Sem agricultura com futuro, não há Alentejo com futuro”

Pela primeira vez, a agricultura entrou no centro da agenda política regional.

O Conselho Regional da CCDR Alentejo aprovou, sob proposta de Roberto Grilo, uma resolução inédita que reconhece o setor agrícola e agroalimentar como pilar estratégico do desenvolvimento do território.

Para o Vice-Presidente da CCDR Alentejo, este momento “marca uma viragem histórica” na forma como o Alentejo encara o seu papel produtivo e o futuro das suas comunidades.

Hoje fizemos história: a agricultura está, pela primeira vez, no centro da agenda regional.”

P: O Conselho Regional aprovou uma resolução inédita sobre agricultura. O que está em causa?

RG: Pela primeira vez, a agricultura deixou de ser tratada como uma herança e passou a ser vista como uma aposta estratégica. O Alentejo não pode continuar a ser apenas a “despensa do país”. Queremos transformar, gerar valor e fazer da agricultura um motor de desenvolvimento económico, social e ambiental.

P: Porque considera que esta deliberação é histórica?

RG: Porque traduz uma mudança de paradigma. O Conselho aprovou uma resolução que reconhece o setor agrícola e agroalimentar como pilar do desenvolvimento regional, exige a territorialização dos fundos do Portugal 2030 e do PEPAC e cria um grupo de trabalho, Agricultura + Território 2030, que vai apresentar as propostas do Alentejo para a agricultura do futuro.

A agricultura deixou de ser uma herança para passar a ser uma aposta estratégica.”

P: O que distingue este passo dos debates anteriores sobre o setor?

RG: Durante demasiado tempo, as decisões sobre agricultura foram tomadas longe do território. Este passo inverte essa lógica. Dizemos agora, com clareza, que a agricultura tem de ser pensada, planeada e vivida aqui, no Alentejo. É um gesto político de afirmação regional e de soberania territorial.

P: Quais são, em concreto, as prioridades que defende para o setor?

RG: Temos de apostar em incubadoras agrícolas, projetos intermunicipais de regadio sustentável, programas de residência agrícola para jovens e laboratórios vivos em parceria com centros de competências. É essencial valorizar o consumo local, aproximando os produtores das escolas, cantinas e instituições públicas. Mas, acima de tudo, precisamos de colocar a água no centro da equação, garantindo eficiência e equidade no acesso. Sem uma política hídrica inteligente e partilhada, não há agricultura com futuro.

P: Que papel espera dos municípios neste processo?

RG: Os municípios têm um papel decisivo. Tal como assumiram o turismo, a cultura ou as energias renováveis como áreas estratégicas, agora é o momento de integrarem a agricultura nas suas agendas de desenvolvimento. Esta resolução é um ponto de partida. Cada município deve identificar o seu património agrícola, as fileiras prioritárias, os modelos de apoio técnico e as oportunidades para atrair jovens. A agricultura não é apenas um setor económico, é o coração do futuro territorial do Alentejo.

A resolução foi aprovada por larga maioria. Que significado tem esse sinal político?

RG: Mostra que há consciência coletiva de que o Alentejo não pode abdicar da sua base produtiva. A agricultura é a nossa identidade e a nossa oportunidade. O Conselho Regional assumiu essa responsabilidade, e agora cabe a todos, Governo, autarquias, produtores e sociedade civil, transformar esta deliberação em políticas concretas e duradouras.

Sem agricultura com futuro, não há Alentejo com futuro.”

P: Que mensagem gostaria de deixar aos agricultores e à sociedade alentejana?

RG: Que este é apenas o início. O importante é transformar esta resolução em resultados. O Alentejo tem os recursos, o conhecimento e as pessoas. Agora é o tempo de unir vontades. O que hoje foi aprovado é mais do que um texto, é uma afirmação de confiança. O Alentejo tem futuro. E esse futuro começa na terra.

Texto e Fotos: Redação DS

Veja também

Presidente da AAUÉ destaca novidades desta edição da Queima das Fitas de Évora

A Queima das Fitas de Évora volta a animar a cidade com concertos, iniciativas para os mai…