualmente)África Subsaariana (Atualmente)
Renda Per Capita~$2.700~$1.440

A Trajetória Inicial foi África à Frente, Índia Atrás

O que muitos não percebem é que a Índia ficou atrás de África durante décadas.

  • Índia Inicialmente Lenta: As reformas lentas, uma forte dependência do emprego na agricultura e uma infraestrutura fraca mantiveram o crescimento per capita da Índia modesto. O sistema regulamentar pesado antes de 1991 restringia a iniciativa privada e o acesso financeiro era limitado.
  • África Inicialmente Mais Rápida: O crescimento de África parecia, por vezes, mais rápido no papel, muitas vezes impulsionado por ciclos de commodities (matérias-primas).

No entanto, após os anos 1990 — e especialmente após 2014 — a Índia avançou de forma decisiva, criando a diferença de rendimento per capita observada atualmente.

O que Ajudou a Índia a Avançar

O avanço da Índia foi impulsionado por mudanças estruturais estratégicas:

  • Liberalização Económica: A liberalização em 1991 abriu os mercados e os fluxos de investimento estrangeiro.
  • Boom de Serviços de Alto Valor: Um boom de exportação de serviços (TI, software, BPO) gerou rendimentos de alto valor e moeda estrangeira.
  • Infraestrutura Pública Digital (Digital Public Infrastructure – DPI): A implementação da rota digital indiana — Aadhaar (identidade), UPI (pagamentos unificados) e Jan Dhan (contas bancárias) — atraiu milhões para a economia formal, reduzindo drasticamente os custos de transação e acelerando a inclusão financeira.
  • Estabilidade e Escala: Fundamentos macroeconómicos estáveis, demografia favorável e a rápida urbanização aumentaram a escala e a resiliência do mercado.

Por que a África Não Acompanhou o Ritmo

A história de África é diversa, com países como Botswana, Maurícias, Marrocos, África do Sul e Ruanda a terem um desempenho excecional. No entanto, as médias continentais sofrem devido a desafios generalizados:

  • Dependência de Commodities: Muitas economias continuam excessivamente dependentes da exportação de matérias-primas.
  • Instabilidade: Conflitos persistentes e instabilidade política afetam o investimento e o crescimento sustentado.
  • Fragilidade Estrutural: As economias enfrentam ciclos de dívida e possuem bases de manufatura (indústria transformadora) superficiais, resultando em baixo comércio intra-africano.

Lições da Índia para a África (adaptar, não copiar)

O crescimento de África exige um caminho próprio, mas pode beneficiar de elementos estratégicos observados na Índia:

  1. Construir Bens Públicos Digitais: Implementar uma base digital de baixo custo (identidade nacional + pagamentos + banca) para acelerar a inclusão financeira e o comércio.
  2. Racionalizar a Regulação: Simplificar o licenciamento e a regulamentação para libertar o empreendedorismo e atrair investimentos.
  3. Desenvolver Cadeias de Valor Regionais: O mercado Africano deve aproveitar o potencial da AfCFTA (Área Continental Africana de Comércio Livre) para criar escala, uma vez que nenhum mercado único é grande o suficiente.
  4. Investir em Capital Humano: Priorizar competências alinhadas com o mercado — formação vocacional, tecnológica e educação orientada pela procura.
  5. Priorizar a Estabilidade: Assegurar políticas previsíveis, estabilidade macroeconómica e gestão prudente da dívida para proteger os ganhos per capita.

O Panorama Maior

A questão não é de competição, mas sim de converter potencial em prosperidade. A Índia ganhou impulso através de reformas, infraestrutura digital e integração global. A África tem a oportunidade de moldar o seu próprio caminho, alavancando a escala, a tecnologia e a clareza das políticas. O potencial é enorme; a questão é transformar esse potencial em impulso sustentável.

Edição e adaptação com IA de João Palmeiro com Dishant Shah

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