No próximo dia 30 de Janeiro de 2022 será celebrado o Dia Mundial dos Doentes de Lepra, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1954 a pedido de Raoul Follereu.

O Dia Mundial dos Doentes de Lepra tem como objectivo alertar a população mundial para as condições de sofrimento e de miséria em que vivem muitos milhões de pessoas atingidas pela doença da lepra. Hoje é celebrado em cerca de 130 países.

Em Portugal, a APARF, cumprindo os seus estatutos, assinala o Dia pelo 35o ano consecutivo. Com a colaboração de uma vasta rede de voluntários em todo o País, incluindo o Núcleo do Porto e Grupos Locais, sensibiliza a população para a problemática da Lepra, (quer na vertente de doença física quer na sua acentuada marca de estigma social) ao mesmo tempo que promove o Peditório Nacional.

O tratamento da doença existe e, apesar da redução do número de doentes, a doença ainda não foi erradicada. Com o surgimento da pandemia foi evidente o aumento da disparidade entre as pessoas mais pobres, que vivem abaixo do nível da dignidade humana, e de quem tem acesso a cuidados de saúde básicos. Por este motivo, o sucesso da cura depende, também, da sua prevenção. Só dotando as populações mais pobres ao acesso a cuidados de saúde, água potável, condições sanitárias e alimentação básicas podemos erradicar a doença de lepra.

Segundo o relatório publicado pela OMS a 10 de Setembro último, no ano de 2020, foram diagnosticados 127.396 novos casos de lepra em 127 países, designadamente na Índia, Brasil e Indonésia, que representam 74% dos novos casos detectados. 62 Países notificaram novos casos de lepra em 8 629 crianças o que é um indicador de transmissão contínua da infecção na comunidade.

A COVID-19 teve um impacto significativo nos serviços de saúde em todos os países. As medidas de confinamento tomadas, e o enfoque no combate da pandemia, condicionaram o diagnóstico e o tratamento da doença de lepra, razões pelas quais resultou uma redução de casos detectados e reportados em 2020.

Em Portugal o número de doentes é reduzido. Os novos casos que surgem são de pessoas imigradas, oriundas de países endémicos, África, América Latina e Ásia. Estes doentes são tratados pelo Serviço Nacional de Saúde.

A Região Litoral Centro de Portugal (Coimbra, Leiria, Lisboa e Vale do Tejo) foi, tradicionalmente, a mais atingida pela doença. Por esse motivo o Hospital Rovisco Pais foi construído no Centro do País, na Tocha, Cantanhede. Este Hospital, destinado ao tratamento dos doentes de Lepra, registou (desde 1947) cerca de 3.260 processos clínicos de doentes, internados ou acompanhados em regime externo. Em 2020 foi criado um Núcleo Museológico sobre a doença de Hansen, cuja visita recomendamos.

Sobre a APARF

  • A APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, fundada em 1987, é uma IPSS, sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente de utilidade pública. Tem Direcção Nacional e a sede em Lisboa. Integra um Núcleo Regional (de âmbito distrital) e várias dezenas de Grupos Locais (de âmbito de povoação ou freguesia).
  • A APARF tem por objecto social prestar assistência material, sanitária e moral às pessoas afectadas pela doença de Hansen (lepra), e suas famílias. Promove acções de prevenção, tratamento e cura desta terrível doença, e de outras doenças estigmatizantes, resultantes da pobreza e da falta de condições sanitárias e alimentação básicas.
  • Apoia em Portugal os doentes de lepra e suas famílias
  • Em 20 de Janeiro de 2022 comemora 35 anos de actividade
  • Durante a sua existência já diagnosticou e acompanhou milhares de doentes de lepra em mais de 50 países, de quatro continentes
  • É membro da UIARF – União Internacional das Associações Raoul Follereau, sediada em Paris, França
  • Inscrita e acreditada como Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento
  • A sua acção é inspirada na vida e obra de Raoul Follereau

    Sobre RAOUL FOLLEREAU

    Escritor, jornalista e advogado francês, nascido em 1903, que deixou a sua actividade profissional para se dedicar exclusivamente à causa dos doentes de lepra, após um primeiro encontro com estes doentes, em 1935, no Níger. Em 1957 visita Portugal e o Hospital Rovisco Pais, na Tocha. Em 1966 criou o ILEP (Federação Internacional das Associações que lutam contra a Lepra no Mundo). Em 1968 cria as Fundações Raoul Follereau e visita Portugal pela 2a vez, proferindo conferências em diversos locais do país; visita o Hospital Rovisco Pais pela segunda vez. Em 50 anos ao serviço dos doentes de lepra, juntamente com Madeleine Boudou, com quem casou em 1925, deu a volta ao mundo várias vezes a visitar leprosarias/prisões, a proferir milhares de conferências, numa entrega total ao serviço destes estigmatizados doentes.

    Raoul Follereau faleceu em Paris, a 6 de Dezembro de 1977. Contava 74 anos o “vagabundo da caridade” ou “apóstolo dos leprosos” como era frequentemente apelidado.

    O que é a LEPRA

    A doença de Hansen mais conhecida como Lepra é uma doença infecciosa crónica, causada pela “Mycobacterium Leprae”, caracterizada por largo período de incubação (até dez anos ou mais).

    As primeiras referências escritas relativas à Lepra datam de 1500 anos a. C. Desde então a doença era considerada como um castigo divino, até que a identificação do bacilo veio esclarecer a sua causa. A identificação do bacilo responsável pela doença foi identificado em 1873 pelo médico norueguês Dr. Gerhard Armauer Hansen, daí provindo o nome de Doença de Hansen.

    Os enfermos eram internados compulsivamente em Lazaretos ou ilhas de Leprosos ficando privados dos mais elementares direitos, como o casamento, família, circulação no território, herdar ou possuir bens. Tais medidas foram implementadas sobretudo para não contagiarem a restante família e sociedade.

    A lepra não é hereditária, como se julgou durante muitos séculos, mas contagiosa pois passa de uma pessoa afectada a uma outra “susceptível”. O contágio verifica-se em ambientes e entre populações que sofrem de desnutrição, sem acesso a água potável e, portanto, de baixos padrões de higiene.

    Apenas no Século XX, na década de quarenta, se criou o primeiro medicamento, a sulfona, que conteve a proliferação da doença, mas não como tratamento definitivo e sua cura. Esta só foi possível a partir de 1980, com a poliquimioterapia – PCT. Quando aplicados em prazos e doses adequadas permite o tratamento rápido, completo e não deixa sequelas no doente. No entanto, na ausência de vacina e, dado o longo período de incubação do bacilo, torna-se difícil a erradicação da doença. Quando não é diagnosticada e tratada atempadamente, evolui e causa úlceras ao nível da pele, afecta o sistema nervoso periférico, mutila, provoca a cegueira e a morte.

Fonte: Nota de Imprensa / Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau (APARF)

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