Em vésperas do Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla (EM), assinalado a 4 de dezembro, a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) apela à dignificação de todos aqueles que vivem com esta doença crónica, exigindo o acesso ao emprego, em condições de igualdade com a restante população, respeitando a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU.

De acordo com o artigo 27º da Convenção, “Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência a trabalhar, em condições de igualdade com as demais; isto inclui o direito à oportunidade de ganhar a vida através de um trabalho livremente escolhido ou aceite num mercado e ambiente de trabalho aberto, inclusivo e acessível a pessoas com deficiência”.

Apesar desse reconhecimento, a realidade está muito aquém do desejado, na medida em que um estudo recente concluiu que a EM provoca desemprego em mais de metade dos doentes, com 77% dos inquiridos a confirmarem que perderam o emprego como consequência da patologia e 72% a constatarem que a sua produtividade foi afetada de forma significativa.

Reforçando as declarações recentemente dadas pelo Secretário de Estado Adjunto do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Cabrita, a SPEM sensibiliza as entidades governamentais para o facto de que “as pessoas com deficiência têm direito a um rendimento que lhes permita uma vida digna, sendo urgente derrubar os obstáculos ao emprego destes cidadãos, através de medidas inclusivas e coordenadas. A sociedade tem muito a ganhar se tiver empresas socialmente responsáveis, que adiram à inclusão de pessoas com deficiência” sublinha Alexandre Silva, presidente da SPEM.

Para além deste apelo e de forma a celebrar o Dia Nacional da Pessoa com EM, a SPEM vai organizar Congresso Nacional de EM nos dias 3 e 4 de dezembro, de forma híbrida. A 16ª edição do evento ambiciona apresentar propostas que contribuam para melhorar as condições de vida dos portadores de EM e terá como tema central a reflexão da relação entre a dimensão da prestação de cuidados de Saúde e a dimensão do Apoio Social na EM, que se pretende que seja integral, holística e personalizada.

Sobre a Esclerose Múltipla

Apelidada de “doença das 1000 caras” e considerada uma das patologias mais comuns do Sistema Nervoso Central (SNC), a EM é uma doença inflamatória crónica e degenerativa e a principal causa de incapacidade neurológica nos jovens adultos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2,5 milhões de pessoas com EM. Em Portugal, a prevalência estimada é de 8.000 doentes.

A longa lista de sintomas da EM depende da localização das lesões desmielinizantes no sistema nervoso central. As manifestações da doença variam de pessoa para pessoa, sendo que um doente pode ter apenas um sintoma enquanto outro pode ter vários. Fadiga e alterações da sensibilidade, marcha, visão, do sistema urinário, digestivo e cognitivo são os sinais mais comuns da patologia.

Não existe atualmente um teste único para determinar se uma pessoa tem EM. Os neurologistas têm de adotar uma abordagem multifacetada para despistar o diagnóstico de EM, que ocorre em média por volta dos 30 anos (apesar de poder surgir em qualquer idade).

Fonte: Nota de Imprensa / Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM)

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