Artigo de Opinião de Hermínia Vasconcelos Vilar (Reitora da Universidade de Évora)
No ano em que a Universidade de Évora comemora 50 anos de lecionação da primeira aula em novembro de 1975, iniciámos um processo de reflexão, que se pretende alargado e participado, não apenas pela Academia, mas também por protagonistas externos, sobre o futuro do campus universitário.
Com esta reflexão procuramos pensar a partir do que foi a evolução da presença da Universidade na cidade e no território e definir, com tempo e com equilíbrio, mas também com ambição, a nossa estratégia de desenvolvimento e de implantação física na região.
Fazemo-lo a partir de uma Universidade que tem vindo a alargar e a diversificar as suas áreas de formação, que conhece uma acentuada variedade dos seus públicos a que essas formações se dirigem, e que consolida uma estratégia de investigação em diferentes áreas do conhecimento.
Procura-se, assim, planear e antecipar o futuro em articulação com o espaço em que a Universidade se integra.
Começámos por apresentar à Academia um documento que inclui um diagnóstico rigoroso das condições existentes em diferentes edifícios, bem como algumas alternativas de reorganização do atual campus universitário, documento que se encontra agora em processo de recolha de contributos internos.
Numa segunda fase é nossa intenção estender essa reflexão a protagonistas externos, já que estamos convictos de que o futuro da Universidade de Évora, e muito em particular no que respeita à sua integração no território, é algo que não pode ser pensado sem o contributo de muitos.
É por demais conhecido de todos que a Universidade de Évora se assume, de forma clara, como a herdeira da instituição fundada em 1559 e como tal mergulha as raízes da sua denominação nessa mesma Universidade que, fundada no século XVI, é a segunda Universidade mais antiga de Portugal.
Sabemos igualmente que a presença da Universidade no centro histórico da cidade tem contribuído para a manutenção de vários e importantes edifícios e assegurado uma vivência do centro histórico que, embora nem sempre consensual, tem contribuído, de forma inquestionável, para impedir a sua desertificação, realidade presente em outras cidades do Alentejo e não só.
Embora a Universidade de Évora não esteja apenas presente na cidade e se espraie hoje por polos localizados nos arredores da cidade com destaque para o Campus da Mitra e por diferentes locais desde Estremoz a Sines, sem esquecer Alter do Chão, Pisões e outros espaços do Alentejo e até do território nacional através da participação dos seus docentes e investigadores em diferentes projetos, é em Évora e no espaço limítrofe que a maior parte dos edifícios ocupados pela Universidade se localizam.
Esta opção teve na base o objetivo de entrelaçar a Universidade com a cidade, e muito em particular com o seu centro histórico, com os seus espaços, fazendo deles o ambiente de frequência dos seus estudantes e de toda a Academia.

Nascia então a ideia de Univercidade.
Ideia feliz que retratava um desejo, que se pretendia perene e real, de ligação entre a cidade e a Universidade.
Muito aconteceu nas últimas décadas na cidade e na Universidade.
A expansão para novas áreas de formação e de investigação, já assinaladas, bem como o aumento do número de estudantes, os desafios colocados pelo acesso a novas metodologias de ensino, o crescimento dos nossos laboratórios científicos, têm tornado evidente os limites de alguns edifícios bem como a necessidade de intervenção em diferentes espaços e de reconfiguração de outros.
A construção da nova Escola de Saúde junto ao novo Hospital Central do Alentejo irá contribuir, de forma inquestionável, para a criação e consolidação de novas centralidades na cidade.
A necessidade de juntar equipamentos e infraestruturas de investigação irá determinar a emergência de novos polos de investigação e de ensino com a inevitável reorientação dos espaços.
Uma possível e desejada centralização da Escola de Artes na zona da antiga Fábrica Leões permitirá dar ainda uma maior identidade a esta Escola, valorizar a sua ação nas mais diferentes áreas e consolidar este eixo da cidade.
A necessidade de aumentar o número de camas disponíveis para os nossos estudantes irá implicar um esforço de todos, tanto ao nível nacional como local. Não podemos esperar apenas por apoios nacionais. Mesmo ao nível local é necessário que diferentes protagonistas, como é o caso da Universidade e da autarquia, trabalhem em conjunto no sentido de arranjar soluções para este problema,
Ter residências para estudantes não visa apenas apoiar aqueles que têm mais dificuldades financeiras. É também criar incentivos futuros para que esses estudantes optem, no futuro, pela cidade que os recebeu no início do seu percurso académico. Nomeadamente se o investimento no alojamento estudantil for acompanhado por um investimento mais global na construção de habitação a preços acessíveis, dirigida a diferentes públicos, mas com destaque para as camadas mais jovens ou para as jovens famílias que se pretendam estabelecer.
Estas são apenas algumas ideias e alguns dos desafios que enfrentamos.
A Universidade movimenta hoje um conjunto humano que ronda as 12.000 pessoas, entre docentes, investigadores, pessoal técnico e administrativo e estudantes, pelo que é uma instituição essencial à cidade e ao seu desenvolvimento nas suas várias dimensões.
O que procuro realçar com este texto é que o futuro da presença da Universidade na cidade tem de ser pensado em conjunto com os vários protagonistas, e muito em especial com a autarquia. Num momento em que as eleições autárquicas se aproximam, a forma como as diferentes candidaturas olham para o papel que a Universidade tem e pode ter na cidade é uma questão muito relevante,
Uma parceria estratégica entre o poder autárquico e a Universidade, com a necessária cooperação de todas as autoridades regionais, revela-se essencial para atrair novos investimentos e dinamizar o tecido empresarial, que necessitam e podem contar com os recursos qualificados formados pela Universidade de Évora. Desta forma será possível criar novos empregos, mais qualificados e portanto melhor remunerados, possibilitando desde logo que aqueles que fazem os seus estudos na Universidade de Évora possam aqui desenvolver a sua posterior vida profissional e familiar. Apenas desta forma será possível combater a desertificação da região e dar-lhe uma maior centralidade entre as regiões de Portugal mais desenvolvidas e a vizinha Espanha aqui tão próxima.
Artigo de Opinião de Hermínia Vasconcelos Vilar (Reitora da Universidade de Évora)
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