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Investigações interdisciplinares sobre o funcionamento da mente humana são o foco do “VI Seminário Leitura de Imagens: A epistemologia de Nise da Silveira”, que ocorre de 18 a 20 de outubro na Sala Aloísio Magalhães, no campus Ulysses Pernambucano da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no bairro do Derby.
Organizado pelo Museu de Imagens do Inconsciente e pelo Grupo de Pesquisa Memória, Museus e Patrimônio (Ibram/CNPq), o evento conta com apoio do Museu do Homem do Nordeste (Munhe), que é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
A programação inclui debates, mesas, apresentações e exposições com dinâmica centrada na obra da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999). Antes do início do seminário, no dia 17, haverá uma sessão debate, às 19h, do longa “Nise – o coração da loucura”, do diretor Roberto Berliner. A exibição será na Sala Derby do Cinema da Fundação. Nise da Silveira deixou uma forte marca por suas inovações no atendimento a pacientes do campo da saúde mental, e destacou-se pelo pioneirismo na utilização de atividades expressivas como terapia. Desenvolveu um método interdisciplinar para leitura de obras artísticas produzidas pelos pacientes, com o uso de conceitos de campos diversos, como a arte, a museologia e a psicanálise, tópico que serve de roteiro para o Seminário.
Moacir dos Anjos, coordenador-geral do Museu do Homem do Nordeste (Munhe), destacou a associação dos campos da arte e da medicina psiquiátrica como um diferencial da ação.
“É um evento importante, entre outras coisas, pelo que sugere a aproximação entre os campos da clínica e da arte, promovendo o desmanche de fronteiras muitas vezes arbitrárias entre arte e não-arte, entre loucura e ‘normalidade’, e tantos outros frágeis binarismos que estruturam a vida em sociedade. E por reafirmar, claro, a fundamental importância e atualidade do trabalho e do pensamento de Nise da Silveira para a promoção desses avizinhamentos todos”, pontuou.

As atividades do VI Seminário Leitura de Imagens contarão com pesquisadores de vários campos de estudo, como Carlos Mele, pesquisador do Instituto C. G. Jung de Zurique, responsável pela coleção de obras dos pacientes do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung. Também estarão presentes nas atividades profissionais como Gladys Schincariol, psicóloga pela PUC/Campinas e Glória Thereza Chan, Mestre em Artes Visuais (EBA/UFRJ). No decorrer do seminário, haverá seis mesas de discussão, nas quais serão exploradas temáticas como “Nise e as Imagens do Inconsciente”, “Arte e educação”, “Estudos sobre o simbolismo”.
Eurípedes Júnior, coordenador do grupo de pesquisa Memória, Museus e Patrimônio, ressalta que a busca pela interpretação das imagens, mote do evento, visa transformar a compreensão social sobre saúde mental ao dar atenção ao mundo interno humano, incluindo a fantasia, a criatividade e o delírio como forma de expressão, um campo negligenciado na sociedade ocidental.
“A doutora Nise e nós, do Museu de Imagem do Inconsciente, estamos alertando para a necessidade de restabelecimento desses contatos [com o mundo interno] para que tenhamos não só saúde mental individual, mas também um bem-estar coletivo, social e de sobrevivência no próprio planeta. As discussões do seminário, no final das contas, apontam para isso: a necessidade de um conhecimento maior da realidade do mundo interno”, apontou.
O VI Seminário Leitura de Imagens faz parte das comemorações dos 50 anos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, grupo fundado em 1974 por Nise da Silveira e seus colaboradores. Localizado no Rio de Janeiro (RJ), o Museu de Imagens do Inconsciente é referência a nível nacional na área da saúde mental, com 128 mil obras tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Os ingressos para participação do evento estão disponíveis na página do Sympla: VI Seminário Leitura de Imagens: A epistemologia de Nise da Silveira em Recife – Sympla
As atividades também serão transmitidas ao vivo no canal do Museu de Imagens do Inconsciente no YouTube.
Fonte: Nota de Imprensa / Fundaj
