As respostas dos serviços de saúde, em especial nesta época de inverno, e a disenteria, a propósito de ser a causa de morte da Madre Cabrini, que faleceu a 22 de dezembro de 1917, estiveram em destaque na Rádio Telefonia do Alentejo (RTA).
Esta foi mais uma edição do programa feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde do Alentejo Central, no qual assuntos ligados à saúde são abordados a partir dos dias temáticos de cada mês.
A sessão de dezembro, realizada no dia 22, contou com a participação da médica interna de Formação Geral, Débora da Silva Correia, e do médico de Saúde Pública, Augusto Santana Brito.
Aludindo à chegada do inverno, a 21 de dezembro, Débora Correia recordou que, “desde o final de outubro, temos assistido a um aumento paulatino das idas ao serviço de urgências e um aumento das consultas do próprio dia nos centros de saúde”, constatando que “isto é um fenómeno expectável e conhecido”.
Realçou que “nos meses mais frios aumentam as infeções respiratórias de variados graus de gravidade, promovidas pela circulação de múltiplos vírus, nomeadamente o da gripe, mas também outros como o vírus sincicial respiratório ou até mesmo a família dos coronavírus, entre eles o responsável pela Covid-19”.
A mesma médica interna adiantou que “o Ministério da Saúde tem um plano estratégico para a Resposta Sazonal em Saúde para precaver e assegurar a prestação de cuidados aos doentes nestas alturas de maior afluência”.
No entanto, frisou que “para além de haver necessidade de planear a nível das instituições de saúde para estas situações de contingência, existe também necessidade de aumentar a literacia em saúde e capacitar os doentes de modo a serem capazes de gerir a sua própria saúde”.
Na sua opinião, “é preciso dar meios e informação às pessoas para que saibam reconhecer situações que realmente precisam de ser observadas por profissionais de saúde”.
Nesse âmbito, Débora Correia reiterou que “a melhor forma de ter cuidados de saúde eficientes e com capacidade para dar resposta a este inverno é fazendo uma utilização consciente dos mesmos, dando primazia ao contacto com a linha Saúde24 ou através do Avaliador de Sintomas na página do MySNS (em formato de online ou em aplicação para o telemóvel), que permitem uma triagem de doentes e encaminhamento para o nível de cuidados adequado”.
A par disso, evidenciou que “a melhor arma que temos neste inverno contra as infeções respiratórias é mesmo a prevenção através da vacinação, das boas práticas de higiene e da evicção de contactos quando estivermos doentes”.
Neste programa, o outro tema “em cima da mesa” foi o da disenteria, que foi trazido pelo médico de Saúde Pública, Augusto Brito.
Começou por lembrar que “Francisca Xavier Cabrini, a Madre Cabrini, nasceu em 1850, em Itália, tendo desde sempre um espírito missionário”.
Augusto Brito acrescentou que “a Madre Cabrini foi para os Estados Unidos da América (EUA) em 1889, naturalizou-se cidadã norte-americana 20 anos depois, acabando por falecer em 1917, em Chicago, com disenteria”. Realçou também que “ela foi a primeira pessoa a ser canonizada nos EUA, em 1940”.
Chegando então à temática a ser abordada neste programa, o mesmo médico sublinhou que “a disenteria é um tipo de gastroenterite que pode ser grave e causar a morte”, revelando que “a causa mais comum para esta doença é a infeção por bactérias do género Shigella, sendo nesse caso denominada shigelose, mas também pode ser causada pelo protozoário Entamoeba histolytica”.
Alertou ainda que “todos os anos a Shigella é responsável por cerca de 165 milhões de casos de diarreia e 1,1 milhão de mortes, ocorrendo quase todos os casos nos países em vias de desenvolvimento”.
Segundo Augusto Brito, “desde 2016, tivemos quatro casos confirmados e três casos prováveis notificados na região Alentejo”.
Quanto ao tratamento, passa, sobretudo, “por medidas de suporte, entre elas a hidratação, mas, em alguns casos, poderá ser necessário antibiótico”, salientou.
O médico de Saúde Pública focou ainda que “a fonte de infeção são as fezes de pessoas infetadas ou de portadores convalescentes, sendo os seres humanos o único reservatório natural para a Shigella”.
Evidenciou também que “a disseminação indireta ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, enquanto a disseminação direta ocorre por via fecal-oral, geralmente pelo uso de água contaminada”, comentando que, a par de outras, “são as chamadas doenças de origem hídrica”.
De acordo com Augusto Brito, “a exposição do Homem a infeções associadas com a qualidade da água ocorre pela ingestão de água contaminada, pelo contacto com água de deficiente qualidade em zonas de recreio ou ainda pela comida”.
Nesse sentido, deixou algumas dicas ao nível da prevenção, como “adotar medidas de higiene pessoal e ambiental; a existência de saneamento básico adequado; a lavagem cuidada dos alimentos a ingerir crus, com água tratada; e a lavagem frequente das mãos com água de confiança”.
Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS
