O final do ano letivo no Agrupamento de Escolas Manuel Ferreira Patrício (AEMFP), em Évora, foi assinalado com o Festival InterCultural – FICA. Entre 11 e 13 de junho, foi celebrada a diversidade cultural existente, ao mesmo tempo que foi mostrado à comunidade o trabalho desenvolvido.
Em declarações ao Diário do Sul, o diretor do AEMFP, Manuel Cabeça, explicou como surgiu a ideia deste evento.

“O festival surgiu pelo compromisso que nós assumimos enquanto escola TEIP4 (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), em que nos comprometemos a apresentar no final do ano um ‘portfolio’ das nossas atividades”, referiu, sublinhando que “é um pouco ‘prestar contas’ daquilo que andámos a fazer durante este ano letivo em função das nossas dinâmicas e dos apoios, dos recursos e das condições que temos”.
Manuel Cabeça reforçou que “foi uma mostra das atividades e dinâmicas que aconteceram ao longo do ano letivo”, acrescentando que, “daí, partimos para o segundo grande objetivo, que diz respeito a celebrar as diferenças que nos compõem”.

Segundo o mesmo responsável, “este ano temos cerca de 25 nacionalidades no agrupamento, temos os cinco continentes ‘cá dentro’, temos um conjunto de etnias, temos as três religiões monoteístas e mais um conjunto de igrejas evangélicas”.
Constatou que “temos uma população com necessidades educativas específicas muito particulares e nós quisemos celebrar essas diferenças que nos unem, que nos compõem e que marcam a diferença deste agrupamento”.

Na sua perspetiva, “marcam a diferença numa lógica de complementaridade e são uma mostra do que é a nossa sociedade portuguesa hoje em dia”, reiterando que “já não somos todos iguais, temos de respeitar as diferenças e temos de sensibilizar para as diferenças”.
A par disso, o diretor do AEMFP salientou que “o outro grande objetivo do FICA foi destacar e valorizar o papel do nosso patrono, no âmbito da escola cultural”.

A esse respeito, realçou que “tivemos um seminário no primeiro dia, uma conversa que envolveu o revisitar a escola cultural, em que efetivamente quisemos recordar a memória e a obra do professor Manuel Ferreira Patrício, destacando a sua dimensão cultural e a nossa vertente cultural”.
De acordo com Manuel Cabeça, “nos dois primeiros dias também tivemos atividades que se dispersaram pelas vários jardins-de-infância e escolas do agrupamento, sempre numa lógica de abertura e de ‘prestar contas’ à nossa comunidade do que andámos a fazer este ano”.

No último dia, decorreu o Arraial das Culturas, em que “demos conta de toda esta dinâmica que nos envolve, dos clubes, do currículo, do extracurricular e tivemos na escola sede cerca de 1100 alunos, que são quem compõe o nosso agrupamento”, referiu, adiantando que “desde o pré-escolar ao 9.º ano, passando pelas turmas PIEF estiveram todos envolvidos”.
O mesmo responsável especificou ainda que “o AEMFP conta com cinco escolas básicas, três jardins-de-infância e a escola sede, que tem desde o pré-escolar ao 9.º ano”.
Ainda em relação ao Arraial das Culturas, explicou que “foi possível conhecer um conjunto de exposições patentes em toda a nossa escola, resultantes dos trabalhos dos diferentes clubes e dinâmicas feitas ao longo do ano, além de ter havido jogos, brincadeiras, danças e música”.

Manuel Cabeça evidenciou também que “um momento forte foi a parte da gastronomia, que foi a nossa comemoração das diferenças, com sabores e cheiros dos locais de onde é oriunda toda a população que nos compõe”, apontando que “pedimos a ajuda das famílias nesse sentido, para trazerem alguma coisa das suas terras”.
Em jeito de balanço, afirmou que “quisemos mostrar a escola à nossa cidade, dizer que efetivamente somos um agrupamento diferente e que temos a honra e o grato prazer de assumir essa diferença”, considerando que “com a diferença é que somos bons, não é sendo todos iguais e trabalhando todos da mesma maneira que nos diferenciamos”.
Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS
