Ser criador de jogos de tabuleiro não é, regra geral, algo que faça parte das respostas mais habituais quando perguntamos: “o que queres ser quando fores grande?”. Mas na verdade, João Quintela Martins sempre foi de “criar coisas”, inclusive de inventar jogos quando estava sentado no café com os amigos.

A sua formação é na área da Arquitetura. No entanto, na altura da Troika ficou desempregado e acabou por criar o jogo de cartas ilustradas Football Stars. “É um jogo de futebol inspirado num jogo do Senhor os Anéis”, disse ao Diário do Sul (DS), acrescentando que “editei-o como um jogo oficial dos três clubes” (Benfica, Porto e Sporting).

O “pontapé de saída” estava dado. Nos últimos anos, João Quintela Martins tem criado diversos jogos de tabuleiro. Um dos mais recentes é o “Évora”, inspirado no Templo Romano.

Segundo a editora do “Évora”, a Mebo Games, o objetivo do jogo “é construir as 14 colunas do templo (que ainda estão visíveis) e o jogador que tiver mais blocos de pedra em cada coluna ganhará os pontos correspondentes”.

Esta é uma explicação resumida, pois à medida que o jogo avança, vai sendo necessário definir a melhor estratégia.

A conversa com o autor surgiu a propósito da exposição “Ilustração de Jogos de Tabuleiro”, organizada pela “Para Além do Digital – Associação Cultural e de Desenvolvimento”, que esteve patente na Galeria do INATEL, em Évora, até ao dia 15 deste mês. Nessa mostra, foi possível ver as ilustrações do “Évora”, feitas pelo italiano Matteo Piana.

Foi nessa ocasião que João Quintela Martins contou ao DS a história que deu origem a este jogo de tabuleiro.

“Em 2018, estava na loja B de Brincar a controlar um torneio de um outro jogo da minha autoria, o Palácio do Marquês”, recordou, mencionando que, “na altura, era fumador e acabou-se o último cigarro”.

João Quintela Martins estava numa transversal da Rua José Elias Garcia e o seu objetivo era ir comprar tabaco à Praça do Giraldo, mas o percurso não foi o esperado. “Como não conhecia bem Évora, foi fácil perder-me”, frisou, sublinhando que, “em vez de ir em linha reta, fiz um grande desvio e dei por mim em frente ao Templo Romano, que já não via há muitos anos”.

Foi aí que lhe surgiu a ideia de fazer um jogo de tabuleiro inspirado no templo. “Acabei por chegar à Praça do Giraldo, comprei o tabaco, voltei pelo mesmo sítio para não me perder novamente e confirmei que tinha mesmo de fazer um jogo”, admitiu.

O autor confidenciou ainda que “durante o trajeto de regresso, cerca de dez minutos, comecei a congeminar o jogo e tenho a sensação de que quando cheguei à loja, disse: ‘criei um jogo de tabuleiro no caminho até ao tabaco’”:

Obviamente que “depois ainda houve muito trabalho pela frente, tive de testar as ideias e o jogo só foi lançado em 2022, até porque a Covid também atrasou um pouco todo o processo”, focou João Quintela Martins.

Quanto ao seu vício, deixou de fumar cerca de dois meses depois desse episódio em que se perdeu nas ruas de Évora. “O tabaco fez o seu efeito, depois foi descartado que não faz falta nenhuma”, concluiu o criador.

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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