Em setembro, o programa de saúde pública emitido pela Rádio Telefonia do Alentejo (RTA) teve como destaques o Dia da Síndrome das Pernas Inquietas (23 de setembro) e o Dia Mundial do Coração (29 de setembro).
Feito em parceria com a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento dos Centros de Saúde do Alentejo Central, este programa vai para o ar na última quinta-feira de cada mês, pondo em evidência temáticas sobre efemérides ocorridas nesse período.
Na edição de setembro, a emissão contou com a presença da enfermeira Andreia Louro e dos médicos internos de Formação Geral, Ana Sofia Camacho e Pedro Aires.
Em relação ao primeiro tema, Andreia Louro explicou que “a Síndrome das Pernas Inquietas é definida como uma sensação desconfortável nas pernas, nos braços ou em ambos os membros, quando se está sentado ou deitado, e a que se associa uma vontade irresistível de os mover”.
Reiterou que “é uma doença crónica, que interfere de forma importante com a qualidade de vida, podendo ocorrer em qualquer idade, mas geralmente agrava-se com o avançar da idade”.
De acordo com a enfermeira, “a causa desta doença é desconhecida, mas um terço ou mais das pessoas com esta síndrome têm fatores hereditários associados”.
Não obstante, adiantou que “suspeita-se que a sua origem possa estar relacionada com o desequilíbrio no cérebro de uma substancia química chamada dopamina, que é um neurotransmissor importante no controlo dos movimentos”.
A par disso, Andreia Louro adiantou que, “por vezes, é possível identificar causas secundárias associadas com esta síndrome”, exemplificando com “o estilo de vida sedentário, tabagismo, alcoolismo, obesidade, toma de alguns medicamentos, deficiência de ferro, gravidez, diabetes, entre outras”.
Quanto aos sintomas, apontou “sensações vagas nas pernas ou braços, descritas como ardor, dor, formigueiro ou puxão; vontade irresistível de mover as pernas e/ou os braços; dificuldade em relaxar e dormir; durante o sono, as pernas podem mexem-se de forma espontânea e incontrolada”, constatando que “os sintomas surgem depois de algum tempo em repouso, são mais frequentes à noite e aumentam com a ansiedade”.
A mesma enfermeira disse ainda que “o diagnóstico é feito com base nos sintomas, mas pode ser necessário fazer exames complementares”, destacando também que “caminhar, mexer ou esticar as pernas pode aliviar a sensação desagradável”.
Relativamente ao Dia Mundial do Coração, coube a Ana Sofia Camacho e a Pedro Aires esclarecer alguns pontos sobre esta temática.
Ana Sofia Camacho recordou que, “segundo a Organização Mundial da Saúde, dois terços das mortes antes dos 70 anos, na Europa, são causadas por doenças não transmissíveis, entre as quais as doenças cardiovasculares”.
Lembrou também que, “em Portugal, estas doenças são a principal causa de morte nas últimas décadas, representando um enorme desafio aos sistemas de saúde dada a sua grande prevalência e recursos mobilizados e despendidos no seu tratamento”, frisando que “é crucial apostar na prevenção”.
A esse respeito, Pedro Aires focou que “cerca de 90 por cento do risco de ocorrência de enfarte agudo do miocárdio (EAM), acidente vascular cerebral (AVC) ou doença arterial periférica pode ser explicado por um conjunto de fatores de risco, nomeadamente obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo ou stress, mas sobretudo pelo colesterol elevado, hipertensão arterial e a diabetes mellitus”.
Perante este cenário, alertou que “deve adotar-se um estilo de vida mais saudável através da prática de atividade física, correta alimentação e o não consumo de álcool e tabaco”.
Ambos os médicos internos de Formação Geral consideraram ainda de extrema importância “conhecer os sinais de alarme para o EAM e o AVC”, comentando que “esses sintomas devem motivar a procura por ajuda médica diferenciada, nomeadamente através da realização de uma chamada para o 112”.
No caso do EAM, “os sinais de alarme são a presença de uma dor forte e intensa no peito que se pode estender para os braços, costas e maxilar ou abdómen (sintoma mais frequente), mas também podem ocorrer náuseas e vómitos, suores frios, falta de ar ou tonturas”, esclareceram.
No que diz respeito ao AVC, enumeraram “a perda de sensibilidade e/ou movimento, sensação de formigueiro ou fraqueza na cara, braço ou perna, especialmente se for apenas num dos lados do corpo; sensação de confusão, dificuldade em falar ou compreender; dificuldade a andar, equilibrar-se ou coordenar movimentos; e ainda fortes dores de cabeça”.
Autor: Redação DS / Marina Pardal
Foto: DS
