A sessão solene de instalação dos órgãos do Município de Évora decorreu no dia 31 de outubro, no salão nobre dos Paços do Concelho.
Foi com “casa cheia” que se realizou a tomada de posse dos membros da Assembleia Municipal de Évora (AME) e da Câmara Municipal de Évora (CME) para o mandato 2025/2029, eleitos nas autárquicas de 12 de outubro.

Recorde-se que o Município de Évora passou agora a ser governado pelos socialistas, que conseguiram três lugares no executivo (Carlos Zorrinho, Carmen Carvalheira e Jerónimo José).
A coligação AD (PPD/PSD, CDS-PP e PPM) elegeu dois vereadores (Henrique Sim-Sim e Patrícia Raposinho). Já a CDU (PCP e PEV) ficou com um vereador (João Oliveira), tal como o Chega (Ruben Miguéis).

Durante a sua intervenção, Carlos Zorrinho, presidente da Câmara de Évora, garantiu que “trabalharemos diariamente por uma maioria estável e uma governação sólida do concelho”, assegurando que “envolver e dialogar com todos sempre foi a minha intenção, qualquer que fosse o resultado”.
Para o novo autarca, “estamos todos convocados para participar na construção e na aplicação, com o município e os seus diferentes órgãos, das soluções mais eficazes, mais eficientes e mais justas”.
Na sua perspetiva, “Évora precisa que uma atitude construtiva possa pautar o relacionamento democrático no nosso concelho, em particular entre aqueles que foram mandatados para serem protagonistas de um novo ciclo de políticas e de prioridades”.
Nesse sentido, adiantou que “a primeira reunião de câmara vai ter lugar na próxima quarta-feira, às 15 horas”, sublinhando que “agendarei, em articulação com os próprios, reuniões de trabalho com os vereadores eleitos por todas as forças políticas representadas na vereação, que espero possam ocorrer antes da primeira reunião do executivo”.
Em relação às prioridades, Carlos Zorrinho sintetizou-as em cinco pontos. “Reunir com a minha equipa, que são em primeira instância todos os trabalhadores da autarquia”, é uma delas.

“Conhecer melhor os dossiers que me foram transmitidos pelo presidente cessante e lançar as medidas do plano de emergência, numa lógica de proximidade e em profunda articulação com as juntas de freguesia cujas competências e meios serão reforçados em função da sua capacidade e vontade política”, foi outra das medidas destacadas.
Segundo o presidente da Câmara de Évora, “concretizar um programa de melhoria de eficiência nos procedimentos internos e na resposta atempada e transparente às solicitações externas”, é mais um dos desafios.
Acrescentou ainda a importância de “contribuir ativamente para desbloquear processos pendentes com o Governo e outras entidades públicas e privadas, cuja resolução é fundamental para o desenvolvimento do concelho”.
Por fim, o autarca realçou que vão ser “lançadas as bases da criação do Gabinete de Projetos do Município e do desenvolvimento do seu Sistema de Informação integrado”.
Carlos Zorrinho focou também que “para poder tomar as decisões adequadas fundamentadas e consolidar o poder negocial da autarquia em dossiers externos é determinante ter um conhecimento o mais profundo possível do ponto de partida”.
Como tal, anunciou que “contrataremos uma auditoria técnica funcional e financeira, que uma vez concluída será de conhecimento público, para todos sabermos de onde partimos e podermos planear de forma sustentada onde queremos chegar e o caminho a percorrer”.
A esse respeito, o presidente do município afiançou que “não pretendo com esta auditoria técnica induzir qualquer desconfiança em relação ao passado, mas antes semear a confiança em relação ao futuro e aplicar uma cultura de transparência em todo o funcionamento da autarquia”.

Durante o seu discurso, enumerou também “os fundamentos da transformação em que acredito e que os eborenses sufragaram”.
Nesse âmbito, o autarca considerou que “temos que aproveitar o impulso de sermos Capital Europeia da Cultura em 2027 e o nosso posicionamento estratégico num momento em que confluem oportunidades com a conclusão do nosso Hospital Central, o desenvolvimento de novas acessibilidades e a atração de investimento em setores económicos muito promissores, para fazer com que Évora se assuma como uma grande Capital Europeia ao Sul”.
Para Carlos Zorrinho, “a afirmação de Évora como Capital Europeia ao Sul não se faz em competição com nenhum outro município da região, mas em cooperação com todos eles e em particular com as outras capitais de distrito”, reiterando que “não haverá uma Évora forte sem um Alentejo forte, nem um Alentejo forte sem uma Évora forte”.
Na sua opinião, “o sucesso da Capital Europeia da Cultura, que uso aqui como exemplo, tal como o sucesso de outros projetos estruturantes para a nossa cidade e para o nosso concelho, será uma alavanca essencial para podermos dar uma resposta mais rápida e eficaz aos desafios imediatos”.
A esse nível, enumerou desafios como “limpeza urbana, tratamento dos lixos, acessibilidades, estacionamento, transportes, habitação acessível e digna, capacidade de captar investimentos, segurança ou inclusão”.

Mesa da AME já foi constituída
Quanto à AME, o PS foi novamente a força política mais votada e elegeu sete deputados. A AD também alcançou sete deputados municipais, enquanto a CDU ficou com três. Esse número também foi conseguido pelo Chega, enquanto o Movimento Cuidar de Évora (MCE) elegeu apenas um deputado municipal.
Jorge Araújo (PS), Francisco Figueira (AD), José Figueira (CDU), Carlos Grave (Chega) e Paulo Ribeiro (MCE) foram os cabeças-de-lista de cada uma dessas forças políticas.
De salientar também que aos 21 deputados eleitos para a assembleia municipal juntam-se ainda os presidentes das 12 freguesias do concelho.

A primeira sessão ordinária da AME decorreu logo na sexta-feira à noite, após a tomada de posse, com o objetivo de eleger a mesa deste órgão, que ficou composta por Jorge Araújo (presidente), Maria Nazaré Lança (1.° secretário) e Luís Pardal (2.° secretário), todos da bancada do PS.
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
