As ruas de São Miguel de Machede ganham um colorido diferente de cada vez que é dinamizado o roteiro Circuito da Aldeia, promovido pela Suão – Associação de Desenvolvimento Comunitário.
O projeto, que recria a vida no mundo rural, decorre nesta freguesia do concelho de Évora mediante inscrição prévia por parte dos grupos que queiram participar, desde os mais novos, aos mais velhos.

Segundo a Suão, “a nossa comunidade organiza-se em estações que proporcionam experiências de aprendizagem aos visitantes”, explicando que, “em cada estação, uma equipa de seniores e jovens acolhe os participantes neste roteiro pedagógico”.
No passado dia 17 de junho, foi realizado o maior Circuito da Aldeia de sempre, com a participação de cerca de 200 visitantes, entre crianças e adultos.

A horta e os animais de criação, o lavadouro público, os jogos tradicionais e a escola comunitária, com oportunidade de pôr “as mãos” no pão e no barro, foram as estações disponíveis nesta ocasião, que permitiu ainda uma paragem na igreja da vila.
O dia estava bastante quente, tal como é típico por aqui nesta altura do ano. O calor acabou por apressar o vagar habitual que se vive por estas “bandas”, mas ao mesmo tempo permitiu experienciar um verdadeiro dia de verão alentejano.

Em declarações ao Diário do Sul, Lurdes Pratas Nico, presidente da Direção da Suão, explicou que “tivermos aqui cerca de 200 crianças de um agrupamento de escolas de Oeiras, entre alunos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico”, acrescentando que “é habitual recebermos visitas, mas com esta dimensão foi a primeira vez”.
Deu ainda conta de que “uma das professoras que acompanhou este grupo fez o primeiro Circuito da Aldeia, em 2009”, constatando que “voltou passado todos estes anos”.

De acordo com a mesma dirigente, “preparámos um conjunto de espaços, que chamamos estações de aprendizagem, e em cada estação tínhamos pessoas da nossa comunidade”.
Adiantou que “os mais jovens prepararam esta logística e os mais velhos foram os ‘professores’ em cada um desses locais, que partilharam este saber experiencial que construíram ao longo da vida”.

Na sua opinião, “este projeto permite dar valor ao nosso património, cultura e tradições, ao saber-fazer e às práticas do contexto rural, aprendendo com os mais velhos” e realçou que “temos aqui um produto diferenciado, que é um turismo pedagógico em contexto rural, em que de facto os visitantes colocam a ‘mão na massa’”.
Exemplificou que “fazem pão ou peças em barro, lavam e estendem a roupa ou dão de comer aos animais, ao mesmo tempo que brincam aos jogos de antigamente”.

Lurdes Pratas Nico destacou que “a questão da intergeracionalidade é fundamental, pois os mais jovens não conseguiam preparar o circuito sozinhos, mas em conjunto com os mais velhos resulta este projeto extraordinário”.
Especificou também que “os mais jovens são pessoas que trabalham na associação, mas também outras que estão a fazer estágio connosco ou que já passaram pela Suão, disponibilizando-se para ser voluntários”.

Ainda em relação ao Circuito da Aldeia, “o primeiro aconteceu em 2009 e, por norma, temos dois a três pedidos por ano, acontecendo entre março e agosto, por causa do tempo, e são planificados com muito tempo de antecedência”.
A presidente da Suão sublinhou também que “este projeto ajuda à sustentabilidade financeira da associação”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS / Suão
