A 15 de agosto de 1925 nascia a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Sousel, pautando-se pelos mesmos valores que estão na base destas instituições um pouco por todo o país: proximidade, confiança, solidez e simplicidade.

Os 100 anos de presença do Crédito Agrícola (CA) no concelho de Sousel foram assinalados no dia 26 de setembro, com uma cerimónia nas instalações desta agência, que atualmente está integrada na CCAM do Alentejo Central.

No total, são nove os municípios em que o CA do Alentejo Central está presente, apostando em 19 agências dispersas pelos concelhos de Alandroal, Arraiolos, Évora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa.

Em nota de imprensa enviada ao Diário do Sul, esta entidade bancária recordou que “a 1 de março de 1911, por decreto outorgado pelo ministro do Fomento, Brito Camacho, foram criadas as bases para o nascimento das CCAM, processo que se intensificou muito nos anos (19)20”.

A mesma fonte acrescentou que, “cientes das necessidades de cada região, vários agricultores organizaram-se em muitos concelhos do país para criar, implementar e desenvolver uma estratégia comum que levou à criação de inúmeras Caixas”, reiterando que “em Sousel não foi diferente”.

A este respeito, o presidente do Conselho de Administração da CCAM do Alentejo Central, José Tirapicos Nunes, deixou a sua “homenagem ao grupo de pessoas que resolveu criar a CCAM de Sousel, com certeza para fazer face a grandes dificuldades”, considerando que, “perante as características da época, criar uma instituição financeira foi um ato de muita coragem”.

Focou também que “a integração no CA do Alentejo Central é bem mais recente, é a nossa ‘irmã’ mais nova, que só entrou em 2020”, reforçando que “fez um percurso de 95 anos sozinha e só nestes últimos cinco anos é que se juntou a nós”.

Para José Tirapicos Nunes, “ainda bem que aconteceu esta fusão, que foi de comum acordo e muito pacífica”, afirmando que “nós não queremos apagar as memórias do que foi a CCAM de Sousel, nem de nenhuma das outras Caixas antigas que hoje integram o CA do Alentejo Central”.

Na sua perspetiva, “todas temos o mesmo plano de importância porque umas não sobrevivem sem as outras”, apontando que “é com o conjunto que nós hoje podemos fazer mais coisas, ter mais visibilidade e fazer investimentos com alguma importância”.

O mesmo responsável constatou que “desta forma racionalizamos melhor os recursos e podemos investir mais na proximidade com as pessoas”.

Quanto à presença do CA neste concelho, José Tirapicos Nunes salientou que “a agência principal é em Sousel, tendo sido criados outros dois balcões, um em Cano, outro em Casa Branca, além de haver um multibanco em Santo Amaro”.

Especificou ainda que “esses dois balcões funcionam em espelho, nuns dias estamos abertos em Casa Branca, noutros em Cano, mas a distância entre eles é pouca e as pessoas podem aceder a qualquer um para tratar de alguma situação”.

O presidente do Conselho de Administração destacou também que “a agência de Sousel começou a ser remodelada pela anterior administração e nós concluímos as obras já em termos de CCAM do Alentejo Central, pelo que já tem a nossa atual imagem”.

Augusto Calça e Pina era presidente do Conselho de Administração da CCAM de Sousel quando se deu a fusão com o CA do Alentejo Central. Atualmente é vice-presidente da Assembleia Geral da CCAM do Alentejo Central, evidenciando que “achámos por bem esta integração, pois as fusões são inevitáveis porque dão dimensão, reduzem custos e permitem uma maior abrangência”.

Sublinhou que “a CCAM do Alentejo Central tem vivido uma robustez muito grande”, sustentando que “fez-se esta fusão, que não foi por necessidade, mas por interesse das partes, e correu bem”.

Segundo Augusto Calça e Pina, “ao longo deste 100 anos, a Caixa de Sousel tem dado um apoio muito grande à agricultura e tem vindo a diversificar-se com o apoio a outras áreas”, considerando que, “hoje em dia, os bancos tornaram-se um pouco impessoais e este não o é”.

Por sua vez, o presidente da Câmara de Sousel, Manuel Valério, referiu que “estes serviços de proximidade, nestes territórios que nós denominamos do interior, são essenciais”.

Mencionou que “sou do tempo em que havia aqui uma quantidade de entidades bancárias e a pouco e pouco todas elas têm encerrado as suas portas”.

Pelo contrário, o autarca disse que “o CA tem esta agência na sede do concelho e dois balcões, um em Casa Branca e outro em Cano, o que reflete esta proximidade que as pessoas necessitam”.

Na sua opinião, “dado que temos uma população muito envelhecida, as pessoas têm dificuldade em deslocarem-se e, sem dúvida, havendo estas delegações dão uma resposta àquilo que são as necessidades da comunidade”.

Pode ver a reportagem vídeo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=ML4vJJw0twQ&t=24s

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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