“Para onde é que vai um apaixonado de Arqueologia num interrail? Vem ver o Templo de Diana” (Romano). Foi desta forma que Pandora da Cunha Telles, produtora da Ukbar Filmes, justificou a escolha de Évora para acolher a filmagem de algumas cenas da série luso-espanhola “Millennial Mal”.
Esta minissérie teve a sua estreia no dia 16 de julho na RTP 1, na RTP Play e na plataforma de streaming Filmin. Mas antes, no passado dia 8 deste mês, os dois primeiros episódios foram exibidos em antestreia no Salão Central Eborense.

Trata-se de uma coprodução entre a Ukbar Filmes (Portugal) e a Tornasol Media (Espanha), que apresenta cinco episódios, tendo acontecido a maior parte das filmagens em Pamplona. “Millennial Mal” foi criada por Lorena Iglesias e tem realização de Lorena Iglesias e Andrea Jaurrieta.
O elenco conta com nomes dos dois lados da fronteira, nomeadamente Lorena Iglesias, Paula Gala, Victoria Oliver, Fernando Nagore, Isa Calderón, Afonso Laginha, Afonso Pimentel ou Helena Caldeira.

Segundo a nota de imprensa enviada ao Diário do Sul, esta minissérie centra-se “entre a sátira e a comédia juvenil”, dando a conhecer “a história de Judith, uma assistente de biblioteca de 42 anos que, inesperadamente, recebe uma bolsa de estudo a que se candidatou duas décadas antes”.
A mesma fonte acrescentou que “Judith transforma-se numa autêntica jovem de 20 anos graças à ajuda de duas colegas estudantes e mergulha, assim, no mundo universitário enquanto experimenta uma vida que sente nunca ter conhecido, perante um choque geracional, situações absurdas e um ritmo frenético”.

Na antestreia ocorrida em Évora estiveram presentes alguns dos intervenientes nesta série luso-espanhola, que contaram aos meios de comunicação social presentes mais detalhes sobre o enredo, confidenciando também as suas ligações com a cidade alentejana.
Pandora da Cunha Telles admitiu que “sou apaixonada por Évora e pelo Alentejo”, constatando que “era preciso escolher uma cidade que pudesse ser emblemática em muito poucas imagens porque é um projeto maioritariamente espanhol, que tem alguma rodagem em Portugal”.

Segundo a produtora, “Évora tem do ponto de vista de simbologia vários elementos muito marcantes cinematograficamente e foi isso que nos atraiu”.
Lorena Iglesias confessou que “estou encantada por participar com Portugal, pois sabíamos que a série precisava de outro país e para mim foi ideal que fosse Portugal”, acrescentando que “foi incrível fazer filmagens em Évora, é uma cidade preciosa, chega-se facilmente a todas as partes”.

Disse ainda que “tenho muita vinculação com Portugal, vim cá a festivais de verão, faz parte do meu passado, tal como a personagem, tem algo de autobiográfico”.
A ligação da atriz Helena Caldeira a Évora é grande, pois estudou nesta cidade, além de ser natural de Montemor-o-Novo.
Confessou que “tive muita pena de não ter feito parte das cenas que foram filmadas aqui, mas fui a Espanha filmar as minhas cenas porque a minha personagem é uma estudante de Erasmus que vai para lá”.

Dos três atores portugueses que participam, Afonso Laginha foi o único que fez filmagens em Évora. Nesse âmbito, recordou que “a minha avó paterna é de Alqueva, então sempre que eu, o meu pai e os meus tios íamos para lá de carro, passávamos por Évora e almoçávamos aqui”, destacando que “é um local muito familiar e é muito fixe estar a produzir no Alentejo e estar a dar a visibilidade que este pequeno grande pedaço do nosso país merece”.
Por sua vez, Afonso Pimentel salientou que “o meu pai é transmontano, a minha mãe é lisboeta, mas nós temos uma ligação com o Alentejo muito grande porque desde que nasci que vou para a Lagoa de Santo André”.

Confirmou ainda que “tenho tido alguns momentos de trabalho aqui no Alentejo, incluindo com Évora_27 – Capital Europeia da Cultura”.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, também marcou presença na sessão de antestreia. Evidenciou que “é uma coprodução entre Portugal e Espanha”, ressalvando que “nós não temos nenhuma intervenção direta, nem indireta na série”.

O mesmo responsável focou que “é uma nova geração de realizadores, de produtores que olham de uma maneira diferente para o audiovisual, como uma ferramenta também de ativação dos territórios, de recuperação da história, de contar histórias numa base histórica”, reiterando que “é uma tendência que também se vê muito no turismo, pois as pessoas visitam muito os territórios porque viram aquela cidade, aquele monumento num filme”.
Texto e Fotos: Redação DS / Marina Pardal
