“Uma boa noite de sono pode ser o remédio de muitos males”. Esta foi a mensagem principal da edição de janeiro programa da Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) do Alentejo Central.
Tendo por base o Dia do Festival do Sono, comemorado a 3 de janeiro, a emissão contou com a participação do médico interno de Formação Geral, João Fernandes, e da enfermeira Lurdes Baía.
Esta festividade anual tem como objetivo “colocar o ‘sono em dia’, após um conjunto de excessos que perturbam o normal ciclo do sono”, começou por explicar Lurdes Baía, acrescentando que “o número de horas de sono que possam ser consideradas suficientes para um indivíduo, tal como a maioria das variáveis, não se trata de um elemento linear”.
A mesma enfermeira adiantou que, “apesar do valor basal ser habitualmente sete horas de sono diárias, para algumas pessoas pode rondar as oito ou nove horas, e para outras, um período relativamente inferior pode assegurar de igual forma um sono de qualidade”.
Por sua vez, João Fernandes esclareceu que “o ciclo circadiano trata-se de um fenómeno biológico, regulado pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo anterior, que comporta um período de 24 horas diárias”.
Especificou que “este ciclo tem uma influência sobre determinadas funções biológicas, como, por exemplo, na secreção hormonal”, apontando que, “dentro dos fatores endógenos, isto é, que são sintetizados no interior do corpo humano, existe a melatonina, uma hormona que induz o sono, e a temperatura corporal, sendo que um aumento da melatonina e a diminuição da temperatura corporal sinalizam as imediações do sono”.
Quanto aos “sincronizadores externos, isto é, elementos fora do corpo humano que influenciam todo o mecanismo”, o mesmo médico interno referiu que “incluem a alternância luz-escuridão, elementos sonoros, atividade física, refeições e socialização”.
Salientou também que “a integridade do ciclo circadiano é oscilante ao longo do ciclo de vida do indivíduo e tende a decair com o avançar da idade”, frisando que “por essa razão a maioria dos idosos dorme menos e tem vários despertares noturnos destabilizadores para a qualidade do sono”.
Uma das ideias transmitidas no programa foi que “uma noite de sono apropriada é um fenómeno benéfico para a saúde em várias vertentes, designadamente física e mental, traduzindo-se numa melhor qualidade de vida”.
Nesse âmbito, Lurdes Baía enumerou algumas dicas para uma noite bem dormida. “A regulação da luminosidade do ‘habitáculo’ do sono, redução de condicionamentos ruidosos, uso de material de cama ergonómico, consumo de chás mornos e banhos mornos também transmitem uma sensação prazerosa e relaxante pré-sono”.
Ressalvou ainda que “as próprias características do espaço, como a temperatura (15,6 e 19,4ºC), tonalidades frias e um certo grau de organização aparentam conferir um fator favorável a uma noite bem dormida”.
Além disso, a enfermeira da USP realçou que “a leitura de um livro, prática de exercícios de relaxamento e alguns óleos essenciais podem manter a pessoa calma”, destacando que “há estudos que sugerem que uma dieta saudável apresenta uma ligação com um sono de melhor qualidade”.
Lurdes Baía recordou ainda que “devem evitar-se refeições pesadas três horas antes de dormir, bem como a utilização de aparelhos tecnológicos previamente ao adormecer”, evidenciando que “preconizar um plano de horários de acordar-deitar consistente permite manter o ciclo circadiano estável”.
Segundo João Fernandes, “dormir bem é um momento em que o nosso organismo ‘hiberna’ temporariamente e as nossas funções biológicas são restabelecidas, pelo que um sono insuficiente pode desencadear comprometimento de algumas funções vitais, como a integridade do sistema imunitário e a síntese hormonal”.
Constatou também que, “do ponto de vista metabólico, da privação do sono pode advir aumento de apetite e subsequente aumento ponderal”, reiterando que “a privação do sono também pode resultar na perturbação da memória (dismnesia) e da performance cognitiva”.
De acordo com o médico interno, “o tempo de reação, juízo de valor eficiente e alerta são algumas das características que são afetadas pela higiene do sono”, exemplificando que “podem culminar em acidentes rodoviários, erros laborais ou quedas, sobretudo se associado a polimedicação nos idosos”.
Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS
