No dia 25 de julho, o Largo Marquês de Marialva, em frente à Sé de Évora, recebe “El Cante Rasgueado”, o concerto de Niño de Elche que reinventa a cultura popular ibérica a partir das tradições da Raia entre Portugal e Espanha.
Assinado por Niño de Elche — figura ímpar da cena musical e performativa espanhola, de identidade “ex-flamenca” — e Pedro G. Romero — artista visual e investigador, Prémio Nacional de Artes Plásticas de Espanha em 2024 —, o espetáculo reúne músicos populares da Raia Ibérica entre o cante alentejano, o fandango, a viola campaniça e outras sonoridades fronteiriças, celebrando a mestiçagem e propondo um diálogo entre herança, experimentação e criação contemporânea.
Num tempo em que a cultura popular ainda carrega os traços da sua instrumentalização pelas ditaduras ibéricas, este projeto recupera a sua vocação original: mestiça, fluida, permeável ao outro. Ao longo de um período de pesquisa e criação no terreno fronteiriço ibérico, entre Portugal e Espanha, Pedro G. Romero e Niño de Elche procuraram ativar práticas de colaboração que desafiam as formas cristalizadas da tradição, expondo a sua fricção com o presente, e que os transportou do fandango ao tango português ou da viola campaniça à liturgia sefardita. Mais do que recolha ou reinterpretação, este projeto colaborativo propõe um gesto artístico e político: devolver à cultura popular o seu potencial de mestiçagem, de conflito e de reinvenção.

Na Raia que separa — ou une — o sul de Portugal, Huelva e a Extremadura, o som opera como um elo de ligação entre geografias e histórias. Aí se escutam o cante alentejano com as suas violas campaniças, o fandango cané de Alosno entoado por grupos de homens sobre o rasgueado incessante das guitarras, ou ainda os tangos e jaleos luso-extremenhos transmitidos por comunidades ciganas. É neste território permeável que Niño de Elche e Pedro G. Romero desenvolvem o concerto performativo, a partir de um processo de investigação no terreno, junto de músicos e historiadores locais.
Mais do que recolher ou documentar, a proposta é um gesto de reinvenção: mapear as linhas de continuidade e fricção entre manifestações populares que coexistem na fronteira ibérica, abrindo espaço a novas formas de escuta, apropriação e encontro. Neste contexto, cantar ou rasguear não são apenas gestos técnicos ou expressivos — são atos coletivos, formas de estar com os outros. A partir desta premissa, Niño de Elche e Pedro G. Romero reativam o potencial comunitário da cultura popular, recusando leituras folclóricas ou cristalizadas, apresentando um concerto inédito com a colaboração de músicos que desafiam as formas cristalizadas da tradição, expondo a sua fricção com o presente.
O espetáculo conta com o apoio da Embaixada de Espanha em Portugal e da Acción Cultural Española (AC/E).
“El Cante Rasgueado”
Data: 25 de julho de 2026
Hora: 21h00
Local: Largo Marquês de Marialva (em frente à Sé de Évora)
Entrada: Livre
Fonte: Nota de Imprensa / Évora_27
Fotos oficiais do emissário
