Proximidade, inovação, solidez e segurança. Estes são os pilares da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) do Alentejo Central, uma instituição que já conta com 112 anos de história.
A aposta no desenvolvimento económico e social da região, mas também na melhoria da qualidade dos serviços que presta aos seus associados e clientes marcam este percurso centenário.
Atualmente, está presente em nove concelhos, sendo eles o de Alandroal, Arraiolos, Évora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa. No total, são 19 agências dispersas por estes territórios, estando em perspetiva crescer ainda mais.
A nova sede, localizada no Parque Industrial e Tecnológico de Évora (PITE), inaugurada no ano passado, foi um dos grandes investimentos feitos nos últimos tempos por esta entidade bancária. A par disso, tem vindo a concretizar melhorias em vários balcões, além de manter a sua política de responsabilidade social, apoiando diferentes instituições.
Em entrevista ao Diário do Sul, o presidente do Conselho de Administração da CCAM do Alentejo Central, José Tirapicos Nunes, falou do caminho percorrido nos últimos cinco anos, dando conta também de novos projetos.
Começou por salientar que, “nestes últimos anos, a CCAM do Alentejo Central tem feito uma evolução bastante positiva, mesmo atendendo à pandemia de Covid-19 que nos afetou e implicou diversos condicionalismo, desde logo a própria presença de pessoas, quer clientes, quer funcionários”.

Segundo o mesmo responsável, “tivemos a sorte e providenciámos que fossem mitigadas essas influências, tivemos as agências a funcionar, mas em espelho”, esclarecendo que “havia sempre uma bolsa de colaboradores que estava em casa e outra que estava a trabalhar, além das proteções de balcão e as barreiras sanitárias necessárias”.
Acrescentou que, “mais do que a nós, essa situação afetou algumas das atividades económicas, em particular o turismo, a restauração e a hotelaria, havendo clientes nossos que estão ligados a essas atividades, mas, felizmente, a situação ultrapassou-se”.
José Tirapicos Nunes frisou também que, “possivelmente por as pessoas terem menos possibilidade de gastar dinheiro, tivemos um grande afluxo de recursos dos nossos clientes e houve muita poupança nessa altura”, reforçando que “houve menos investimento, mas houve poupança”.
Recordou ainda que “como havia essa possibilidade, aderimos e fizemos ajustamentos a muitos créditos, nomeadamente à habitação”
Segundo o presidente do Conselho de Administração da CCAM do Alentejo Central, “do ponto de vista financeiro, acabámos por reestabelecer outra vez a situação, sem grandes sobressaltos, nem grandes complicações”, considerando que “retomou-se a atividade até com alguma segurança”.
Quanto à situação atual, fez menção “ao aumento do preço das casas, que é hoje uma situação complicada”, ressalvando que “as medidas do Governo para facilitar o crédito à habitação por parte dos jovens têm trazido muita adesão e dão algum conforto e garantia à própria banca”.

Atividade bancária em crescimento
Em relação à atividade bancária do CCAM do Alentejo Central, o mesmo responsável avançou alguns números.
“No final do primeiro semestre deste ano, tínhamos um total de recursos dos clientes de cerca de 418,5 milhões de euros”, referiu, sustentando que “dá um incremento de 132 milhões de acréscimo de recursos, se compararmos com o período de 2020”.
José Tirapicos Nunes disse ainda que, “por sua vez, o crédito dos nossos clientes atingiu mais de 358 milhões de euros, ou seja, comparando também com 2020 houve um acréscimo de mais de 116 milhões de investimento das pessoas”.
Quanto à atividade seguradora, “temos duas empresas no grupo Crédito Agrícola (CA), a CA Seguros para os Ramos Reais e a CA Vida para o resto dos seguros”, disse o mesmo responsável, especificando que “na CA Seguros há um acréscimo de 15 por cento e na CA Vida também há acréscimo”, especificou.
Deu ainda conta de que “também fazemos candidaturas para apoios e subsídios, nomeadamente na área da agricultura”, explicitando que “temos um serviço de acompanhamento dos agricultores, em que garantimos o preenchimento das candidaturas para ajudas à atividade”.
Relativamente a outros números da CCAM do Alentejo Central, o presidente do Conselho de Administração revelou que, “em agosto deste ano, estávamos com um resultado líquido de cerca de 5,9 milhões de euros”, reiterando que, “como nós não temos acionistas, acabamos por investir na região e temos também escolhido algumas áreas para apoiar”.
Destacou ainda que “nos NPL, que são créditos não produtivos, nós estamos bastante abaixo daquilo que é recomendado, portanto temos alguma segurança na nossa atividade”.

José Tirapicos Nunes recordou também que, “neste período, fizemos intervenções em algumas agências ao nível de renovação, como a de Arraiolos que foi completamente nova e até mudámos de sítio; em Évora, onde criámos a nova sede no parque industrial, mantendo a da Praça do Giraldo; tendo ainda havido remodelações em Sousel, Vimieiro e Redondo”.
Durante a conversa, vincou que “o nosso lema continua a ser inovação, proximidade, solidez e segurança”, constatando que são valores que “já estão no nosso ADN”.
O mesmo responsável exemplificou que “nas nossas agências, nomeadamente aqui na sede, temos presentes essas palavras e incluindo imagens que recordam que nascemos ligados à agricultura, apesar de hoje a atividade da CCAM ser mais diversificada e estarmos presentes em todas as áreas”.
Lembrou ainda que “como somos uma cooperativa temos sócios, ultrapassando, atualmente, os nove mil associados”.
Já em relação aos clientes, avançou que “temos mais de 50 mil primeiros titulares”, considerando que “já é um universo bastante grande, tendo em conta que na nossa área de abrangência (nove concelhos) há cerca de 100 mil pessoas”.
O administrador frisou também que “temos uma distância grande na nossa área de abrangência e os nossos colaboradores são os nossos representantes em cada local, sentem isso e trabalham para ter esta proximidade com os clientes, sem esquecer que temos de inovar”.
Na sua perspetiva, “esta inovação e proximidade têm de ir a par, não podemos chegar a um balcão de uma vila e ainda menos de uma aldeia, tirar de lá as pessoas e substituir por máquinas”, sublinhando que “essa ainda não é a realidade e esta presença é a nossa grande vantagem”.
No que se refere a projetos para o futuro, apontou que “está previsto fazermos uma intervenção na Praça do Giraldo, que talvez arranque no próximo ano, além do balcão de Vila Viçosa também precisar de uma remodelação”.

Responsabilidade social continua presente
Como já vem sendo habitual, vai manter-se a aposta em políticas de responsabilidade social, apoiando um conjunto de instituições nos concelhos em que o CA do Alentejo Central está presente e que têm relação com esta entidade bancária
“Além da ajuda em situações pontuais, consoante as necessidades, há dois anos que resolvemos escolher um grupo de instituições para apoiar”, referiu José Tirapicos Nunes, relembrando que “já apoiámos as corporações de bombeiros dos concelhos em que estamos presentes e depois foram as IPSS”.
Para 2026, disse que “ainda não está identificado o setor, até porque não sabemos o montante disponível, mas uma hipótese é ser na área da cultura”.
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
