A 15 de dezembro de 2021 Campo Maior festejava a classificação das Festas do Povo como Património Imaterial da Humanidade em pleno Jardim Público, ao som das saias. A pandemia recomendou contenção na hora dos festejos, mas a alegria percorreu a vila perante a chancela da conquista na UNESCO.

Logo aí, Luís Rosinha, presidente da Câmara, afirmava que este reconhecimento iria potenciar o turismo no concelho, deixando o desejo de que as Festas se realizassem assim que houvesse oportunidade. E poderá ser em 2024. Ao longo deste ano a autarquia tem procurado sensibilizar a população para dar a sua “luz verde” ao evento, mas não está a ser fácil.

Há cerca de um mês a autarquia admitia que volvidos nove anos sobre o último evento, as Festas do Povo de Campo Maior voltem a ser uma realidade já em 2024, garantido que “há muita gente” com vontade de trabalhar para que as festas se realizem. Resta, porém, perceber se serão as pessoas suficientes perante a grandiosidade do acontecimento. Luís Rosinha admitia ainda que o anuncio da realização poderá ocorrer “a curto prazo”.

Recorde-se que esta tradição secular, que foi realizada pela última vez em 2015, é conhecida mundialmente por apresentar dezenas de ruas, sobretudo no centro histórico, engalanadas com milhares de flores de papel, feitas pela população de forma voluntária.

Promovidos pela Associação das Festas do Povo de Campo Maior (AFPCM), os festejos na vila alentejana eram já reconhecidos internacionalmente pela sua originalidade e cariz popular, com os habitantes a prepararem a ornamentação das ruas durante meses a fio.

“Estamos a falar de algo diferenciador no Mundo e, como já temos várias classificações da UNESCO no Alentejo, porque não pensarmos em criar uma região demarcada do Património Mundial”, sublinhava Luís Rosinha, recordando como o Alentejo tem sido um território “muitas vezes esquecido e a que nem se é dado o devido valor e acompanhamento. Mas temos isto, que é diferente de tudo o que existe no Mundo”, insistia o edil.

A origem das festas é desconhecida. Afirma-se por Campo Maior que terão começado como uma celebração religiosa, designada por Festas em Honra de São João Baptista. Mas desde 1921 que essa designação caiu por terra, apesar da imagem do santo padroeiro ainda hoje sair à rua para uma procissão que percorre várias artérias do centro histórico.

Texto: Redação DS / Roberto Dores
Foto: DS

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