A 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na última semana em Nova Iorque, decorreu num contexto internacional marcado por crescente instabilidade e por preocupações quanto à capacidade da ONU para responder aos desafios atuais, num momento em que a organização assinala o seu 80.º aniversário.

Durante o encontro de alto nível, multiplicaram-se análises e comentários sobre o futuro da instituição. Entre as preocupações manifestadas, destacaram-se as dificuldades financeiras crescentes, que, segundo alguns observadores, limitam a capacidade operacional da ONU e alimentam dúvidas sobre a sua eficácia.

O cenário global atual, caracterizado pelo ressurgimento do unilateralismo e por uma lógica reminiscente da Guerra Fria, tem contribuído para fragilizar a ordem internacional baseada em regras e o sistema multilateral construído no pós-guerra. Paralelamente, a recusa de alguns países ocidentais em cumprir obrigações internacionais, incluindo o pagamento de contribuições para o orçamento da ONU, tem agravado os constrangimentos financeiros da organização.

Enquanto membro fundador, a China reiterou o seu apoio ao papel central da ONU na governação global. Desde setembro, Pequim apresentou várias propostas e planos de ação. Na Cimeira de Tianjin da Organização de Cooperação de Xangai, o Presidente Xi Jinping lançou a Iniciativa de Governação Global, apontando orientações para a construção de um sistema internacional mais justo e equilibrado.

No debate geral da Assembleia Geral, o primeiro-ministro Li Qiang afirmou que a China está preparada para cooperar com todos os Estados membros na defesa da autoridade e dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. Manifestou ainda o apoio da China a reformas que reforcem a eficiência e a capacidade da ONU de cumprir o seu mandato, defendendo simultaneamente maior representação e voz para os países em desenvolvimento. Anunciou também a criação do Mecanismo Global China-ONU de Apoio ao Desenvolvimento Sul-Sul.

Paralelamente, a China acolheu uma reunião de alto nível sobre a Iniciativa de Desenvolvimento Global, apelando à criação de um ambiente internacional de desenvolvimento estável e aberto, à construção de parcerias equilibradas e inclusivas e ao reforço de dinâmicas inovadoras orientadas para o futuro, com vista a acelerar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Entre os anúncios de maior destaque esteve a decisão de a China abdicar de procurar novo tratamento especial e diferenciado nas negociações atuais e futuras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A medida foi acolhida com elogios pela OMC, que sublinhou o seu contributo para um sistema comercial mais equilibrado. Especialistas apontam que esta decisão implica que a China assumirá responsabilidades acrescidas no quadro das negociações multilaterais, reforçando o seu papel enquanto grande economia em desenvolvimento e fortalecendo o sistema comercial baseado em regras.

Publicidade: centro de programas de línguas da Europa e América Latina da China.