Há marcas que entram nas estatísticas. E há corridas que entram na alma. A prova de Francisco Laranjeira (madrugada de segunda-feira, tarde em Tóquio), pertence claramente à segunda categoria. Numa final eletrizante, dominada pelo poderio queniano, o atleta alentejano, do Grupo Desportivo Diana, assinou uma das melhores exibições da sua carreira, alcançando um extraordinário 4.º lugar na final dos 5.000 metros dos Jogos Olímpicos para Surdos, demolindo o seu recorde pessoal, agora fixado em 14:59.34 minutos.
Logo após cortar a meta, Francisco não escondeu a emoção e o significado profundo deste momento: “Estou muito feliz com esta marca e com a forma como competi numa final forte e dei tudo de mim. Depois de alguns anos complicados, onde tive de lidar com desafios físicos e mentais, voltar a correr desta maneira tem um significado especial para mim. Fazer 14:59 nos 5000 metros, numa final tão forte, e terminar como o primeiro europeu, atrás de três quenianos de grande nível, deixa-me orgulhoso e muito feliz, foi como se tivesse ganho uma medalha.

Este resultado dá-me motivação extra para continuar a crescer e sonhar mais alto. Representar Portugal é um orgulho enorme.”
Num pelotão feroz liderado por três gigantes do Quénia — Ian Wambui (ouro, 13:52.83), James Mwanza (prata, 14:15.28) e Nelson Rotich (bronze, 14:43.35) — Francisco não vacilou. Resistiu, estudou a corrida, acelerou quando muitos quebraram e, com uma maturidade competitiva impressionante, manteve-se sempre na luta. Nos metros finais, já com o coração a comandar mais do que as pernas, empurrou o limite para mais longe e cruzou a meta com a certeza de ter dado tudo.

O treinador de Francisco, João Ferrão, também destacou a excelência da exibição do atleta: “O Francisco fez uma grande prova, esteve excelente em termos táticos, geriu bem a corrida. Sabíamos que os quenianos eram inacessíveis, portanto o Francisco iria lutar pela melhor posição possível e sonhar com alguma quebra do terceiro elemento dos quenianos. O resultado final deixa-nos muito felizes: 4.º lugar na estreia nos Jogos, melhor marca pessoal… participação muito positiva.”
Este 4.º lugar é muito mais do que uma posição na tabela; é um símbolo de coragem, entrega e superação. É a demonstração de que Francisco Laranjeira tem dentro de si aquilo que distingue os maiores — a capacidade de sofrer, acreditar e avançar quando o mundo parece a desabar à volta.
Texto: Redação DS
Fotos: DS
