Para assinalar os 47 anos de existência, a Cercimor – Cooperativa para a Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão de Montemor-o-Novo destaca o trabalho de parceria que tem sido efetuado.

Fundada a 4 de agosto de 1976, a instituição tem sede em Montemor-o-Novo, mas a sua área de intervenção vai até aos concelhos de Vendas Novas, Mora e Arraiolos.

Em entrevista ao Diário do Sul, a presidente do Conselho de Administração da Cercimor, Ana Cristina Saloio, recordou que “somos uma cooperativa de solidariedade social que surgiu no âmbito de um movimento nacional dos anos 70, em que pais que tinham crianças com deficiência sentiram necessidade de criar escolas que dessem resposta aos seus filhos e a outros tantos que estavam na comunidade”.

Sublinhou que “nestes 47 anos temos feito um caminho em conjunto com parceiros, financiadores, famílias, sócios e pessoas que nos ajudam de uma forma voluntária”, reiterando que “não é possível apenas os órgãos da casa e as equipas conseguirem fazer este trabalho”.

Simbolicamente, foi enviado aos parceiros institucionais um “obrigado físico”, elaborado pelos clientes da instituição, no sentido também de dizer que “vamos continuar com o objetivo de cumprir a nossa missão para a qual há 47 anos os pais se juntaram e criaram a Cercimor”, realçou a mesma dirigente.

Na sua opinião, “estamos na altura de repensar o caminho e até a forma de estar na própria sociedade”, alertando para “a transformação que a entidade vai ter obrigatoriamente de fazer, conforme a evolução das próprias necessidades e tendo em conta as limitações financeiras”.

De acordo com Ana Cristina Saloio, “queremos criar oportunidades para todos, mas ao mesmo tempo queremos dizer que existe a diferença e por ela existir é que temos de criar serviços adaptados às necessidades”.

Quanto à dinâmica da Cercimor, adiantou que “estamos a falar em média de 500 clientes todos os meses que nós acompanhamos nas várias unidades”, explicando que “temos desde a intervenção precoce até ao lar residencial e tentamos de alguma forma percorrer todo o processo de desenvolvimento da pessoa”.

A presidente do Conselho de Administração destacou que “temos equipas multidisciplinares de intervenção precoce, a acompanhar as famílias e as crianças em Montemor-o-Novo e em Vendas Novas”.

O acompanhamento seguinte é dirigido “a crianças entre os 6 e os 18 anos”, referindo-se “ao Centro de Recursos para a Inclusão, em que trabalhamos em articulação com o Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo com alunos com deficiência comprovada”.

A mesma responsável frisou que “na escola temos outra unidade em que trabalhamos mais numa vertente de risco social e psicossocial, acompanhando situações de famílias em risco social”.

Continuando neste caminho, focou que “a partir de uma determinada idade temos de analisar o projeto de vida de cada jovem e, muitas vezes, passa pela integração num Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), no qual se pretende estimular e criar atividades em que possam também trabalhar com a comunidade”, revelando que “temos CACI em Montemor-o-Novo, Vendas Novas e em Mora”.

Segue-se, na vertente mais formativa, “o Centro de Reabilitação Profissional, tendo em vista o mercado de trabalho e a sua integração, havendo ainda um Centro de Recursos para o Emprego, numa perspetiva de adaptação ao trabalho, até para casos em que é necessário fazê-lo por razões de saúde ou de acidente”, evidenciou Ana Cristina Saloio.

A mesma dirigente anunciou que “este centro tem sede em Montemor-o-Novo, mas as pessoas dos outros concelhos abrangidos deslocam-se até lá”.

Relativamente ao lar residencial, “está localizado em Montemor-o-Novo, tem capacidade para 20 pessoas e foi criado em 2016”, apontou Ana Cristina Saloio, lembrando que “este foi o desejo desde sempre dos pais quando fundaram a Cercimor, no sentido de dar resposta àquele sentimento de que os filhos vão crescer, eles vão envelhecer e o que depois iria acontecer-lhes”.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: Cercimor

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