A problemática das cianobactérias foi debatida em mais um programa da Rádio Telefonia do Alentejo (RTA), feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Alentejo Central.

A gestão deste problema nas águas do Alentejo Central foi uma das questões a que os participantes tentaram dar resposta, tendo esta edição contado com a presença dos médicos internos de Formação Geral, Telmo Vieira e Carolina Pinto, e das técnicas de Saúde Ambiental, Ana Fialho e Ana Silva Marques.

Antes de mais, importa esclarecer o que são cianobactérias. De acordo com Telmo Vieira, “são bactérias de cor azul-esverdeada, que se acumulam em águas maioritariamente paradas, como lagos e rios, e, dependendo do clima, podem-se juntar e formar as florescências ou blooms de cianobactérias”.

Realçou ainda que “foram muito importantes na evolução da vida na Terra e são as grandes responsáveis pelo oxigénio que respiramos”, comentando que, “hoje, continuam a ser importantes para manter muitos ecossistemas, contudo, isto depende de um frágil equilíbrio”.

O médico interno alertou que “a presença das cianobactérias em quantidades exageradas pode prejudicar não só os ecossistemas onde se encontram, mas também a saúde humana, contaminando com toxinas a água que bebemos e que usamos para múltiplos fins”.

Disse também que “a temática das cianobactérias torna-se mais importante na altura dos meses quentes porque as condições que tornam a sua acumulação mais fácil reúnem-se todas nesta altura do ano”, apontando ainda que “acaba por ser nestes meses que se faz mais uso das águas, correndo, assim, maior risco de contacto com estas bactérias”.

Por sua vez, Carolina Pinto realçou que “as cianobactérias podem ter efeitos negativos, tanto na saúde humana, como animal”, explicitando que “estes efeitos resultam da ação de toxinas que são produzidas pelas bactérias e que são muito semelhantes entre humanos e animais”.

Salientou ainda que, “essencialmente, os efeitos na saúde são causados por três grupos de toxinas, que são as hepatotoxinas (afetam o fígado e os órgãos à volta), as neurotoxinas (afetam o sistema nervoso) e as dermatoxinas (irritam sobretudo a pele)”.

A mesma médica interna frisou que “a variedade de sintomas que as toxinas podem causar é extensa, e, frequentemente, aparecem muito tempo depois da exposição a água contaminada, o que torna o diagnóstico de intoxicação por estas bactérias muito difícil”.

Telmo Vieira acrescentou que “a identificação das cianobactérias, a olho nu, nem sempre é possível”, dando como dica que “se não conseguirmos ver os nossos pés submersos na água, podemos estar perante água com uma concentração elevada de cianobactérias”.

Quanto às formas de exposição a estas bactérias, Carolina Pinto referiu que “a mais comum é ao beber água contaminada; depois temos o contacto direto da água com a pele; a inalação de aerossóis (partículas de água); ou a ingestão de alimentos contaminados com estas toxinas”.

Telmo Vieira comentou ainda que, “atualmente, não existe nenhum tratamento dirigido para a intoxicação por cianobactérias e o que se faz é ajudar o corpo a eliminar as cianotoxinas e tratar os sintomas que surgirem”, lembrando que “mais vale prevenir do que remediar, até porque a exposição a estas toxinas é completamente evitável”.

Em relação ao trabalho da USP do Alentejo Central, Ana Fialho adiantou que esta unidade “possui um plano de vigilância, aplicado especialmente entre os meses de maio a outubro, uma vez que nesta época do ano a temperatura é mais alta, e, normalmente, há menos períodos de chuva”.

Frisou ainda que “os técnicos de Saúde Ambiental realizam, mensalmente, colheitas de água no seu estado ‘bruto’, ou seja, sem qualquer tipo de tratamento, e também após a sua desinfeção, no estado em que segue para a população”.

Segundo a mesma técnica, “desta forma, consegue-se perceber se a água destinada à população pode, ou não, estar contaminada por cianobactérias, implementando as medidas mais adequadas de acordo com o resultado”.

Já Ana Marques, mencionou a importância de sensibilizar a população para esta problemática, nomeadamente que “a utilização de água de origem particular (poços ou furos, por exemplo) seja o mais segura possível, utilizando processos simples e eficazes para uma correta desinfeção da água (com recurso a químicos ou fervura)”.

Sublinhou ainda que “na hora de escolher a praia ou o local para realização de atividades recreativas que envolvam água, as zonas vigiadas devem constar como primeira opção e que, em caso de dúvida sobre a qualidade da água, não se deve utilizá-la para nenhum tipo de fim”.

Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS

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