A Universidade de Évora, em colaboração com a NOVA Medical School, em Lisboa, apresentou os primeiros resultados do projeto RUN UP, um estudo inovador que analisou a saúde e os estilos de vida das crianças do Município de Évora. O estudo foi financiado pelo Comprehensive Health Research Centre (CHRC), por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do projeto UIDB/04923/2020. O projeto RUN UP formalizou protocolos de parceria entre a Câmara Municipal de Évora e Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, reforçando o compromisso coletivo com a promoção da saúde infantil.

O projeto RUN UP surgiu da crescente preocupação com vários desafios emergentes que afetam o desenvolvimento infantil, tais como a diminuição da competência motora, o aumento da obesidade, a redução da atividade física, o tempo excessivo em frente a ecrãs, as dificuldades de sono e a presença de sinais de perturbações emocionais.

Foram recrutadas 1322 crianças dos quatro Agrupamentos de Escolas de Évora, das quais 845 aceitaram participar. Para além de questionários preenchidos pelos pais/encarregados de educação sobre hábitos de atividade física, sono, tempo de ecrã, alimentação e indicadores de saúde mental, foram ainda realizadas medições antropométricas e testes de competência motora em contexto escolar.

Os resultados revelam indicadores preocupantes em vários domínios da saúde infantil. A prevalência de excesso de peso e obesidade, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde, foi de 32%. No que respeita à alimentação, 38,7% das crianças consomem snacks doces e salgados, como bolos, chocolates ou batatas fritas de pacote, quatro ou mais vezes por semana, e 18,6% ingerem refrigerantes ou sumos açucarados com igual frequência. Além disso, 57,5% consomem hortícolas de folha apenas três ou menos vezes por semana. Relativamente à atividade física, 63% das crianças não cumprem as duas horas diárias de brincadeira ativa recomendadas pela Academia Americana de Pediatria durante a semana, e 23% não o fazem ao fim de semana. Quanto ao sono, 18% dormem menos do que as 9 a 12 horas recomendadas nos dias úteis e 9% durante o fim de semana. No que diz respeito ao tempo de ecrã, 47% passam mais de uma hora por dia em frente a dispositivos eletrónicos e 8% excedem as três horas diárias. A competência motora média situou-se no percentil 50, e, no domínio da saúde mental, hiperatividade e problemas emocionais foram as dificuldades mais prevalentes.

Os resultados do RUN UP indicam que estilos de vida pouco saudáveis estão fortemente associados a níveis mais baixos de competência motora. Crianças com menor competência motora apresentaram peso, percentil de Índice de Massa Corporal e perímetro da cintura significativamente mais elevados. As crianças com excesso de peso tiveram um risco três vezes superior de apresentar baixa competência motora, comparativamente às crianças com peso normal, enquanto o risco cardiometabólico (relação cintura/altura ≥0,55) aumentou esse risco em oito vezes. A prática insuficiente de atividade física (menos de 2 horas/semana) aumentou a probabilidade de baixa competência motora em 3,5 vezes. Destaca-se ainda que a exposição elevada ao ecrã (>2 horas/dia) e o brincar ativo limitado (isto é, menos de 60 min/dia) foram significativamente associados a uma menor competência motora.

Segundo Gabriela Almeida, investigadora principal do RUN UP e docente do Departamento de Desporto e Saúde da Universidade de Évora, “Os resultados do estudo RUN UP oferecem uma “fotografia” detalhada da saúde das crianças do Município de Évora, permitindo compreender os principais desafios que enfrentam. Paralelamente, oferecem pistas valiosas para intervir de forma mais eficaz e adaptada à realidade local.

Os resultados do RUN UP Study constituem uma base científica sólida para apoiar a definição de uma estratégia local de promoção da saúde infantil: “Ao identificarmos os principais fatores de risco, podemos ajudar a autarquia e as escolas a desenvolverem medidas mais direcionadas, culturalmente adequadas e sustentáveis, aumentando o impacto positivo na saúde infantil.”, – conclui Gabriela Almeida, investigadora principal do estudo.

Fonte: Nota de Imprensa / Universidade de Évora

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