Quartas-feiras são os dias da semana em que ocorrem menos acidentes com vítimas mortais e em período laboral ocorrem menos de metade dos acidentes que em período não laboral. Estes são alguns dos resultados do projeto MOPREVIS – Modelação e Predição de Acidentes de Viação no Distrito de Setúbal, uma parceria entre a Universidade de Évora (UÉ) e o Comando Territorial da GNR de Setúbal, apresentados no dia 6 de outubro, num seminário que teve lugar no auditório do Colégio do Espírito Santo.

Os resultados referem-se ao período temporal de análise entre 2016 e 2019, na área de jurisdição da GNR no distrito de Setúbal, sendo a base de dados analisada constituída por 28103 acidentes, dos quais 5436 registaram feridos leves, 407 registaram ferido graves, 163 registaram vítimas mortais que neste período de 4 anos totalizaram 183.

Paulo Infante, Professor de Matemática da UÉ que coordena este projeto, avança que os dados recolhidos apontam que a “ocorrência de despistes relativamente a colisões aumenta com a idade do veículo” ou que “um acidente em que pelo menos um dos intervenientes não tenha acessórios de segurança (cinto de segurança, Sistemas de Retenção para Crianças, vulgo cadeira auto para crianças) tem 2.5 vezes mais possibilidades/chances de ter vitimas mortais”.

Através de modelos preditivos de estatística e inteligência artificial será possível “montar um sistema de informação que identifique os locais onde é mais provável ocorrerem acidentes” com a finalidade última de se “construir algo que ajude condutores, peões e autoridades em tempo real”, diz Paulo Infante, podendo também ajudar a definir políticas públicas. Para já, o projeto está a ser levado a cabo apenas em Setúbal, mas a ideia é alargá-lo a todo o país.

Entre outros, o estudo aponta ainda que entre as 1h e as 2h e entre as 6h e as 7h há 5 vezes mais possibilidades/chances de ocorrer um acidente com vítimas mortais do que nas restantes horas do dia, já no que se refere aos acidentes com vítimas, os fatores que potenciam a sua gravidade (feridos graves ou vítimas mortais) são essencialmente geográficos, temporais (0h às 8h e das 20h às 24h, de quinta-feira a segunda-feira, relacionados com a via (IC/IP ou EN, berma não pavimentada, não existência de separador central), com o condutor (maioria dos condutores envolvidos ser do sexo masculino), idade dos veículos (mais velhos), tipo do veículo envolvido e natureza do acidente (despistes e atropelamentos quando só há ligeiros envolvidos ou colisões envolvendo pelo menos um motociclo ou um pesado.

O Seminário contou conta com a participação de diversas entidades, como a Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária, Infraestruturas de Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Altice Labs e Automóvel Clube de Portugal FCT, entre outras. Para além destas entidades portuguesas, também terá a contribuição da Guardia Civil de Espanha.

Em março de 2021, resultados preliminares “já permitiram identificar variáveis chave associadas não só a um maior número de acidentes, mas também a uma maior gravidade dos acidentes neste território”, adiantou na altura Paulo Infante, pelo que, nesta fase mais adiantada do projeto, os resultados apresentados constituem elementos fundamentais para uma avaliação mais completa neste domínio.

“Se for possível contribuir para poupar nem que seja apenas uma vida humana, este projeto já terá sido um enorme sucesso e um relevante contributo social da Academia através da aplicação do seu conhecimento, esforço e interação com a sociedade e com os parceiros que integram o projeto” considerou ainda o coordenador do projeto.

Fonte: Nota de Imprensa / Universidade de Évora

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