O filme de animação Nayola, que retrata a guerra civil de Angola pelo olhar de três mulheres, está pré-selecionado para os Óscares de 2024, que vão decorrer a 10 de março. Em conjunto com outras três longas-metragens portuguesas, é candidato a representar o nosso país na categoria de Melhor Filme Internacional.

Recorde-se que Nayola é uma coprodução entre Portugal, França, Holanda e Bélgica, com realização de José Miguel Ribeiro e argumento de Virgílio Almeida, sendo baseado na peça de teatro “A Caixa Preta”, de José Eduardo Agualusa e Mia Couto. A Praça Filmes, sediada em Montemor-o-Novo, é a produtora nacional desta longa-metragem.

Segundo a Academia Portuguesa de Cinema (APC), “entre as longas-metragens elegíveis para candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional, foram selecionados os filmes Légua, de Filipa Reis e João Miller Guerra (Uma Pedra no Sapato); Mal Viver e Viver Mal, de João Canijo (Midas Filmes); e Nayola, de José Miguel Ribeiro (Praça Filmes)”.

É ainda indicado que “o comité de pré-seleção foi composto por Ana Rocha de Sousa (realizadora), Clara Agapito (Clara Diaz-Bérrio) (montadora), David Bonneville (realizador), Fátima Ribeiro (guionista), Frederico Serra (produtor), Isabel Abreu (atriz), José António Loureiro (diretor de fotografia), Manuel Mozos (realizador), Miguel Guilherme (ator) e Mina Andala (atriz), membros da APC”.

A mesma fonte adiantou que “o processo de seleção passa agora por um período de votação entre os membros da APC, a decorrer entre 15 de agosto e 12 de setembro, e o candidato à categoria de Melhor Filme Internacional na 96.ª edição dos Óscares será divulgado a 14 de setembro”.

Em declarações ao Grupo Diário do Sul, José Miguel Ribeiro salientou que “é a primeira vez que um filme de animação está a competir com filmes de imagem real, que são normalmente os filmes que concorrem mais nesta categoria”, confessando que “para nós já é uma grande honra estar a representar o cinema de animação nesta escolha que agora está entregue aos membros da APC”.

O realizador realçou que “saber que o Nayola faz parte do grupo dos quatro eleitos para um júri representativo dos atores e cineastas portugueses já é uma grande vitória”.

Quanto à história de Nayola, de forma resumida, a Praça Filme destaca que “as vidas, os sonhos e os segredos de três mulheres, Lelena (a avó), Nayola (a filha) e Yara (a neta), cruzam-se em dois tempos narrativos, distanciados 14 anos”, reiterando que o argumento do filme “decorre entre 1995 e 2011 e abrange a fase final da guerra civil angolana e os primeiros anos de paz no país”.

De acordo com José Miguel Ribeiro, “o filme já estreou em várias salas de cinema em França, Angola, Portugal, Bélgica, Holanda e este ano ainda deve estrear no Brasil, além de também estar nas plataformas audiovisuais”.

Afirmou que “o feedback do público tem sido muito bom”, admitindo que “fiquei muito contente, especialmente, com a reação dos angolanos”.

O realizador especificou que “sentem o Nayola como um filme que os representa, que fala da sua história e que é próximo daquilo que é o seu sentido de ser angolano”, confidenciando que “para nós isso foi uma grande vitória”.

De um modo geral, constatou que “as pessoas reagem de uma forma muito emocional ao filme, que é muito belo visualmente, é uma viagem, é um filme que os transporta”, assumindo que, “nesse sentido, está a funcionar muito bem e é sinal de que o filme ‘mexe’ com as pessoas”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: Praça Filmes

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