Sobre as pedras, os sons e o tempo – Conversa em torno da exposição «autonomia das pedras» com Pedro Fazenda, Rodrigo Pereira, António Guerreiro e Sandra Leandro (moderadora), no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo em Évora, dia 6 de Dezembro, às 15h30
«Não é uma exposição. É uma proposta de uma investigação em curso» foram as palavras do escultor Pedro Fazenda (1957) ao apresentar este trabalho que conjuntamente com o artista Rodrigo Pedreira (1992) nos dá a ver. É simultaneamente um convite a uma experiência diferente: vamos tactear as pedras para que elas nos toquem também.
O apelo da matéria, o tempo sem fim de algumas pedras da mesma pedreira que se encontram na fronteira entre ser e não ser mármore, os blocos de que foram extraídas nos anos 60 do lugar da Fonte do Soeiro, Pardais, Vila Viçosa, as marcas de extracção, estão à espera do seu toque que se transformará em som, um som que talvez não venha a ouvir, pois passará a uma central que Rodrigo Pedreira concebeu.
Há ainda uma memória que queremos realçar, pois este trabalho espelha também a vida e a história desta cidade. Em 1981 decorreu o Simpósio Internacional de Escultura em Pedra, Évora ‘81. Impulsionado por João Cutileiro (1937-2021) pôs em diálogo escultores de várias gerações portugueses e estrangeiros, entre os quais se encontrava Pedro Fazenda. Nessa altura o Museu expôs algumas obras e outras encontram-se ainda em vários espaços da cidade. Foi um marco e fez caminhos. Com o apoio da Câmara Municipal de Évora criou-se o Departamento de Escultura em Pedra que se instalou no antigo Matadouro e dele provém a Pó de Vir a Ser, onde este trabalho que agora se apresenta foi concebido. Em todos os momentos referidos houve sempre um interesse em trabalhar com as sobras das pedreiras numa atenção sensível ao material e ao ambiente.
Creio que estas pedras estão felizes por se encontrarem tão perto de vestígios do Neolítico, na sala adjacente a esta. Não esperavam estar num Museu, talvez já não esperassem a apreciação e o apreço de que são alvo. Não podendo ser outro é este o abraço que lhe damos.
Nesta sala obscurecida, há um tempo longo das pedras para ser vivido. Escutemos, com tacto, o seu cântico imprevisto.
Sandra Leandro
Directora do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo

Criação: Pedro Fazenda e Rodrigo Pedreira
Produção: Pó de Vir a Ser – Departamento de Escultura em Pedra – Centro Cultural de Évora
Co-produção: Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Comunicação: Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e Pó de Vir a Ser
Design Gráfico: Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Fonte: Nota de Imprensa / Pó de Vir a Ser
Fotos oficiais do emissário
