No programa de Saúde Pública emitido mensalmente pela Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) voltou a falar-se de vigilância de vetores, em particular da introdução de um mosquito invasor. Aproveitando o tema, também foi abordada a importância da consulta do viajante.
Este é um programa feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central. Na edição de outubro, contou com as intervenções de Márcia Marques, técnica de Saúde Ambiental; Rita Leão, enfermeira; Melani Campos Castellanos e Stanislav Ladyka, ambos médicos Internos de Formação Geral.
Segundo Márcia Marques, “a situação está a mudar e temos a introdução de um mosquito invasor importante para a transmissão de doenças”, adiantando que, “neste momento, em Portugal, temos duas espécies do género Aedes, os mais temidos na Europa: Aedes Albopictus e Aedes Aegypty”.
De acordo com Melani Campos Castellanos, “as doenças transmitidas por mosquitos representam uma ameaça à saúde humana, em várias regiões do mundo, principalmente nas regiões tropicais devido à existência de condições climáticas favoráveis para os vetores (que são os mosquitos)”, resumindo que “sempre tiveram um papel importante na saúde pública”.
Acrescentou que, “nos últimos tempos, tem-se vindo a observar a dispersão destes mosquitos e, consequentemente, das doenças transmitidas por estes vetores, pela Europa e por Portugal, o que pode dar origem a surtos ou epidemias”.
A esse respeito, Márcia Marques realçou que “essa dispersão prende-se com o aumento da quantidade de viagens internacionais”, lembrando que “os mosquitos têm uma baixa capacidade de voo, ou seja, não conseguem voar durante muito tempo nem grandes distâncias, e por isso, a sua propagação ocorre através de aviões, barcos ou outros veículos”.

Explicou também que “em Portugal continental estão presentes duas espécies de vetores de doença, o género Culex, que é uma das mais abundantes e transmite, entre outras, o vírus West Nile; e também temos o género Anopheles, que transmite a Malária”, alertando que, “com as novas introduções, o panorama pode mudar a qualquer momento”.
Por sua vez, Stanislav Ladyka revelou que “as doenças transmitidas pelo mosquito do género Aedes incluem, principalmente, o Dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela”, salientando que “estes vírus são responsáveis por grandes epidemias em regiões tropicais e subtropicais”.
Quanto às doenças transmitidas, Melani Campos Castellanos enumerou alguns sintomas que nos podem deixar alerta.
“Sempre que uma pessoa apresente febre alta persistente, dores articulares, manchas avermelhadas na pele ou mal-estar após viajar para regiões afetadas por arboviroses é fundamental procurar rapidamente assistência médica”, referiu, constatando que “o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves”.
Durante a conversa, Rita Leão deu conta de alguns métodos para evitar a picada dos mosquitos, nomeadamente “usar repelente, acender uma vela de citronela, usar roupas finas e largas ou proteger-se após o pôr do sol”.
Outras recomendações deixadas pela enfermeira foram “usar telas nas portas e janelas, colocar um mosquiteiro na cama, usar uma raquete mata-mosquito, aplicar repelente nas roupas e eliminar água parada”.

Evidenciou ainda os cuidados a ter em caso de viagens para fora da Europa. “Em alguns países, há um maior risco de contrair doenças graves provocadas por picada de insetos”, disse, aconselhando que, “se tem uma viagem planeada, informe-se antes com um especialista numa consulta do viajante, que deve ser marcada um a dois meses antes da data da viagem”.
Rita Leão focou que “nesta consulta é informado sobre medidas preventivas (ou curativas) a adotar antes, durante e depois da viagem, em função do destino, da viagem e de quem viaja”.
Especificou que “incluem a vacinação ou toma preventiva de medicação contra múltiplas doenças de risco baixo ou inexistentes em Portugal; bem como a informação sobre higiene individual e cuidados a ter com a água e os alimentos que se ingerem”.
A mesma enfermeira reiterou que também é feito “o aconselhamento e prescrição da farmácia do viajante que deve levar; além de informações sobre assistência médica, riscos de acidentes e segurança ou outros nos destinos para que viaje”.
Deu ainda conta de que “há consultas e centros de vacinação internacional espalhados por todo o país, sendo que em Évora as consultas do viajante são todas as quintas-feiras”.
Rita Leão informou também que “são realizadas na Quinta do Albergue, Rua das Cinco Cepas (Canaviais), das 10 às 12 horas e das 15 às 17 horas, devendo as marcações ser feitas por e-mail [email protected]”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS
