Évora foi palco da conferência “Comunidades de Futuro: As oportunidades dos gases renováveis – novos negócios, competências e profissões”, que decorreu no dia 16 de abril, no Hotel M´Ar de Ar Aqueduto.

O evento foi promovido pelo Grupo Floene Energias, que é “o maior operador da rede de gás em Portugal, através da participação e gestão direta de nove operadoras regionais de distribuição de gás, entre elas a Dianagás e a Paxgás, que operam no Alentejo”, adiantou a organização, em nota de imprensa.

É ainda referido que “o envolvimento com as comunidades locais onde a Floene, através das suas distribuidoras, está presente, é absolutamente essencial”, realçando que “esta foi a quarta conferência do género, na qual se promoveu um debate aberto com agentes locais de referência e especialistas nacionais”.

Em declarações ao Diário do Sul, Diogo da Silveira, presidente do Conselho de Administração da Floene, explicou que “a nossa empresa possui uma rede que permite distribuir gases até clientes residenciais, industriais e comércios”, acrescentando que, “tradicionalmente, tem distribuído gás natural e agora está a preparar-se para distribuir gases renováveis, como hidrogénio verde ou biometano”.

Deu ainda conta de que “é uma rede que permite fazer chegar energia em alternativa a outras oportunidades por todo o país”, afiançando que “somos o principal operador com cerca de 70 por cento de quota de mercado e operamos desde o norte até ao sul”.

O mesmo responsável focou que “há uma modificação fundamental no mundo da energia com o aparecimento dos gases naturais”, lembrando que “até agora tínhamos um abastecimento do país a partir de dois pontos”.

Especificou que “Portugal não tem gás natural, chegando, portanto, por navio até Sines ou por um gasoduto que atravessa o Mar Mediterrâneo, vem desde o Norte de África e passa por Espanha até chegar aqui”.

Segundo Diogo da Silveira, “com o aparecimento dos gases renováveis vão haver dezenas, centenas de pontos de produção desses gases espalhados pelo país”, reiterando que “estas conferências que estamos a promover tentam sensibilizar todas as regiões do país que têm condições para virem a ter um papel importante na produção de gases renováveis”.

A esse respeito, destacou que “a região do Alentejo está muito bem posicionada para os dois tipos de gases renováveis”, reforçando que “é preciso sensibilizar para este tema, que é novo, bem como dialogar com os poderes e atores regionais”.

Por sua vez, Gabriel Sousa, presidente da Comissão Executiva da Floene, esclareceu que “Portugal, talvez por termos sido dos últimos países da Europa a ter gás natural, é um dos países com rede mais moderna, essencialmente construída em polietileno, um material muito capacitado e perfeitamente apto para receber hidrogénio verde e ainda mais para receber biometano”.

Nesse sentido, reiterou que “isto cria um contexto muito favorável na rede de gás em Portugal para termos a injeção de gases renováveis em substituição do gás natural”.

O mesmo responsável recordou que, “no final da década de 90, começámos com o projeto de gás natural a reduzir as emissões de toda a sociedade e agora temos quase uma segunda vida para estas redes, que é substituir gradualmente a utilização de gás natural por gases renováveis”.

Relativamente à possibilidade dos gases renováveis serem produzidos em Portugal, considerou que “isto aumenta a nossa autonomia enquanto país na produção e na utilização de uma energia que é limpa”.

Na sua opinião, “o futuro passa sem dúvida nenhuma por aqui”, sublinhando que “a legislação tem de ir ao encontro desta necessidade que é de facto nós acelerarmos o caminho para gradualmente irmos substituindo o gás natural que circula nas nossas redes por gases renováveis”.

Para Gabriel Sousa, “a nível do desenvolvimento dos gases renováveis, um dos impactos que nos parece mais importantes é a capacidade de produção local, ou seja, a produção descentralizada, que ao mesmo tempo traz a capacidade de haver projetos locais que se vão desenvolver nas diversas regiões do país, com capacitação de novas competências, novas profissões e emprego”.

A par disso, evidenciou que “2030 é uma data importante e que está inscrita no Plano de Ação do Biometano, que foi recentemente aprovado”, explicitando que “uma das metas que este plano definiu é de facto até 2030 ter a substituição de nove por cento do volume de gás que hoje em dia é consumido com a produção de biometano”.

Na sua perspetiva, “Portugal tem potencial de produção de biometano e de produção de hidrogénio verde para substituir os gases renováveis até 2050”, concluindo que “é preciso começarmos a viagem”.

Pode ver a reportagem vídeo no seguinte link:
https://www.youtube.com/watch?v=6K-J5bUZ2XE&t=3s

Texto: Redação DS / Marina Pardal
Fotos: DS

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